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Correio Braziliense

PIB do Brasil sofre o maior corte nas projeções do FMI

Fundo reduz de 2,1% para 0,8% a expectativa de expansão da economia brasileira, devido ao ''considerável enfraquecimento da confiança''


postado em 23/07/2019 12:51 / atualizado em 23/07/2019 20:38

(foto: Kleber Sales/CB/D.A Press)
(foto: Kleber Sales/CB/D.A Press)
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu de 2,1% para 0,8% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2019, devido ao “considerável enfraquecimento da confiança”. Esse corte, de 1,3 ponto percentual, anunciado nesta nesta terça-feira (23/07), foi o maior entre os países que constam da atualização do Panorama Econômico Global (WEO, na sigla em inglês), divulgado em abril, quando o ocorreu o encontro de primavera (no Hemisfério Norte, em Washington, com ministros dos 189 países membros da entidade. 

O novo dado sobre o Brasil do Fundo, que costuma ser otimista em relação aos dados oficias, ficou em linha com a expectativa de crescimento da equipe econômica liderada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, de 0,8%. Contudo, está levemente abaixo da mediana do mercado computada pelo boletim semanal Focus, do Banco Central, de 0,82%. Após 20 semanas de queda, foi corrigida ontem para cima em 0,1 ponto percentual, em meio à expectativa das novas regras dos saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para dar algum estímulo na economia.

O organismo multilateral reduziu de 1,4% para 0,6% a expectativa de crescimento na América Latina neste ano e destacou que "a atividade desacelerou notavelmente em o começo do ano em várias economias".A redução considerável na revisão de 2019 reflete forte redução para o Brasil (onde a confiança enfraqueceu consideravelmente como a incerteza que persiste sobre a aprovação da reforma da Previdência e de outras reformas estruturais) e para o México (onde o investimento continua fraco e consumo privado diminuiu, refletindo incerteza política, enfraquecimento da confiança e custos crescentes de empréstimos, que podem subir seguindo ainda mais o recente rebaixamento do rating soberano)”, destacou o documento. 

O Fundo desenhou um cenário pouco favorável na região latino-americana, com “um desempenho mais fraco do que o esperado” da Argentina, “a profunda crise humanitária na Venezuela” que deve fazer a economia daquele país “encolher 35% em 2019”, e a queda na revisão de expansão do Chile “após um desempenho mais fraco do que o previsto”.

A estimativa de expansão em 2020 do PIB brasileiro também foi ceifada pelo FMI. Passou de 2,5% para 2,4%. Essa taxa é levemente acima da média do PIB latino-americano no mesmo intervalo, de 2,3%, dado 0,1 ponto percentual abaixo da previsão anterior. 

Mundo e Brics crescerão menos

O crescimento global “permanece moderado”, segundo o relatório, que reduziu as taxas de expansão mundial de 3,3% para 3,2%, neste ano, e de 3,6% para 3,5%, no próximo ano. “Os Estados Unidos aumentaram ainda mais as tarifas sobre importações chinesas e a China retaliou com impostos sobre um subconjunto de importações dos EUA. Escalonamento adicional foi evitado após a cúpula do G-20 (grupo das maiores economias desenvolvidas e emergentes do planeta mais a União Europeia) de junho”, destacou o Fundo, que elevou de 1,8% para 1,9% a previsão de crescimento do PIB norte-americano.

Os demais países do Brics ( bloco dos emergentes Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) também tiveram redução em suas previsões de crescimento de seus respectivos PIBs em comparação com os dados de abril do Fundo. 

A África do Sul teve o segundo maior corte na previsão deste ano, de 0,5 ponto percentual, passando de 1,2% para 0,7%. Na sequência, a Rússia, cuja taxa passou de 1,6% para 1,2%. A expansão da Índia ficou em 7%, 0,3 ponto percentual abaixo da anterior, de 7,3%. A taxa do PIB da China teve o menor corte, de 0,1 ponto percentual, para 6,2%.

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