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Correio Braziliense

Contra privatização, Correios decretam greve em todo o país

A categoria é contra a venda da estatal, que foi incluída no plano de privatizações do governo no mês passado


postado em 11/09/2019 14:30 / atualizado em 11/09/2019 17:25

Funcionários dos Correios decretam greve sem tempo determinado (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)
Funcionários dos Correios decretam greve sem tempo determinado (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)
Os funcionários dos Correios decretaram greve sem tempo definido em todo o país. A categoria protesta, principalmente, contra a privatização da estatal e a redução de salários e benefícios. A decisão de parar surgiu após a estatal rejeitar mediação feita pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) com funcionários.

Segundo nota divulgada no site da Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect), "a decisão foi uma exigência para defender os direitos conquistados em anos de lutas, os salários, os empregos, a estatal pública e o sustento da família". 

Os trabalhadores exigem que o reajuste salarial de 0,8% seja reconsiderado, assim como a remoção de pais e mães do plano de saúde como dependentes, melhores condições de trabalho e outros benefícios. Segundo Amanda Corcino, presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos de Brasília (SINTECT), a empresa quer retirar também vales alimentação e refeição.

A categoria é contra a privatização da estatal, que foi incluída no plano de privatizações do governo no mês passado. De acordo com Amanda, a medida afeta os trabalhadores e a população, pois, cidades mais isoladas não vão ter acesso ao serviço postal por não gerarem receita. “Hoje, 324 cidades dão lucro para os Correios, que mantém o serviço em todo o país, mais de 5 mil municípios. É direito da população, está na Constituição. Se não houver o monopólio, as empresas privadas não vão agir da mesma forma.”

Prejuízo

Em nota divulgada no site dos Correios, o presidente da instituição, Floriano Peixoto Vieira, anunciou que a estatal detém de prejuízo acumulado de quase R$ 3 milhões, resultado da crise econômica do país, da diminuição do envio de cartas, “de gestões temerárias e da corrupção (Postalis)”. Segundo a nota, o Acordo Coletivo 2019/2020, que trata os interesses da estatal e dos funcionários, foi negociado “a princípio, diretamente com os representantes dos trabalhadores e, posteriormente, contando com a mediação do TST.” 

Segundo o documento, é necessário que sejam realizadas ações emergenciais para saldar o débito acumulado pela empresa e gerar fluxo de caixa. “As propostas de acordo apresentadas pela empresa se fundamentam em estudos elaborados com base no cenário atual, ou seja, considerando as possibilidades financeiras e os altos custos operacionais para manter sua competitividade”, explica o presidente. “É preciso que todos ajam com responsabilidade e engajem seus esforços para que os Correios recuperem as suas finanças e preservem seus valores. Não podemos parar agora.”

Presente em 5.570 municípios brasileiros, os Correios possuem o monopólio dos serviços postais de correspondência desde sua fundação, em 1969. Sem utilização de recursos do Tesouro Nacional, a estatal se mantém por meio de renda gerada por atividades próprias e pela oferta de serviços de logística integrada e de correspondente financeiro. São entregues pela empresa mais de 1 milhão de encomendas em todo o país, diariamente. 

*Estagiária sob a supervisão de Vinicius Nader

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