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Correio Braziliense

Gasolina sobe nas bombas do DF antes de Petrobras anunciar reajuste

Ataques a instalações na Arábia Saudita levam barril de petróleo a mais de US$ 70 durante o dia. Petrobras, no entanto, ainda não anunciou alta, à espera da liberação dos estoques dos EUA. Nos postos do DF, o litro do combustível chega a R$ 4,45


postado em 17/09/2019 06:00

Preços que estavam contidos pela concorrência foram liberados sem que a Petrobras aumentasse o valor (foto: Gabriel Pinheiro/Esp. CB/D.A Press)
Preços que estavam contidos pela concorrência foram liberados sem que a Petrobras aumentasse o valor (foto: Gabriel Pinheiro/Esp. CB/D.A Press)
A Petrobras nem anunciou qual será o posicionamento da empresa diante da disparada do barril de petróleo, após ataques a instalações da Saudi Aramco, na Arábia Saudita, no fim de semana, mas os postos do Distrito Federal já reajustaram o preço da gasolina nas bombas. Nesta segunda-feira (16/9), o litro do combustível podia ser encontrado a até R$ 4,45. Embora a estatal tenha preferido não se manifestar, não promoveu nenhum aumento nas refinarias. A companhia, segundo analistas, vai esperar passar o nervosismo do mercado antes de tomar alguma decisão.

A cotação do petróleo disparou 20% nos mercados internacionais depois dos atentados, que fizeram a produção de 5,7 milhões de barris de petróleo por dia fosse interrompida na Arábia Saudita. O volume representa 6% do consumo diário do combustível no mundo e 50% da produção local. Com isso, o preço do barril, que estava em torno de US$ 60 em agosto, passou a ser comercializado por US$ 72 em Londres.

Nesta segunda-feira (16/9), o barril do tipo Brent chegou a US$ 71,95 no começo da sessão, um avanço de 19,5%, maior alta intradiária desde 1991, durante a Guerra do Golfo. No fechamento, contudo, a valorização ficou em 14,6%, cotado em US$ 69,02. Se o valor permanecer nesse patamar, segundo o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), Adriano Pires, o impacto pode ser um aumento de 8% a 10% nos combustíveis derivados do petróleo no Brasil. 

A cautela da Petrobras em repassar a disparada do óleo, no entanto, se justifica. Os Estados Unidos podem liberar parte da reserva estratégica do país, o que deve derrubar os preços do barril de petróleo. Mesmo assim, a tensão internacional não se dissipou. Pelo contrário, aumentou nesta segunda-feira (16/9), após o presidente norte-americano, Donald Trump, sugerir, pelo Twitter, que o governo iraniano é o responsável pelos ataques, tese adotada também pelo porta-voz saudita, Turki Al-Malik. 

Temor

O silêncio da Petrobras é reflexo do temor de uma nova greve de caminhoneiros, avaliou Adriano Pires. A petroleira brasileira tem evitado repassar a volatilidade dos preços internacionais do petróleo para os combustíveis. Do início de agosto até agora, a empresa fez apenas três ajustes no diesel e quatro na gasolina. “O momento é de esperar a poeira baixar, para ver o nível de preço que o barril vai ficar. É preciso avaliar a retomada da Arábia Saudita, o efeito das entradas de estoques dos EUA e de outros países produtores”, disse Pires.

“Se o cenário ficar com barril entre US$ 70 e US$ 75, o combustível pode subir até 10%. Mas não é simples aumentar a gasolina no país. É uma comoção geral. E há sempre aquela ameaça de greve de caminhoneiro com alta do diesel. Vai ser uma prova de fogo para a Petrobras”, avaliou o diretor do Cbie. Se não houver repasse, isso pode afetar a rentabilidade da companhia e inviabilizar a privatização das refinarias. “Hoje (nesta segunda-feira — 16/9), o mercado está acreditando que vai ter repasse, tanto que as ações da Petrobras estão subindo. Se lá na frente o preço do barril cair e não houver aumento nas refinarias, os papéis da estatal vão se desvalorizar”, acrescentou.

De acordo com o professor Maurício Canêdo, da Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV), a Petrobras não repassará de imediato a alta de preços para o mercado doméstico, em produtos como gasolina e diesel. O motivo é a política de repasse da estatal, que transmite o preço aos revendedores no intervalo de, no mínimo, 15 dias entre as variações. “A política recente é de autonomia, ou seja, repassar o preço do mercado internacional para o doméstico. Mas não é diário, apenas se a oscilação for perene”, assegurou.

Reservas

Canêdo alertou, ainda, que o aumento do preço do petróleo é benéfico, para quem vende, ou seja para a Petrobras, que é exportadora da commodity, mas ruim para os consumidores brasileiros. “À medida que o preço do petróleo aumenta, o valor das reservas também cresce”, disse.

O coordenador do curso de Ciências Econômicas do Instituto de Ensino Superior de Brasília, Riezo Silva Almeida, explicou que, mesmo o repasse da Petrobras não sendo instantâneo, os postos de gasolina possuem autonomia para elevar os preços. “Normalmente, o ofertante prevê o aumento e tenta adiantar o lucro para manter o consumo”, explicou. Foi justamente o que ocorreu em Brasília, onde vários postos reajustaram os preços nas bombas nesta segunda-feira (16/9).

Paulo Tavares, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e de Lubrificantes do Distrito Federal (Sindicombustíveis-DF), assinalou que os postos de gasolina de Brasília não estavam repassando o preço das refinarias para o consumidor por conta de uma guerra de preços entre os estabelecimentos. Além disso, ele ressaltou que a margem de lucro dos revendedores de combustíveis é muito baixa, principalmente quando relacionada com a carga tributária do setor. “Quem estava vendendo a R$ 4,09 tem 2% de lucro por litro. Quem vende à R$ 4,40 tem 10%. É uma margem de lucro bruto muito aquém do que recomenda o próprio governo”, justificou.

Segundo Tavares, a única forma de aumentar o lucro dos revendedores e baixar o preço dos produtos é a reforma tributária. “A política tributária do Brasil é semelhante à de países que não produzem combustível. Aqui, não é interessante diminuir o imposto, porque o país perde arrecadação”, disse.

* Estagiários sob supervisão de Rozane Oliveira

  • Variação dos preços no DF (em reais)

  • Postos  /  8/8/19  /  16/9/19
    Petrobras – Posto da Lava Jato  /  3,989  /  4,319
    Petrobras – Eixo W 106 Sul  /  3,999  /  4,319
    Petrobras – Eixo W 109 Sul  /  3,999  /  4,199
    Petrobras – Eixo L 214 Sul  /  3,990  /  4,310
    Petrobras – Eixo L 212 Sul  /  3,999  /  4,319
    JarJour – Eixo L 210 Sul  /  3,989  /  4,319
    Petrobras – Eixo L 207 Sul  /  3,989  /  4,319
    PB – Eixo L 206 Sul  /  3,989  /  4,189
    Melhor – Eixo L 204 Sul  /  3,989  /  4,199
    Petrobras – Eixo L 202 Sul  /  3,989  /  4,199
    Ipiranga – Eixo L 204 Norte  /  3,999  /  4,359
    JarJour – Eixo L 206 Norte  /  3,939  /  4,319
    Petrobras – Eixo L 208 Norte  /  3,939  /  4,319
    Ipiranga – Eixo L 210 Norte  /  3,939  /  4,459
    Shell – Eixo L 212 Norte  /  3,939  /  4,419
    Petrobras – Eixo L 214 Norte  /  4,299  /  4,419
    Ipiranga – Eixo W 115 Norte  /  3,939  /  4,459
    Petrobras – Eixo W 113 Norte  /  3,939  /  4,399
    Ipiranga – Eixo W 112 Norte  /  3,939  /  4,419
    Petrobras – Eixo W 107 Norte  /  3,939  /  4,419
    Petrobras – Eixo W 103 Norte  /  3,939  /  4,409
    Petrobras – SIG Quadra 3  /  3,959  /  4,419
    Shell – SIG Quadra 3  /  3,959  /  4,419
    Garantia – EPTG  /  3,899  /  4,079
    Vtex – EPTG  /  3,897  /  4,077
    Ipiranga – EPTG  /  3,899  /  4,079
    Petrolino – Taguatinga Centro  /  3,879  /  4,069
    Nenen’s – Taguatinga Centro  /  3,950  /  4,099
    Shell – Taguatinga Centro  /  3,999 /   4,099
    Petrobras – SIA Trecho 1  /  3,899  /  4,079

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