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Correio Braziliense

Empresa Sem Parar aposta em tecnologia de pagamento e amplia negócios

Sem Parar vem investindo em novos negócios, em que a tecnologia de pagamento e por tag é apenas uma das possibilidades. Hoje, a líder no setor tem 5,5 milhões de clientes


postado em 21/08/2019 06:00

"Nossa estratégia é ser muito mais do que uma empresa ligada ao pagamento de pedágio. Somos uma empresa que se posiciona como uma provedora de tecnologia digital", Fernando Yunes, CEO da Sem Parar (foto: Luis Simione/Divulgação)
São Paulo — Primeira empresa a oferecer o sistema de tag para o pagamento de pedágios, há 19 anos, a Sem Parar se tornou uma espécie de “bombril”, um sinônimo para esse tipo de serviço. Agora, a companhia, comprada em 2016 pelo grupo americano FleetCor, busca uma nova identidade com o desenvolvimento de mais áreas de atuação.

Nesta terça-feira (20/8), o CEO da empresa, Fernando Yunes, anunciou não apenas uma série de mudanças na identidade visual da marca, mas também os novos rumos que o negócio vem tomando. Em vez de uma empresa de tag de pagamento e pedágio, o objetivo é buscar novos serviços financeiros de controle de acesso ou de logística, que levem aos clientes à possibilidade de economizar tempo.

Hoje, a líder no setor conta com 5,5 milhões de clientes. O número tem muito para crescer se for levado em consideração o tamanho da frota de carros no Brasil: cerca de 40 milhões.

Mas não adianta pensar apenas em como chegar a mais donos de carros nos próximos anos. Outro aspecto avaliado pela Sem Parar e por outras empresas que estão de alguma forma ligadas à mobilidade é a mudança de comportamento, especialmente a partir da Geração Y (nascidos entre 1980 e 1990), que tem levado os consumidores a reavaliarem a necessidade de ter um carro — o que tem alavancado o crescimento de serviços de compartilhamento de veículos e aplicativos de transporte, como Uber e 99.

Se o futuro for com menos carros, é preciso ficar atento desde já a outras fontes de receita. Yunes acredita que até que haja um impacto significativo nesse mercado terão se passado muitos anos. Até porque, as pessoas vão continuar precisando de um veículo, próprio ou de terceiro, para se deslocar. “Vamos ter carros trafegando por muito tempo, mesmo que a posse diminua.”

A aproximação com a montadora Nissan reforça essa preocupação em manter um pé bem firme no mercado automotivo. Nesta terça-feira (20/8), foi anunciado que os carros da fabricante saíram da linha de produção já com os tags da Sem Parar. Os compradores terão condições especiais de pagamento da mensalidade.

Concorrência

Empresa pioneira em seu segmento, a Sem Parar tem outras prioridades atualmente, como lidar com o aumento do número de concorrentes nos últimos anos. Há, inclusive, quem não cobre mensalidade. É o caso do serviço de pedágio automático C6 Taggy, oferecido de graça —sem taxa de adesão ou mensalidade — pelo banco digital C6 Bank a seus clientes e com possibilidade de uso em 61 concessionárias do país. O valor do serviço é debitado na conta do correntista.

Para Yunes, um dos seus diferenciais é o tamanho da rede onde o Sem Parar pode ser usado como meio de pagamento. “Por sermos os primeiros, sempre estaremos dois a três passos na frente da concorrência.”

Por isso, é preciso correr atrás de inovações. Durante sete meses, usuários do Sem Parar puderam testar o pagamento do serviço de drive-thru do McDonald’s por meio da leitura do cartão. Depois do período de adaptações, a novidade se expandiu e hoje já está em 300 unidades da rede de lanchonetes. Agora, há negociações para levar o meio de pagamento para outras duas bandeiras de fast-food nos próximos meses.

Mais urbano 

O pagamento com tag no ambiente urbano, além das estradas, também já está disponível em 1.300 estacionamentos, 650 postos de combustíveis e 10 lava-rápido. Quem não precisa pagar pedágio e quer usar o tag para pagar esse tipo de serviço tem a opção de uma mensalidade mais em conta, de R$ 14,90. O serviço foi lançado há cerca de 60 dias e ganhou um nome agora, na nova campanha da empresa, passando a ser vendido como Na Cidade.

Serviço semelhante já está em fase de testes, em São Paulo, para o pagamento de contas de restaurante. Yunes também fala da possibilidade de levar a tecnologia de biometria facial e por meio de aplicativo, com o uso de smartphone, para comprar as entradas de cinema. O executivo não adianta qual será a primeira empresa nessa modalidade de pagamento, mas garante que as conversas estão avançadas.

Tecnologias 

A biometria facial começou a ser testada pela empresa em junho e substitui a leitura de tag na hora do pagamento. Com uma câmera, a imagem é captada em uma espécie de tela, criptografada e armazenada pela empresa na nuvem. Apesar de a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) só entrar em vigor daqui a um ano, a novidade já está adequada a futura regulamentação.

Por enquanto, a solução está disponível apenas em São Paulo, mas será levada a outras regiões do país. Em um shopping da capital paulista, o cliente do Sem Parar que usa o serviço de manobrista pode passar pelo equipamento de pagamento, fazer o escaneamento de seu rosto e um aviso será emitido para que um funcionário busque o carro e o leve até seu dono, sem a necessidade de esperar o trajeto de ida e volta do manobrista.

Novos usos 

Outra frente de desenvolvimento de novos negócios é o controle de acesso a condomínios residenciais. Quatro deles, em São Paulo e Barueri (Grande São Paulo), já estão usando o sistema de tag entre seus moradores. O acessório é distribuído sem custo para os condôminos, que têm seus dados previamente cadastrados pela administradora do residencial. Só entra quem estiver utilizando no veículo o controle por tag.

Sistema semelhante é usado para controlar o acesso de carro de pais de alunos ao colégio Porto Seguro, na Zona Sul de São Paulo. Yunes acredita que seja possível crescer muito nessa frente de negócio. “Nossa estratégia é ser muito mais do que uma empresa ligada ao pagamento de pedágio. Somos uma empresa que se posiciona como uma provedora de tecnologia digital”, diz.

Segundo Pedro Donda, ex-CEO e consultor da controladora FleetCor, uma outra frente de desenvolvimento de novos serviços está sendo testada por uma distribuidora de medicamentos para que a empresa possa usar as informações sobre deslocamento e localização da frota na definição de planos de logística.

Essas novas áreas de negócios mostram que a Sem Parar quer avançar não só como fintech, ao desenvolver novas soluções para meios de pagamento, mas também em serviços que dependam da captação e análise de dados. “Há quem nos classifique como uma fintech e até nos chame de primeiro unicórnio brasileiro, já que quando fomos vendidos o valor do negócio chegou a US$ 1,040 bilhão”, explica o CEO. Para ser classificada como unicórnio, uma startup deve ter valor de mercado a partir de US$ 1 bilhão.

Com todas essas áreas de atuação, Yunes acredita que conseguirá levar a solução para um problema que atormenta cada vez mais as pessoas: a falta de tempo. Segundo o CEO, um motorista que pega estrada todo final de semana chega a perder 10 horas por mês em filas de pedágio.
No caso de pagamento por tag em postos de combustível, conta o executivo, há uma vantagem adicional. Pesquisa feita pela Sem Parar mostra que as mulheres, em sua maioria, se sentem inseguras quando têm de descer do veículo para ir até o caixa fazer o pagamento, seja por questões pessoais ou familiares (como o fato de deixar os filhos sozinhos no carro).

Ganho no relógio 

Mas talvez o ganho mais comemorado por quem usa tecnologias como o tag é o fato de reduzir o tempo em toda a operação. De acordo com Yunes, 50% do tempo que se leva ao entrar em um posto tem a ver com o pagamento do combustível. Donda reforça o propósito. “Estamos fazendo o possível para dar mais tempo para as pessoas."

Apesar de boa parte dessas mudanças ainda estarem em fase de implementação, a operação da Sem Parar é a que mais tem crescido entre todos os investimentos da FleetCor. A empresa não abre seus números no mercado brasileiro, mas, segundo os dados mais recentes publicados pela controladora na bolsa americana, a receita no país já representa em torno de 17% do total gerado pela companhia. “O dono quer crescimento e tem investido para chegar a essa realidade”, garante o CEO.

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