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Correio Braziliense

Gastos com segurança no comércio cresceram 331% nos últimos dez anos

Dados foram divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) nesta sexta-feira (6/9)


postado em 06/09/2019 19:03 / atualizado em 06/09/2019 19:53

O economista da CNC Fábio Bentes, responsável pela realização da pesquisa (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press.)
O economista da CNC Fábio Bentes, responsável pela realização da pesquisa (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press.)
Nos últimos anos, o crescimento da violência influenciou mudanças em diversos setores da sociedade. No comércio varejista, por exemplo, os gastos com segurança cresceram 331% nos últimos 10 anos. O número supera o percentual de aumento de vendas do setor no mesmo período, que foi de 245%. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (6/7) por uma pesquisa feita pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
 
A boa notícia revelada pelo estudo é que os quatros estados analisados — São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul — registraram quedas no prejuízo causado por roubos de cargas e roubos a estabelecimentos comerciais em relação ao 1º semestre de 2018. O prejuízo de São Paulo, estado que mais sofre com os roubos entre os quatro, diminuiu em 18%. No Rio de Janeiro, a queda foi de 22%, em Minas, 32%, e no Rio Grande do Sul, 26%. 

Apesar da retração do prejuízo, o economista da CNC Fábio Bentes, responsável pela realização da pesquisa, afirma que o número ainda é alto para o setor do comércio. “Medidas de coordenação entre as forças de segurança estão surtindo efeito no sentido de reduzir esse tipo de crime. Olhamos de forma positiva, mas se a gente contextualizar isso esse prejuízo ainda é muito grande”, avalia. Juntos, os quatro estados analisados somaram R$ 7,61 bilhões de prejuízo apenas no primeiro semestre do ano. 

O economista afirma que o consumidor também é atingido diretamente pelo problema. No Rio de Janeiro, o aumento de 1% no número de ocorrências envolvendo o comércio implica em um aumento médio de 0,34% nos preços. “Com isso, percebemos que a criminalidade que afeta o comércio não é só um problema social, é um problema econômico, porque gera custo para o comércio e até mesmo para o consumidor”, explica.
 
Para atenuar a violência e diminuir os prejuízos, os empreendedores optam por contratar empresas privadas de segurança ou seguros melhores para as lojas, mas dessa forma também desembolsam mais dinheiro. “Você corrige um problema, mas tem que incorrer a serviços privados de segurança. Logo, isso vai influenciar no preço dos produtos vendidos”, afirma.  

Mudança na forma de empreender 

A violência afeta até mesmo na maneira das empresas de empreender. “Algumas desistem mesmo de empreender por causa do custo de operação, que está mais alto. Isso acaba sendo um obstáculo adicional”, indica. Outras empresas pensam duas vezes antes de abrir uma loja física e preferem investir no universo online. “O online emprega muito menos gente do que loja física”, lembra o economista. 

Ainda de acordo com a pesquisa, o método de abordagem mais usado para o roubo é o assalto com ameaça ao condutor e os produtos mais roubados são, respectivamente, alimentos e bebidas, combustíveis, eletrônicos, cigarros e medicamentos.

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