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Correio Braziliense

'Desinvestimento é foco onde há mais retorno', diz presidente da Petrobras

Em audiência na Comissão de Infraestrutura do Senado, Roberto Castello Branco explica a venda de ativos e a saída da estatal de alguns setores da cadeia de petróleo e gás


postado em 13/08/2019 15:05

Presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco(foto: Jane de Araújo/Agência Senado)
Presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco (foto: Jane de Araújo/Agência Senado)
Ao justificar os desinvestimentos da Petrobras e a saída da estatal de alguns setores da cadeia de petróleo e gás, o presidente da companhia, Roberto Castello Branco, destacou que o objetivo é focar a atuação nas áreas nas quais a empresa tem mais retorno e acabar com o monopólio em segmentos como distribuição, transporte e gás natural. O executivo participa, nesta terça-feira (13/8), de audiência na Comissão de Infraestrutura do Senado Federal.

“Estamos investindo no que dá mais retorno. Exploração e Produção do pré-sal dá retorno de mais de 10%”, disse. Castello Branco explicou que a companhia não tem recursos para investir em todas as áreas nas quais atua, porque tem um endividamento de US$ 101 bilhões, o maior entre as companhias petroleiras mundiais e quase duas vezes o Produto Interno Bruto (PIB) do Uruguai. “A Petrobras foi assaltada por uma organização criminosa. Isso resultou em duas crises, uma moral e outra de dívida."

“O endividamento da Petrobras é o dobro da média das suas principais concorrentes. Enquanto nossa dívida representa três vezes a geração de caixa atual, essa relação é de uma vez nas demais empresas”, comparou. Segundo ele, o pagamento de juros consome 35% de tudo o que a companhia produz. “Os nossos competidores pagam cerca de 3%”, disse.

A receita dos desinvestimentos é para pagar a dívida, explicou. “Mas não só para isso. A saída de alguns setores vai permitir que outras companhias façam investimentos que a Petrobras não faria, gerando empregos e impostos”, afirmou.

A estatal não investe porque o alto endividamento faz com que a Petrobras tenha um custo de capital superior ao de seus concorrentes, argumentou Castello Branco. “No caso do leilão de excedentes da cessão onerosa, manifestamos interesse em apenas dois dos blocos oferecidos, porque nosso custo de capital é muito alto. Seria como aplicar em poupança, não tem como ganhar”, explicou.

Gasodutos

Nos gasodutos, a taxa de retorno, segundo o presidente da Petrobras, é de 6% a 7% ao ano, menor do que os 10% da exploração e produção do pré-sal. “É uma taxa atrativa para empresas da Europa ou dos Estados Unidos, que têm custo de capital muito baixo. Não precisamos ser donos da infraestrutura, precisamos apenas dos serviços. Vamos deixar que os outros tenham o custo adequado àquele investimento”, ressaltou.

A venda de campos maduros, terrestres e em águas rasas vai criar uma indústria de pequenos e médios produtores, que poderão gerar empregos e investimentos nos estados brasileiros, conforme Castello Branco. “Nosso custo de extração no pré-sal é de US$ 6 por barril, enquanto em águas rasas é de US$ 30 e em campos terrestres, US$ 20”, comparou.

No refino, setor no qual a Petrobras tem 98% de participação, mas está se desfazendo de várias refinarias, cada barril de petróleo gera US$ 6 de caixa. “O retorno é de 5%”, disse.

O presidente da estatal também ressaltou que, internacionalmente, empresas de petróleo têm ajustado seus portfólios. “Entre 2005 e 2017, reduziram em 30% a produção de barris de petróleo e em 50% o número de refinarias”, assinalou  entre 2005 e 2017.

Segundo Castello Branco, a Petrobras vai investir US$ 100 bilhões e projeta receita entre US$ 30 bilhões e US$ 35 bilhões em desinvestimentos nos próximos cinco anos.

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