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Correio Braziliense

Apesar de bom resultado em junho, criação de empregos no Brasil não decolou

Criação de postos de trabalho em junho é a maior em seis anos. Especialistas consideram que recuperação ainda é fraca, mas acreditam que haverá melhora no segundo semestre com a liberação de saques do FGTS e PIS/Pasep


postado em 26/07/2019 06:00

Bruno Dalcolmo diz que a partir da MP do FGTS haverá redução da rotatividade no mercado(foto: Jose Cruz/Agencia Brasil)
Bruno Dalcolmo diz que a partir da MP do FGTS haverá redução da rotatividade no mercado (foto: Jose Cruz/Agencia Brasil)
O mercado de trabalho se recupera em linha com a atividade econômica, que está praticamente estagnada. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de junho mostrou que houve a geração de 48,4 mil empregos formais, o que representa o melhor resultado para o mês em seis anos. No primeiro semestre, foram abertas 408.500 vagas, o maior número em cinco anos. De acordo com economistas, o dado mostra que há uma retomada da carteira assinada em ritmo lento. A expectativa é de que o segundo semestre tenha mais geração de postos de trabalho.

Isso porque a economia andou de lado de janeiro a junho. No primeiro trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) recuou 0,1%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nos três meses seguintes, analistas de mercado acreditam que o índice ficará entre uma queda de 0,2% e alta de 0,2%. Ou seja, perto da estagnação.

Para o economista Hélio Zylberstajn, professor da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (USP), o resultado não é animador. “Ainda é muito fraco. O país praticamente criou o mesmo número de vagas que em 2018, quando 392 mil empregos foram gerados. A variação é muito pequena”, disse.

O economista sênior do Banco Haitong, Flavio Serrano, destacou que, mesmo que o número de criação de vagas tenha sido maior do que o esperado em junho, a dinâmica é de enfraquecimento, o que reforça a perspectiva de estagnação. “Junho foi bom, mas ainda é modesto. A recuperação da atividade econômica deve ocorrer no segundo semestre, com a liberação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que deve ter impacto positivo no consumo. O varejo, que emprega mais pessoas, pode refletir nos dados do Caged. Mas isso deve ocorrer apenas no último trimestre do ano”, declarou.

Para o secretário de Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Dalcolmo, além de injetar recursos na economia, a medida provisória do FGTS estabeleceu mudanças para diminuir a rotatividade nas empresas. “É uma medida estrutural que impactará muito positivamente a curto e a longo prazos a economia brasileira. De imediato, são liberados R$ 30 bilhões e, ao longo de 10 anos, isso vai gerar quase três milhões de novos empregos”, afirmou o secretário.

Intermitente

Seis setores tiveram resultado positivo em junho, enquanto dois tiveram fechamento de postos de trabalho. O melhor desempenho foi do de serviços, como 23 mil postos criados, já a indústria de transformação fechou 10.988 vagas.

De acordo com o Ministério da Economia, a modalidade de trabalho intermitente, criada na reforma trabalhista, teve saldo positivo de 10.177 empregos em junho, sendo 15.520 admissões e 5.343 desligamentos. O estoque de trabalhadores formais subiu para 38,82 milhões, o maior número para junho desde 2017.

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