Economia

''Carga tributária condiz com gastos do Brasil'', diz Fernando Honorato

Para o economista, é preciso estabelecer uma mudança de comportamento para reduzir despesas

Hamilton Ferrari
postado em 01/07/2019 17:01
Fernando Honorato, economista-chefe do Banco Bradesco O economista-chefe do Banco Bradesco, Fernando Honorato, disse, durante o Correio Debate: ;25 anos do real ; Os desafios para o Brasil;, que a carga tributária brasileira não é alta se relacionada com o volume de gastos públicos do governo federal. Para ele, é preciso estabelecer uma mudança de comportamento para reduzir as despesas e estabelecer o crescimento econômico. Ele comentou que o Plano Real possibilitou a estabilização da economia e reduziu a inflação ;como um toque de mágica;.

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Para o analista, o país ;flertou; com o risco de que colocar as conquistas do Plano Real em xeque entre 2012 e 2013. ;Corremos um sério risco de reversão. A resposta do governo Lula para a crise internacional de 2008 foi apropriada na minha visão, mas a sequência do processo de má aplicação de recursos na economia foi desastroso. O descaso nos gastos e o direcionamento de crédito criou uma má alocação de capital, o que fez aumentar a dívida pública;, explicou Honorato.

O economista-chefe destacou que havia a possibilidade de dominância fiscal, que não seria possível controlar o endividamento público sem aumentar a inflação. Na interpretação dele, foi só depois de 2016 que a adoção de medidas que colocaram o país na agenda da retomada econômica possibilitou a diminuição das tensões. ;A grande transformação que o Brasil decidiu fazer, com o vigor do Plano Real, foi o teto dos gastos. É polêmico, duro, mas nos força a fazer escolhas orçamentárias que não eram feitas antes no Brasil;, destacou.

Outra ação foi a implementação da Taxa de Longo Prazo (TLP), substituindo a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). A mudança permitiu diminuições em créditos direcionados, diminuindo gastos públicos. ;Foi feita uma reforma completa em 2016 do sistema de crédito. Isso começa com a criação da TLP. Quando muda para a nova taxa o mercado começa a atuar mais livremente, além de redução das taxas;, disse. Ele destacou que empréstimos de 10 anos (longo prazo) os juros estão em 7,6%.

Também enfatizou que a reforma trabalhista foi um grande avanço. ;Eu sei que tudo gera uma frustração, porque não tem crescimento. Mas, assim que ocorrer a retomada, essas medidas vão produzir resultados. A flexibilidade do mercado de trabalho é um ativo muito importante para a retomada, quando ela vier;, afirmou Honorato.

O economista do Bradesco destacou que a reforma da Previdência também é fundamental para reequilibrar as despesas públicas e que, sem ela, o teto dos gastos não para em pé. ;O Brasil não tem carga tributária alta. No fundo, temos gasto alto. A carga tributária é produto de uma despesa que cresce;, disse.


Perfil


Economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato possui graduação em Ciências Econômicas pela Universidade de São Paulo (2001) e mestrado em Economia pela Universidade de São Paulo (2006). Tem experiência na área de Economia, com ênfase em Instituições Monetárias e Financeiras do Brasil.

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