Economia

BC pretende avançar na modernização do Sistema Financeiro Nacional

Agora, o foco do Banco Central é dar segurança aos novos modelos de negócios e estimular a entrada de concorrentes não tradicionais no mercado

postado em 08/07/2019 11:50
foto do diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central, João Manoel Pinho de Mello  -  (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
foto do diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central, João Manoel Pinho de Mello - (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
João Manoel Pinho de Mello, diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central:

Com a estabilidade monetária, alcançada pelo Plano Real, o Banco Central (BC) agora quer avançar na modernização do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Para isso, desenvolve a intermediação financeira do futuro, por meio de dois projetos básicos: o open banking, que é a difusão sem o consentimento do usuário das suas informações para que possa receber propostas de crédito mais regulares, por exemplo, de fintechs; e um projeto de pagamentos instantâneos, como funciona em alguns países, onde é possível pagar contas por aplicativos como o WhatsApp.

O diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central (BC), João Manoel Pinho de Mello, explica que o papel da autoridade monetária é ter proatividade para que os novos modelos de negócio se adaptem rapidamente às mudanças na sociedade, garantindo segurança, sem inibir a inovação. ;A estabilidade da moeda nos deu as condições objetivas e necessárias para desenvolver a eficiência do sistema financeiro com essa agenda central;, diz.

Agora, o foco do BC, segundo o diretor, é dar segurança aos novos modelos de negócios, sem detrimento da inovação; estimular a entrada de concorrentes não tradicionais no mercado e garantir que todos os processos sejam baseados na proteção de dados dos consumidores do sistema financeiro. ;Também temos que difundir as informações de crédito, para que todos os concorrentes possam competir em igualdade de condições. Se um credor tem mais informações do que outro, é natural que consiga dar crédito em condições mais vantajosas;, assinala.

Concorrência


Pinho de Mello destaca que, entre as missões do BC, estão assegurar a estabilidade da moeda, com cumprimento da meta da inflação, e garantir um sistema financeiro sólido e eficiente. ;A primeira missão é o motivo da comemoração dos 25 anos do real. A despeito de discordâncias, é notável o que nós conseguimos fazer no que se refere à estabilização monetária;, afirma. ;Nós construímos um sistema sólido. Agora, é preciso centrar esforços na conclusão de um sistema financeiro ainda mais eficiente. É sinal de maturidade da sociedade brasileira e do governo que o debate hoje esteja mais focado em temas como juros, spread bancário, fintechs, intermediação financeira, mudanças regulatórias. Isso significa que nós resolvemos boa parte da agenda para dar espaço à próxima, cujo principal objetivo é aumentar a concorrência na intermediação financeira;, sintetiza.

O termo é usado no lugar de crédito bancário, de acordo com o diretor do BC, porque o setor privado já está ocupando boa parte da queda do crédito direcionado subsidiado que houve nos últimos anos. ;O processo é lento, mas já está em curso. Inclusive, a pesquisa de intermediação financeira começará a ser divulgada em agosto pelo Banco Central, que envolve mercado de ações, mercado de títulos do setor não financeiro e do crédito bancário, obviamente;, antecipa.

Sobre meios de pagamento, Pinho de Mello diz que o BC quer criar um ambiente com concorrência, reduzindo as barreiras à entrada, estimulando, assim, a eficiência. ;A tecnologia é grande vetor tanto de indução da concorrência quanto da redução de riscos para subscrição de crédito;, afirma. A expansão da competição no setor, no entanto, deve caminhar lado a lado com a segurança dos dados pessoais dos cidadãos. ;Esse é um pilar fundamental. O consenso social a respeito de várias medidas depende dessa proteção. A consequência é crédito e serviços mais baratos e abundantes, sobretudo, para a população menos bancarizada e para as pequenas e médias empresas, que sofrem com restrição de crédito;, acrescenta.

A autoridade monetária já realizou algumas mudanças regulatórias, que permitiram avanços. ;As transações de cartão de crédito como fração do PIB (Produto Interno Bruto) tiveram um crescimento absolutamente extraordinário e tem ainda mais por vir;, destaca. O estímulo à concorrência na antecipação de recebíveis, que é o principal mecanismo de crédito para vários negócios, principalmente, médias e grandes empresas, provocou queda no custo do capital de giro, exemplifica. ;Tenho convicção de que a tecnologia impulsionará ainda mais a concorrência;, conclui.

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