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Correio Braziliense

Para o mercado, texto da reforma da Previdência ficou melhor que o esperado

Aprovação do relatório da reforma da Previdência na Comissão Especial é bem-recebida pelo mercado, que vive dia de pouca influência externa devido a feriado nos EUA. Investidores aprovam economia que proposta proporciona, de R$ 1,07 trilhão em 10 anos


postado em 05/07/2019 06:00

(foto: Caio Gomez/CB/D.A Press)
(foto: Caio Gomez/CB/D.A Press)
Em meio à aprovação da reforma da Previdência, a Bolsa de Valores de São Paulo (B3) renovou o recorde nesta quinta-feira (4/7), encerrando a 103.636 pontos, com alta de 1,56% sobre a véspera. O recorde anterior, de 102.062 pontos, foi registrado em 24 de junho deste ano. O resultado da votação na Câmara também teve impacto positivo sobre o câmbio, que fechou abaixo de R$ 3,80, no menor patamar desde março.

O fato de as bolsas dos Estados Unidos estarem fechadas nesta quinta-feira (4/7) ajudou a evitar pressões externas na B3, segundo analistas. “As bolsas americanas ficaram fechadas pelo Dia da Independência, diminuindo a liquidez nos mercados globais e concentrando a atenção dos investidores brasileiros na reforma da Previdência”, afirmou o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves. “A aprovação do texto elevou o otimismo em relação ao cronograma de Rodrigo Maia(presidente da Câmara e principal artífice da proposta) que pretende aprovar a reforma em plenário antes do recesso parlamentar que começa no dia 18 de julho”, emendou.

O texto-base do deputado federal Samuel Moreira (PSDB-SP), relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Previdência, foi aprovado com 36 votos favoráveis e 13 contrários. Contudo, a matéria ainda precisará de, no mínimo, 308 votos dos 513 deputados para ser aprovada em dois turnos para então ser encaminhada ao Senado, onde também precisará do apoio de três quintos dos 81 senadores, também em dois turnos, para que as mudanças em aposentadorias e pensões sejam efetivadas.

Robustez

O impacto fiscal de R$ 1,074 trilhão em 10 anos na proposta de Moreira foi o que mais agradou os mercados, porque manteve a robustez da reforma do sistema. Pelas estimativas do relator, esse impacto representa uma economia de despesas de R$ 933,9 bilhões em redução e aumento de tributos e fim de subsídios em torno de R$ 137,4 bilhões. A proposta original enviada pelo Executivo em fevereiro previa uma economia de R$ 1,236 trilhão, sem incluir aumento de impostos. Não à toa, o dólar registrou queda de 0,71% e encerrou o pregão cotado a R$ 3,799.

“De alguma maneira, a proposta ficou bem melhor do que o mercado estava esperando. No frigir dos ovos, estamos tendo uma reforma aparentemente robusta, o que é bastante razoável. Isso vai nos dar algum conforto de uns dois a três anos em relação ao fiscal. Vejo como um grande feito do governo, porque é uma das melhores coisas que fizemos em alguns anos e vai permitir uma reforma tributária com mais qualidade”, apostou o economista Alexandre Espírito Santo, da corretora Órama.

“A Bolsa está pegando final de valorização da reforma da Previdência. Esse otimismo pode continuar e o Ibovespa pode continuar subindo, mas não dá para saber qual será o novo pico. Há espaço para o índice seguir subindo, porque a proposta agradou ao mercado, que esperava um impacto fiscal de R$ 700 bilhões a R$ 800 bilhões”, explicou o economista-chefe da Ativa Investimentos, Carlos Thadeu de Freitas Filho.

Juros

Para Espírito Santo, da Órama, o resultado da votação da reforma também abrirá caminho para o Banco Central iniciar um ciclo de queda na taxa básica de juros (Selic), provavelmente, ainda na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorrerá nos dias 30 e 31. “O cenário que estava nublado nas últimas semanas, agora está ficando mais claro. O humor do mercado é muito bom, mas ainda há algumas realizações no meio do caminho para que o investidor estrangeiro volte”, afirmou. Ele lembrou que o lado real da economia ainda é ruim, com o Produto Interno Bruto (PIB) fraco e o desemprego elevado. “Mas o mercado financeiro antecipa tendências e, se as demais reformas e as privatizações forem encaminhadas pelo governo neste segundo semestre, poderemos ver o PIB no último trimestre crescendo entre 1,5% e 2% na margem (em relação aos três meses imediatamente anteriores)”, acrescentou.

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