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Correio Braziliense

Leilão da Avianca por Latam e Gol rende cifra milionária

Ainda sob incerteza jurídica e após várias suspensões determinadas pela Justiça, leilão da companhia aérea foi realizado nesta quarta-feira (10/7) e resultou em US$ 147,320 milhões


postado em 11/07/2019 06:00

Latam arrematou os lotes 2 e 4 e aguarda disposições sobre o plano de recuperação para conclusão da transação(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Latam arrematou os lotes 2 e 4 e aguarda disposições sobre o plano de recuperação para conclusão da transação (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
São Paulo — Em recuperação judicial desde dezembro do ano passado, a Avianca conseguiu atrair interessados em parte de seu patrimônio. Ocorreu nesta quarta-feira (10/7), na Zona Sul de São Paulo, o leilão de seus slots — horários de pouso e decolagem. Ao todo, a arrecadação chegou a US$ 147,320 milhões. Havia uma expectativa, particularmente entre os maiores credores, de que se chegasse a pelo menos US$ 200 milhões.

Participaram do certame as companhias aéreas Gol e Latam. A Azul estava no local do leilão, organizado pela Mega Leilões, mas na última hora decidiu não apresentar nenhuma proposta.

Mas ainda pode haver uma grande reviravolta na situação da Avianca Brasil. Na última sexta-feira (5), a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) conseguiu decisão favorável tanto da Justiça de São Paulo quanto do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e retomou a redistribuição normal dos slots, conforme as regras vigentes, nos aeroportos de Guarulhos, Santos Dumont e Recife. Independentemente do leilão ou de qualquer outro pleito, “as regras sobre redistribuição de slots continuam válidas e sendo executadas pela agência”, comentou a Anac.

Apesar disso, os concorrentes da Avianca decidiram ir adiante e levar parte da companhia. Os lotes foram compostos por Unidades Produtivas Isoladas (UPIs), segundo orientação da Vara de Recuperação Judicial. É como se fossem pequenas unidades de negócio que são desmembradas da empresa em recuperação judicial, como a Avianca, para configurar outras operações e viabilizar o leilão.

No primeiro lote (UPI A), que teve apenas um lance, a Gol arrematou, por US$ 70 milhões, 20 voos de Guarulhos e 18 voos de Congonhas (ambos em São Paulo), além de 12 voos do Santos Dumont (Rio de Janeiro).

O lote 2 (UPI B), também sem disputa, teve a Latam como vencedora, com desembolso de US$ 79 milhões, composto por 26 voos de Guarulhos, oito voos do Santos Dumont e 13 voos de Congonhas.

O lote 3 (formado pelas UPI C, D e E) não teve interessados na primeira rodada e precisou ser desmembrado para uma nova tentativa. O lote 4 (UPI C) ficou com a Latam pelo valor de US$ 10 mil. A Gol arrematou o lote 5 (UPI D) por US$ 10 mil — composto por seis voos de Guarulhos, quatro voos do Santos Dumont e quatro voos de Congonhas.

Disputa 

A Gol levou ainda o lote 6 (UPI E) de ativos da Avianca, por US$ 7,3 milhões. Essa foi a única disputa acirrada no leilão, com dezenas de lances dados pela Gol e a Latam, a derrotada. Essa UPI é composta por seis voos de Guarulhos, quatro voos do Santos Dumont e nove voos de Congonhas.

Os lotes 7 e 8, que incluíam o programa de fidelidade da Avianca, não receberam lances e caberá ao juiz responsável pelo processo de recuperação judicial decidir se será feito novo leilão das sobras.

A Gol informou que não comentaria o resultado do leilão. Já a Latam Airlines Brasil, empresa pertencente à Latam Airlines, explicou, em nota enviada ao mercado, que a conclusão da transação, com o pagamento do preço de aquisição pelas UPIs B e C, estará atrelada a todas as disposições e condições suspensivas do plano de recuperação judicial da Avianca, aprovado pela assembleia geral de credores em abril e homologado pelo juíz da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.

Por meio de nota, a Azul fez uma série de críticas. “O leilão de ativos da Avianca não estimulou o interesse de outros concorrentes, a não ser Gol e Latam, que, por sua vez, não competiram entre si nas UPIs A e B, com maior volume de slots. O resultado do leilão traz maior concentração em Congonhas, único aeroporto fechado do país e com 90% de suas operações concentradas em apenas duas companhias”, informou.

Ainda segundo a companhia, houve perdas para os funcionários da Avianca, para os clientes e participantes do programa de milhas “Amigo”, que não recebeu lances. “A companhia, no entanto, reafirma a confiança de que os órgãos reguladores brasileiros trarão uma solução que estimule a maior competitividade no setor”, concluiu o texto da Azul.

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