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Correio Braziliense

Preço do petróleo dispara após ataques de drones na Arábia Saudita

Na abertura do mercado, a cotação do barril disparou quase 20% em Londres, a maior alta em uma sessão desde a guerra do Golfo em 1991


postado em 16/09/2019 08:41 / atualizado em 16/09/2019 10:07

Ataques de drones provocaram incêndios em duas instalações de petróleo da Saudi Aramco(foto: AFP)
Ataques de drones provocaram incêndios em duas instalações de petróleo da Saudi Aramco (foto: AFP)
Londres, Reino Unido — O preço do petróleo disparou, nesta segunda-feira (16/9), em Londres, após os ataques contra infraestruturas petroleiras na Arábia Saudita, que provocaram a redução à metade da produção do maior exportador mundial e acentuaram os temores de uma escalada militar entre Estados Unidos e Irã.

 

Às 11h45 GMT (8h45 de Brasília), o barril de Brent do Mar do Norte para entrega em novembro registrava alta de 10,58% na comparação com sexta-feira, a 66,59 dólares no Intercontinental Exchange de Londres. Ao mesmo tempo, o barril de "light sweet crude" (WTI) para o contrato de outubro subia 9,74%, a 60,21 dólares, no New York Mercantile Exchange.

 

Na abertura do mercado, a cotação do barril disparou quase 20% em Londres, a maior alta em uma sessão desde a guerra do Golfo em 1991. Na opinião de Ipek Ozkardeskaya, analista do London Capital Group, os ataques com drones, de sábado (14/9), que provocaram incêndios nas unidades sauditas de Jurais e de Abqaiq, a maior do mundo dedicada ao processamento de petróleo, são a "maior perturbação pontual da oferta de petróleo de toda história".

 

"O ataque anulou quase metade da produção saudita, ou seja, 5% da produção mundial, o que evidencia a vulnerabilidade destas infraestruturas aos ataques com drones", destacou Craig Erlam, da corretora Oanda. As autoridades sauditas anunciaram que os ataques não deixaram vítimas, mas não informaram quanto tempo será necessário para restabelecer plenamente a produção. Segundo analistas, isso pode levar várias semanas.

 

Os preços do petróleo estavam relativamente reduzidos nos últimos meses, uma consequência das reservas abundantes e dos temores de desaceleração da economia mundial, fatores que afetavam a demanda. A Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) chegou a estabelecer limites de produção para tentar manter a faixa de preço.

 

Os ataques demonstram a vulnerabilidade do país com maior capacidade de produção mundial, aponta o analista Amarpreet Singh, do Barclays.

 

Pedidos de moderação

Embora não exista uma ameaça iminente de escassez de petróleo, a reação dos mercados demonstra o temor de uma escalada militar entre Estados Unidos e Irã após as acusações de Washington a Teerã pelos ataques. Os bombardeios foram reivindicados por rebeldes huthis do Iêmen, que enfrentam há cinco anos uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita e contam com o apoio do Irã.

 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que está disposto a responder aos ataques. Nesta segunda-feira, Rússia, China e União Europeia (UE) pediram moderação. "Na ausência de uma investigação incontestável que permita tirar conclusões, talvez não seja sensato imaginar quem deve ser responsabilizado por este ataque", afirmou Hua Chunying, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China.

 

"Pedimos às partes envolvidas que se abstenham de adotar medidas que levariam a uma escalada das tensões na região", declarou. "Esperamos que as duas partes possam demonstrar moderação e, juntas, preservem a paz e a estabilidade no Oriente Médio", completou Hua.

 

A Rússia, que como a China é membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, pediu a "todos os países que se abstenham de qualquer ação, ou conclusão apressada, que possa agravar a situação". O ataque "constitui uma ameaça real para a segurança regional", afirmou a porta-voz da diplomacia europeia, Maja Kocijancic, que também defendeu "máxima moderação".

 

A tensão entre Estados Unidos e Irã aumentou desde que Washington abandonou de maneira unilateral, em 2018, o acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano assinado em 2015. O governo americano restabeleceu sanções econômicas contra Teerã.

 

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, afirmou no sábado que não há provas de que o ataque tenha procedido do Iêmen, apontando diretamente para o Irã, e acrescentou que Washington "trabalhará" com seus parceiros para garantir o abastecimento.

 

O porta-voz do Ministério iraniano das Relações Exteriores, Abbas Mussavi, respondeu no domingo que as acusações eram "insensatas" e "incompreensíveis", que buscavam apenas justificar "futuras ações" contra o Irã. O príncipe herdeiro saudita, Mohamed bin Salman, cujo país é o grande rival regional do Irã, assegurou que Riad está "disposto e capacitado" a responder a esta "agressão terrorista".

 

"As tensões no Oriente Médio aumentam com rapidez, o que significa que este caso continuará dando o que falar durante a semana, além do momento de pânico desta manhã nos mercados de petróleo", destacou Jeffrey Halley, analista da Oanda.

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