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Correio Braziliense

Montezano: Banco vive de credibilidade e imagem do BNDES hoje é questionada

Novo presidente do BNDES afirmou que terá dois meses para explicar a ''caixa preta'' do banco


postado em 16/07/2019 15:22 / atualizado em 16/07/2019 15:29

Presidente do BNDES, Gustavo Montezano(foto: Marcos Corrêa/PR)
Presidente do BNDES, Gustavo Montezano (foto: Marcos Corrêa/PR)
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, que tomou posse no início da tarde desta terça-feira (16/7) no Palácio do Planalto, disse que apresentará um parecer final sobre a “caixa preta” do passado da estatal em dois meses.

Ele afirmou que ainda não há um posicionamento feito a respeito do tema, mas entende que a sociedade pede por mais transparência, já que há uma “nuvem cinza” em cima da instituição. As declarações foram dadas no auditório do Ministério da Economia, em coletiva de imprensa para apresentar as metas da nova gestão no banco de desenvolvimento.

De acordo com Montezano, a explicação da caixa preta é a meta “número um” porque ele, como executivo, deve se preocupar com a credibilidade e imagem da empresa, no caso, o BNDES. “Essa imagem do banco é extremamente questionada. É criticada por uns e defendida por outros. Empresarialmente, ao assumir a instituição financeira, que é questionada por práticas inadequadas, a primeira coisa a se fazer é o dever de casa: entender o que tem, criar sua própria visão sobre os fatos e se posicionar”, afirmou. 

O presidente da estatal enfatizou que não tem posição sobre o assunto, mas que é preciso retirar a “nuvem cinza” que atrapalha os empreendimentos. Para ele, a explicação da “caixa-preta” será o marco zero para a instituição ter uma nova imagem. “Do contrário, se essa nuvem cinza e negra continue, torna-se bem difícil executar essa estratégia”, aponto. 

Joaquim Levy, ex-presidente do banco deixou o cargo após “falta de transparência”, segundo o presidente Jair Bolsonaro. O chefe do Executivo estava insatisfeito com a falta de informações sobre financiamentos ineficientes feitos no passado durante as gestões petistas, como aplicações de recursos em Cuba e na Venezuela. Apesar disso, os dados são públicos e estão no site do BNDES. 

Apesar da opinião de Bolsonaro, Montezano disse que não tem uma opinião formada sobre a caixa preta e que está com a “cabeça extremamente aberta sobre as informações que estão lá”. “Tenho um prazo de dois meses para formar minha opinião a respeito do tema. É muito prematuro para perguntar o que foi o que não foi. É importante que seja feito o quanto antes”, declarou. “Independente de estar no site, a verdade é que paira uma dúvida da sociedade e político. O que vem de lá (caixa preta), ainda não sei”, completou. 

Questionado se a posição política do Bolsonaro poderia interferir na avaliação, ele disse que a proposta é explicar a caixa-preta para que numa visão empresarial, o BNDES consiga executar a estratégia de negócio. “Eu conversei com muitas pessoas que conhecem o tema e as informações são desencontradas. Qualquer que seja a conclusão, nós precisamos ser transparente e trazer para a sociedade e a mídia. O propósito é falar a verdade e ser transparente. Se no final A ou B vai ficar feliz, eu não consigo controlar isso. Isso não pode nos forçar a revelar ou não”, garantiu.  

Montezano afirmou que, por ser a prioridade “número um”, estará envolvido na coordenação do trabalho no banco. A avaliação da caixa-preta ainda terá coordenação com órgãos de controle, área interna do banco e assessores externos. De acordo com ele, o prazo de dois meses é acelerado para um tema delicado, mas é urgente. 

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