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Correio Braziliense

Sustentabilidade: Renner passa a incorpora malha reciclada

Rede varejista gaúcha dá novo uso a sobras de tecidos que antes seriam descartadas em aterros. Primeira experiência foi com o jeans, que chegou às lojas há cerca de um ano


postado em 12/07/2019 06:00

Produtos da linha Re, que seguem uma série de regras no processo de produção para diminuir impacto no meio ambiente(foto: Renner/Divulgação)
Produtos da linha Re, que seguem uma série de regras no processo de produção para diminuir impacto no meio ambiente (foto: Renner/Divulgação)
São Paulo — A economia circular — em que os resíduos são transformados em insumos para a produção de novos produtos — ainda que avance aquém do necessário, vai servindo como ponto de partida para novas iniciativas nas empresas em seus projetos de sustentabilidade. A gaúcha Renner lançou recentemente a segunda fase de seu programa que leva o selo Re–Moda Responsável. Depois do jeans, que chegou às lojas há cerca de um ano, agora o foco do trabalho da companhia de varejo é a malha.

As sobras têxteis de malha das roupas fabricadas por fornecedores da Renner são desfibradas, transformadas em um novo tecido, utilizadas novamente no processo produtivo do fornecedor inicial, que usará a matéria-prima reciclada na confecção de outras roupas para a companhia.

Composta por roupas feitas com malha reciclada, a linha Re Malha é desenvolvida a partir de um processo de colaboração entre a companhia e seus fornecedores. “É uma das formas que encontramos de dar senso de maior ciclo de vida para resíduos que iriam para o aterro. É um processo de inovação aberta, toda a cadeia de produção participa desse planejamento”, explica o gerente sênior de sustentabilidade da Lojas Renner, Eduardo Ferlauto.

Assim como ocorreu com as peças em jeans, foi preciso mudar a forma de produção e até de manipulação das sobras de corte da malha para que elas pudessem ter um novo uso. A coleção Re Malha não tem um preço diferente em relação a outras que seguem o sistema tradicional de produção. Segundo Ferlauto, quem compra essa linha busca um valor adicional, segundo os princípios da economia circular.

A decisão de incluir o aproveitamento de sobras de malha no processo de confecção faz parte de um programa maior da Renner que leva em consideração outros procedimentos para causar menos impacto. Entre eles estão o fio reciclado (criado a partir de material têxtil e/ou plástico tipo PET), o liocel (fibra de origem renovável extraída da fibra de madeira), a poliamida biodegradável e o algodão certificado.

E-commerce

No ano passado, de acordo com o gerente da área, foram comercializadas pela Renner cerca de 12 milhões de peças com o selo Re, com algum tipo de especificação relacionada ao menor impacto ambiental. Em 2017, foram aproximadamente 3 milhões de unidades. Por enquanto, as duas primeiras camisetas da Re Malha estão sendo comercializadas em 48 lojas físicas e no e-commerce da Renner. A coleção e a distribuição vão aumentar nos próximos meses, segundo a empresa.

No caso do Re Jeans, um trabalho feito pela Universidade de São Paulo apontou que a companhia conseguiu diminuir seu impacto no meio ambiente em 40% graças ao processo de reaproveitamento de sobras. Um novo levantamento deverá ser feito para medir os resultados com a expansão para a linha de malha, mas Ferlauto acredita que o número deverá ser semelhante.

Além do projeto de economia circular, a Renner divulgou no ano passado uma série de compromissos para tornar sua operação mais sustentável. O objetivo é ter 80% dos produtos feitos com matérias-primas e processos menos impactantes, usar algodão certificado em 100% de sua cadeia de fornecimento, obter 75% da energia para o consumo corporativo a partir de fontes renováveis, diminuir em 20% as emissões absolutas de gás carbônico (CO2), além de ter toda a cadeia de fornecedores, dentro e fora do Brasil, com certificação socioambiental.

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