Economia

25 anos do Real: Confiança da população é vital, afirma FHC

"O real deu certo porque a população sentiu os benefícios e porque o governo fez uma programação", diz ex-presidente do Brasil

Correio Braziliense
Correio Braziliense
postado em 08/07/2019 11:15
 (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República:
Fernando Henrique Cardoso teve papel crucial na implantação do Plano Real. Há 25 anos, rodeado de economistas que o ajudaram a operacionalizar a troca da moeda, o então ministro da Fazenda se beneficiou do impacto das mudanças na economia, que resultam na derrota da hiperinflação. Tanto que, em 1994, foi eleito presidente da República. Ele afirma que, hoje, os desafios são outros, sendo o principal deles, o desequilíbrio fiscal. Na opinião de FHC, a solução desse problema passa pela reforma da Previdência, que é de interesse nacional, pois permitirá a retomada dos investimentos, principalmente em infraestrutura.

Ele lembra que, depois de cinco tentativas fracassadas, o Brasil estava cansado de planos econômicos. ;Ninguém imaginava que fosse possível ter uma certa tranquilidade. O real propiciou isso. Tanto que são 25 anos com a mesma moeda. Nós estávamos acostumados com um vaivém: muda a moeda, muda a taxa de câmbio, muda tudo;, diz. ;O real deu certo porque a população sentiu os benefícios e porque o governo fez uma programação. Sem credibilidade, as coisas não vão. Nós já sabíamos que muitos que trabalharam nos planos anteriores já sabiam disso. Não é um ato. É um processo que leva tempo para se estabilizar. Nós anunciamos com antecipação o que iríamos fazer;, completa.

[SAIBAMAIS]De acordo com o ex-presidente, o governo precisa ganhar a população, e não o mercado financeiro. Para ele, não adianta o país viver num quadro de macroeconomia estável, com inflação e juros baixos, se não há crescimento econômico. ;Agora, para que o crescimento volte, o primeiro teste importante é a reforma da Previdência. Se passar de maneira aceitável, já dá um certo respiro. Repito, não são os mercados, porque vão colocar logo outro sarrafo e querer logo a reforma tributária, além de dizer que, se não for feita, o Brasil vai acabar. O Brasil não vai acabar. Tem que ter a confiança da população;, afirma.

Na avaliação dele, os ;impulsos; do presidente Jair Bolsonaro assustam e dão a impressão de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, não tem tanto poder quanto é necessário para levar o país adiante. ;O presidente atual tem que entender, primeiro, que o Congresso tem força. Os partidos são fracos, mas o Congresso, não. Tem que entender que instituições do Estado são antigas e funcionam: o Itamaraty, as Forças Armadas, o Judiciário. Tem que respeitar, compreendê-los e não expulsá-los;, declara. ;Existe a burocracia pública que tem o seu valor também e não pode se deixar levar por ideologias. Há interesses concretos e do país. Essas reformas não se fazem de supetão;, acrescenta.

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