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Correio Braziliense

Sob novo comando, BNDES terá como prioridade investigar gestão petista

Amigo da família Bolsonaro, o novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social promete transparência, continuidade nas devoluções ao Tesouro, venda de ações da instituição e corte nos empréstimos


postado em 17/07/2019 06:00

Gustavo Montezano, presidente do BNDES:
Gustavo Montezano, presidente do BNDES: "Empresarialmente, ao assumir a instituição financeira, a primeira coisa a se fazer é o dever de casa: entender o que tem, criar sua própria visão sobre os fatos e se posicionar" (foto: AFP / EVARISTO SA)
Amigo da família Bolsonaro, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, foi empossado no cargo com o discurso que agrada ao presidente da República, Jair Bolsonaro, e ao eleitorado do governo: abrir a “caixa-preta” da estatal. A falta de transparência sobre financiamentos em empreendimentos feitos durantes as gestões petistas foi o motivo para a exoneração do ex-comandante do banco Joaquim Levy, mas o novo chefe da instituição promete apresentar os dados à sociedade em até dois meses.

Durante a cerimônia de posse, nesta terça-feira (16/7), no Palácio do Planalto, Bolsonaro comemorou que Montezano, amigo desde jovem de seus filhos, tenha alcançado o cargo (confira reportagem ao lado). Após desentendimentos com Levy, o presidente demonstrou insatisfação com a falta de divulgação da má alocação de recursos no passado, apesar de os dados serem públicos no site do BNDES.

Montezano disse que ainda não tem um posicionamento sobre a “caixa-preta”, mas que é notória a “nuvem cinza” em cima da instituição por conta de críticas a práticas irregulares. “Essa imagem do banco é extremamente questionada. É criticada por uns e defendida por outros. Empresarialmente, ao assumir a instituição financeira, a primeira coisa a se fazer é o dever de casa: entender o que tem, criar sua própria visão sobre os fatos e se posicionar”, afirmou.

Cuba

Bolsonaro enfatizou, em várias ocasiões, que o BNDES aplicou recursos em Cuba e na Venezuela, por exemplo, para operações que não são de interesse do Brasil. O presidente do BNDES afirmou que está com a “cabeça extremamente aberta” sobre as informações que estão na caixa-preta e que terá o prazo para formar opinião sobre o tema. Questionado se a posição política de Bolsonaro poderia interferir na avaliação, ele disse que o trabalho será feito sem viés ideológico. “Qualquer que seja a conclusão, nós precisamos ser transparentes para a sociedade e a mídia. Se A ou B vai ficar feliz, não dá para controlar.”


Montezano traçou outras quatro metas para serem cumpridas até o fim de 2019. Uma delas é a venda de ações aplicadas pelo BNDES na Bolsa de Valores. De acordo com ele, não é função do banco investir em papéis especulativos que não dão retorno à sociedade. O BNDES tem uma carteira de títulos de empresas em torno de R$ 110 bilhões. “Quando se constrói uma estrutura de saneamento e produz receita, quem fez o investimento terá lucro, mas as famílias também terão menos doenças. Esse retorno é incomparavelmente maior do que investimentos na Bolsa”, completou, sem dar prazo para os desinvestimentos. Na carteira do BNDES estão R$ 45 bilhões na Petrobras, R$ 17 bilhões na Vale, R$ 11 bilhões na Fibria, R$ 7 bilhões na JBS e R$ 6 bilhões na Eletrobras.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, indicou Gustavo Montezano para o cargo para ajudar na agenda de privatizações, que ganhará celeridade no segundo semestre. O recém-empossado explicou que o banco funcionará como uma “consultoria” para coordenar a desestatização. “Vamos usar o corpo técnico na modelagem financeira das privatizações e para estruturar concessões”, disse. Montezano foi secretário-adjunto de Desestatização, cargo abaixo de Salim Mattar, titular da secretaria.

Sobre a atuação no mercado, Montezano disse que o banco vai reduzir os empréstimos para cerca de R$ 70 bilhões por ano. Em anos anteriores, foram operacionalizados entre R$ 150 bilhões e R$ 200 bilhões. O BNDES também continuará a devolver recursos ao Tesouro. Neste ano, já foram pagos quase R$ 40 bilhões. O banco pretende enviar mais R$ 86 bilhões até o fim de 2019. Ainda restará um passivo de R$ 150 bilhões, que deve ser devolvido até o fim de 2022.

Metas

Gustavo Montezano elencou cinco objetivos para cumprir até o fim de 2019:

» Abrir a caixa-preta do BNDES em até dois meses;

» Ter um plano para acelerar a venda de ações na Bolsa de Valores para aplicar recursos em áreas prioritárias para o social, como saneamento;

» Continuar a devolução de recursos emprestados ao banco durante os anos 2008 e 2014 para estimular a economia. Serão R$ 126 bilhões pagos em 2019;

» Apresentar para o governo e a sociedade um plano trianual com mudança de viés econômicos e que traga metas claras, além de definir orçamentos;

» Melhorar de forma substancial a prestação de serviço e se tornar a assessoria financeira do Estado brasileiro e de entes da Federação;

Fonte: presidente do BNDES

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