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Correio Braziliense

Presidente da Bloomin Brands no Brasil explica as estratégias da empresa

Longas filas de espera refletem a estratégia adotada pela empresa nos últimos anos, de consolidar a marca sobre a reputação de bom atendimento e da qualidade dos produtos, de acordo com Pierre Berenstein


postado em 26/06/2019 06:00

(foto: Gartner/Divulgação)
(foto: Gartner/Divulgação)
São Paulo –  Quem passa em frente aos restaurantes do Outback Steackhouse, marca do grupo americano Bloomin’ Brands, não enxerga qualquer semelhança com as dificuldades que a economia brasileira atravessa. Segundo o presidente da companhia no país, Pierre Berenstein, as longas filas de espera refletem a estratégia adotada pela empresa nos últimos anos, de consolidar a marca sobre a reputação de bom atendimento e da qualidade dos produtos. “Nossa matéria-prima mais importante é gente. Não somos uma rede de restaurante que oferece pratos, mas que garante nova experiência”, afirma o executivo aos Diários Associados. Confira a entrevista:

As longas filas nos seus restaurantes significam que a rede precisa crescer ou que o ano está melhor do que o esperado?
 
As filas são sinônimo do nosso sucesso. Não posso falar do primeiro semestre fechado, porque a gente ainda não divulgou os resultados na Bolsa de Nova York. Mas posso dizer que no nosso primeiro trimestre tivemos resultados muito positivos, com crescimento importante de vendas. A gente tem visto um começo de ano bastante forte.

O começo de 2019 seguiu o mesmo ritmo de 2018?
Não. Estamos crescendo mais. Em 2018, contra 2017, tivemos retração de vendas em razão da greve dos caminhoneiros e também da Copa do Mundo. Isso nos afetou. Mas foi uma retração de 1,4%. Esses fatores a gente não controla. Parece até que faz muito tempo, mas é recente. Mas, na análise de 2019, começamos o ano de maneira bastante forte. Estamos otimistas com o retorno das nossas campanhas. No Outback, inclusive, em algumas praças a gente acabou vendendo em duas semanas o que seria vendido em dois meses.

Em números de lojas, o plano inicial está sendo mantido? 
Sim. A gente executou 100% do nosso plano de expansão. Neste momento, com a inauguração da unidade do Shopping Del Rey, em Belo Horizonte, são 99 Outbacks, 12 Abraccios e um Fleming no território nacional. Então, no total são 112 restaurantes. Também fizemos uma série de reformas que trouxeram um novo conceito, melhorando a experiência do nosso consumidor.

O ambiente de incerteza econômica não tem influenciado em nada no plano de desenvolvimento do grupo?
Na realidade, é o contrário. No caso do Outback, de um ano para o outro aumentamos o número de inaugurações e aceleramos as reformas. O melhor momento para capturar oportunidades é quando a economia está fragilizada. É o momento correto de reformar e atualizar os conceitos. Na hora em que o ciclo positivo voltar, estaremos surfando no crescimento. Enxergamos que, em momentos como esses, quando se opera direto, quando se entrega qualidade, bons produtos e inovação, o consumidor nos escolhe. É uma mudança de um jogo em que você precisa ser mais agressivo para capturar mais market share. A gente opera bem nos dois cenários, e é por isso que a marca tem sucesso há mais de 20 anos no Brasil.

O setor de alimentação está descolado da economia em geral, que ainda caminha a passos lentos rumo a uma retomada mais sólida?
Quando comparamos, por exemplo, o mercado brasileiro com o mercado americano, a alimentação fora de casa no Brasil representa cerca de 30%, enquanto o mercado americano já está em 50%. Isso quer dizer que é um mercado que está subpenetrado. Portanto, ainda existe muito espaço para crescer. O mercado tem um tamanho que, para quem entrega um bom serviço, há espaço para continuar crescendo. No momento de crise, você nunca vai ver um Outback diminuindo qualidade ou demitindo, porque a gente entende que qualidade é o alicerce do nosso negócio. A gente não corta mão de obra, porque ela parte da experiência de um bom serviço. A nossa matéria-prima mais importante são as pessoas.

Por que o Outback decidiu 
Entrar no segmento de delivery em algumas cidades do Brasil se não está dando conta de atender à demanda atual?
A gente entende que o mercado de delivery é totalmente diferente do mercado de alimentação fora de casa. É o mercado dentro de casa. A gente acaba competindo com supermercado, mais do que com restaurantes. Atualmente, 98% dos nossos restaurantes estão localizados dentro de shoppings centers. Como a gente tem preocupação enorme com serviço e qualidade, fomos procurar qual o melhor modelo para isso funcionar na entrega em domicílio. Porque precisamos de uma logística que funcione dentro de um shopping center, e que o ‘momento outback’ seja igual em sua casa.

Qual é a estratégia?
Começamos, no fim do ano passado, comprando participação minoritária em uma empresa chamada Delivery Center, que tem como sócio a BRMalls, a Multiplan e a família de José Galló (das Lojas Renner). Ela transforma o shopping center num grande centro de distribuição, com o melhor sortimento possível numa localização estratégica dentro da cidade. Porque, se fizermos simplesmente a entrega, não estaremos entregando a experiência. Então, mandamos uma carta para o cliente, sugerindo reduzir a luz, ligar no Spotify a playlist do Outback, esquentar o pãozinho e aproveitar seu momento. Hoje em dia, temos 16 unidades operando assim. Até o fim do ano, queremos chegar a mais ou menos 30 restaurantes. Esse é um negócio bastante promissor.

Qual será a importância do delivery nos resultados da empresa?
E bastante difícil dizer. Na amostra que tenho hoje, representa cerca de 10% dos pedidos em volume.

Mas o segmento de entrega já é bem concorrido, com iFood, Uber Eats, Rappi etc.
Sim, mas Outback só tem um. Então, quem quiser o momento Outback terá nossa plataforma própria. E nosso delivery sempre é uma plataforma aberta e se conecta com todos esses players que você mencionou.

O plano do delivery e só para o Outback, não é para Abraccio e nem Flamings?
A Abraccio, inclusive. Dentro dessas 16 lojas, algumas já são Abracccio. São três. O plano é para a Bloomin' Brands como um todo.

Existe relação direta entre o aquecimento da economia e o consumo de alimentos fora de casa?
Tudo o que for dentro de Blooming, vou te falar com bastante propriedade. Para a Bloomin' Brands, é claro que o mercado mais positivo sempre ajuda e entendo que isso se aplica ao mercado de restaurantes de maneira geral. O que posso afirmar é que, independentemente da situação econômica, a gente sempre atuará para encontrar oportunidade e crescer de maneira consistente, como estamos fazendo durante esses anos.

E se houver uma nova crise de caminhoneiros no caminho?
Obviamente que, se tiver uma nova crise de caminhoneiros, não tem jeito, porque você e todo o Brasil sofrem. Mas em situação normal, mesmo temperada sob pressão, a gente focando em serviço, atendimento, qualidade do produto, promoções inovadoras, isso cultiva, sempre vai ter um mercado em que vamos crescer. Afinal, independentemente do momento do mercado, as pessoas saem, querem se divertir. Nesse contexto, queremos ser a primeira escolha na cabeça de todo consumidor.

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