Publicidade

Correio Braziliense

Amazônia e guerra comercial China-EUA derrubam a bolsa; dólar sobe

Além da questão ambiental na Amazônia, mercado reflete o acirramento da guerra comercial entre Estados Unidos e China, que anunciaram taxação maior aos produtos de cada país. Ibovespa cai ao menor patamar desde 17 de junho: 97.667


postado em 24/08/2019 07:00

(foto: Anderson Araújo/CB/D.A Press )
(foto: Anderson Araújo/CB/D.A Press )
O acirramento nas relações comerciais entre China e Estados Unidos, com ambos os países anunciando medidas para elevar as tarifas de importação, causou reflexos em diversos mercados internacionais, sobretudo no brasileiro. Nesta sexta-feira (23/8), o dólar fechou o dia com a maior cotação do ano, terminando a sessão com alta de 1,14%, a R$ 4,125. Além disso, o Ibovespa, principal indicador da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), voltou a ficar abaixo da marca de 100 mil pontos, ao recuar 2,34% e atingir 97.667 pontos, menor patamar desde 17 de junho.

Pequim anunciou que pretende aplicar tarifas retaliatórias de cerca de US$ 75 bilhões em produtos dos Estados Unidos. Em resposta, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou taxação extra a partir de 1º de setembro.

O estrategista chefe da RB Investimentos, Daniel Linger, enfatiza o reflexo da tratativa da guerra comercial na bolsa e no câmbio. “Não é um tema recente, vem assustando o mercado e tivemos novos capítulos que aqueceram as tratativas. No Brasil, o impacto vem sempre quando a guerra é acirrada. Na parede, também está o Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA), com o aumento da perspectiva de que vai ser necessária uma política monetária mais enfática na taxa de juros”, analisou.

Com a disparada da moeda americana, o Banco Central agiu rapidamente. Entre 2 e 27 de setembro, a autoridade monetária vai trocar US$ 11,6 bilhões de contratos de swap (venda de dólares no mercado futuro) em circulação por recursos das reservas externas. Nesta semana, o BC já havia começado a vender até US$ 550 milhões por dia das reservas internacionais para segurar o câmbio. As operações são feitas de forma conjugada com swaps cambiais reversos (compra de dólares no mercado futuro) no mesmo valor, para manter a posição cambial da autoridade monetária.

“Ao final do período de execução dessa rolagem, objetiva-se que todo o estoque vencendo em 1º de novembro de 2019 seja rolado ou trocado por dólares à vista, portanto sem afetar a posição cambial líquida do BC. A troca de instrumentos ocorrerá conforme a demanda dos agentes pelos diferentes instrumentos, por meio de leilões competitivos”, detalhou o banco, em nota à imprensa.

Mais explicações

Para o estrategista da ALL Investimentos, Henrique Bousquat, “esse novo foco na disputa causou um movimento de aumento de risco nos mercados”. “A cada passo da guerra, as duas potências propõem medidas e voltam atrás em função das negociações. A guerra de retórica causa um impacto grande. Além do dólar, o mercado de juros futuros reagiu de forma nervosa, subindo mesmo com movimento de queda da Selic”, analisou.

Apesar da tensão internacional, a crise na Floresta Amazônica, com líderes de países europeus fechando o cerco contra o governo brasileiro e colocando em xeque o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, também impactaram nos resultados desta sexta-feira (23/8), lembrou o estrategista chefe da RB investimentos, Daniel Linger.

“A maneira com que os presidentes da Alemanha, França e Irlanda se manifestaram coloca em questão a falta de diplomacia do governo brasileiro em relação a esse assunto. Não vieram de uma hora para outra as ameaças de que o acordo entre Mercosul está em xeque em função da questão ambiental nem a falta de diplomacia para abrir esse diálogo. Continua em uma disputa de força”, disse.

Para o diretor da corretora Mirae Asset, Pablo Spyer, o atraso da tramitação da reforma da Previdência no Congresso Nacional também contribuiu para a alta do dólar. O relator da reforma na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Tasso Jereissati (PSDB-CE), disse que não conseguiria protocolar seu parecer sobre o projeto nesta sexta-feira (23/8), como era planejado. “Ninguém está precificando, achando que não é relevante, mas é. O que interessa para o Brasil, e internamente é a coisa mais importante, é a velocidade na aprovação da reforma da Previdência”, ressaltou.

* Estagiária sob supervisão de Rozane Oliveira

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade