Publicidade

Correio Braziliense

Google aposta em celulares baratos para crescer no mercado de telefonia

Novo modelo custa menos de US$ 400 e ajudou a gigante da tecnologia a melhorar os resultados da divisão de smartphones. Chinesas também focam aparelhos mais em conta


postado em 29/07/2019 06:05 / atualizado em 29/07/2019 10:29

''As vendas do segmento dobraram no segundo trimestre em relação ao período anterior'' Sundar Pichai, presidente da Google (foto: Josh Edelson/AFP)
''As vendas do segmento dobraram no segundo trimestre em relação ao período anterior'' Sundar Pichai, presidente da Google (foto: Josh Edelson/AFP)
São Paulo — O mercado de celulares é um dos mais acirrados do mundo. Nos últimos anos, a sul-coreana Samsung e a americana Apple se revezaram na liderança de vendas, mas agora as chinesas Huawei e Xiaomi ameaçam o reinado das concorrentes. Tudo indica, porém, que a disputa ficará ainda mais difícil: a Google, umas das maiores empresas do mundo, aposta alto no setor de telefonia.

De acordo com um anúncio feito a investidores pelo presidente da Google, o indiano Sundar Pichai, o celular de baixo custo Pixel 3a, que estreou nas lojas em maio, foi o principal responsável pelo resultado expressivo — e até certo ponto inesperado — alcançado pela divisão de celulares da empresa. Segundo Pichai, as vendas do segmento dobraram no segundo trimestre em relação ao período anterior, o que levou a Google a embolsar US$ 9,9 bilhões.

Diferentemente de Apple e Samsung, que focam os negócios na linha premium, a Google cresce ao explorar uma área negligenciada pelos rivais – a de aparelhos considerados baratos, que custam menos de US$ 400.

O Pixel chegou ao mercado americano em 2016, mas nunca emplacou, ficando sempre atrás dos aparelhos da Apple e da Samsung. Em 2019, a Google decidiu lançar uma versão — a Pixel 3a — com menos recursos (uma câmera frontal em vez de duas, por exemplo), mas com uma característica que mostrou ser fundamental para atrair compradores: preço baixo. Vendido por US$ 399, quase a metade do Pixel 3 tradicional, o novo modelo fez sucesso imediato nos 13 países em que está presente.

Em entrevista recente, o presidente Sundar Pichai, conhecido pelas ideias que fogem do lugar-comum, afirmou que há uma multidão, especialmente nos países emergentes, que precisa ter acesso barato a sistemas de comunicação, especialmente conexão à internet. Não à toa, o Pixel 3a foi lançado em países como Índia e Tailândia, embora não tenha chegado ao mercado brasileiro.

A Google não é a única empresa a investir em celulares mais acessíveis. A chinesa Xiaomi, quarta colocada no ranking mundial de fabricantes e cada vez mais disposta a incomodar as líderes Samsung, Huawei e Apple, também aposta nessa frente de negócios. Há alguns dias, lançou o Xiaomi Mi A3, que chamou a atenção principalmente pelo preço sugerido: 249 euros, ou um pouco mais de R$ 1 mil.

Performance

Embora a empresa não confirme, a expectativa do mercado é que a fabricante vá ainda mais longe na estratégia, lançando, no ano que vem um celular na faixa de 200 euros. A chinesa Huawei, conhecida pelas câmeras de alta resolução, também tem se dedicado a produzir aparelhos mais baratos e promete rivalizar com Google a Xiaomi na fabricação de aparelhos de custo final baixo.

O mercado parece ter percebido que exagerar nos preços pode ser uma estratégia perigosa. A Apple fez isso com a nova linha de iPhones e viu as suas vendas despencarem no mundo inteiro. No primeiro trimestre de 2019, segundo dados da consultoria IDC, as vendas globais de iPhones caíram 30,2% na comparação com o mesmo período do ano passado. Como resultado, a empresa da maçã perdeu a vice-liderança do mercado para a Huawei. O primeiro lugar continua com a Samsung, que detém 23% do mercado mundial.

A Apple lidera com folga o mercado de smartphones premium. De acordo com a empresa de pesquisas Counterpoint Research, ela é responsável por 47% das vendas de aparelhos que custam mais de US$ 400, enquanto a vice-líder Samsung fica com uma fatia de 25%. Apesar de estar na ponta, a Apple também não vem apresentando boa performance no segmento premium. Um ano atrás, sua participação era de 55%.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade