Publicidade

Correio Braziliense

Inflação baixa favorece ainda mais a queda da taxa de juros

IPCA fecha julho em 0,19%, o menor índice para o mês em cinco anos, levando o indicador a ficar mais de um ponto percentual abaixo do centro da meta anual de 4,5%. Atividade fraca é a principal responsável pelo resultado e pelas apostas de redução da Selic


postado em 09/08/2019 06:00

(foto: Kleber Sales/CB/D.A Press)
(foto: Kleber Sales/CB/D.A Press)
A inflação fraca reforça que o Banco Central (BC) deve ter mais de um corte na taxa básica Selic em 2019. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho teve variação de 0,19%, o que representa a menor taxa em cinco anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Usado para segurar a inflação, os juros já estão no patamar mais baixo da série histórica mas, segundo especialistas, ainda há espaço para reduções adicionais.

Para analistas, é certo que, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em 17 e 18 de setembro, haverá nova diminuição da Selic. A queda deverá ser de 0,5 ponto percentual, levando o índice para 5,5% anuais. O BC, porém, não deu muitos detalhes do que deve ocorrer nas outras duas reuniões deste ano. Economistas ressaltam que os fundamentos da economia mostram que o país está com dificuldades de recuperação, tanto que a inflação está fraca.

A falta de consumo das famílias reflete no IPCA, que, no acumulado de 12 meses, registrou variação de 3,22%. O centro da meta do governo para o ano é de 4,25%, mais de um ponto percentual acima. O estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus, afirmou que a inflação de julho veio abaixo do esperado e reforça que a economia não está crescendo. “O índice deixa a porta aberta para o corte de juros. Vai depender de como será o posicionamento monetário do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos). Se houver um corte de 1,5 ponto percentual nos EUA, podemos ter mais reduções aqui, chegando a 5% ao ano”, destacou.

E a inflação poderia ter sido menor se não fosse o preço da energia elétrica. O grupo habitação teve alta de 1,2% por conta do item, que encareceu 4,48% nos lares brasileiros. Em julho, passou a vigorar a bandeira tarifária amarela, que onera as contas das famílias em R$ 1,50 a cada 100 quilowatts-hora consumidos.

Marcela Rocha, economista-chefe da Claritas Investimentos, explicou que o IPCA mostrou que as altas do mês foram pontuais, mas que os núcleos de inflação — que desconsideram fatores sazonais — estão baixos, com variação de apenas 3,01% no acumulado de 12 meses. “É uma média muito baixa e indica que deve ficar em patamares próximos nos meses seguintes, carregando uma inflação baixa até o fim do ano”, disse.

De acordo com o Banco Central, o mercado financeiro espera inflação de 3,8% em 2019 e 3,9% em 2020, quando o centro da meta estará em 4%. O economista Rafael Cardoso, da Daycoval Investimentos, apontou que pressões inflacionárias, como a recente alta do dólar, não tem surtido impacto no índice de preços, já que a economia está fraca. “Acreditamos que o segundo semestre será mais tranquilo e que a liberação do saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) não será suficiente para pressionar os preços.”

Para a definição dos juros, a preocupação do BC é com o cenário externo. Após aprovação da reforma da Previdência na Câmara, a tensão comercial entre os Estados Unidos e a China é o único fator no radar da autoridade monetária para ter cautela. 

* Estagiários sob supervisão de Rozane Oliveira

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade