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Correio Braziliense

Expectativa de redução dos juros anima o mercado na véspera do Copom

Mercado reage bem à possibilidade de arrefecimento da guerra comercial entre Estados Unidos e China. Anúncio de retomada da produção da Arábia Saudita reduz temor de alta da inflação e aumenta chances de queda nos juros pelo BC e pelo Fed


postado em 18/09/2019 06:00

(foto: AFP PHOTO/VANDERLEI ALMEIDA)
(foto: AFP PHOTO/VANDERLEI ALMEIDA)
O Ibovespa, principal índice na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), fechou em seu maior patamar desde julho, com alta de 0,9% a 104.616 pontos. Os ganhos foram registrados após declarações do presidente americano, Donald Trump, de que o acordo da guerra comercial com a China pode sair em breve, e também pela expectativa de corte de juros nos Estados Unidos e no Brasil, para estimular a economia. No mercado de câmbio, o dia foi de muita volatilidade. O dólar chegou a atingir, na máxima do dia, R$ 4,11, mas terminou em queda de 0,29%, cotado a R$ 4,077.


Após a disparada no pregão anterior, os papéis da Petrobras registraram forte queda, refletindo o recuo no valor do barril do petróleo, após a declaração do ministro de Energia da Arábia Saudita, de que a Saudi Aramco conseguirá repor a produção perdida no ataque do fim de semana mais cedo do que se esperava. O barril de petróleo, que chegou a subir 20% durante a sessão de segunda-feira, recuou em Londres e Nova York. O Brent, referência no mercado mundial, teve queda de 6,48%, depois de subir 14,6% no dia anterior — o aumento mais expressivo desde a criação deste tipo de contrato, em 1988. O barril de WTI que havia subido 14,7%, maior aumento em uma sessão desde dezembro de 2008, teve queda de 5,66%.

Segundo o estrategista da RB Investimentos, Daniel Linger, o discurso da Arábia Saudita tira a pressão inflacionária esperada pelos grandes compradores. “A questão aqui era o possível deficit e pressão inflacionária. Nos Estados Unidos e em outros países determinantes, a alta do petróleo poderia influenciar na inflação e alterar dinâmica de comitês de política monetária com ações mais expansionistas, como na Europa”, explicou.

Expectativas

Mas, se a retração do valor do petróleo no mercado internacional reduziu temores de aumento da carestia e de necessidade de mudança na política monetária, os olhos dos investidores hoje se voltam para a Superquarta, dia em que Brasil e Estados Unidos decidem sobre taxa de juros. A expectativa dos analistas é de que tanto o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, como o Federal Reserve (Fed) reduzam os juros. A previsão é de que, no Brasil, a Selic caia de 6% para 5,5%; e nos EUA a taxa, que está em 2,25%, seja zerada ou fique negativa, como na Zona do Euro. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 registrou queda de oito pontos base, a 5,2%, enquanto o DI para janeiro de 2023 recuou 17 pontos base, a 6,2%.

No cenário internacional, o otimismo do mercado está alto a espera do início de negociações entre norte-americanos e chineses para pôr fim a guerra comercial entre os dois países, que, segundo informou Trump a jornalistas, ocorrerá amanhã, em Washington.O presidente dos EUA sinalizou que o acordo pode ser fechado antes das eleições presidenciais, e afirmou que se o acordo vier após as eleições será em termos piores para Pequim do que se fosse alcançado agora. Segundo Trump, a China acredita em sua reeleição, mas as autoridades chinesas prefeririam lidar com outra pessoa.

“O discurso do Trump mostra um avanço nas negociações e toda vez que se tem notícia positiva sobre a guerra comercial, reflete bem no mercado. Sobretudo porque o mês de agosto foi muito turbulento. Isso mostra que abriu novamente um canal de conversas. Integrantes do Ministério do Comércio chinês estarão em Washington e, apesar de não ter nada concreto, sinaliza que está caminhando”, ressalta Linger.

Para o economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito, ainda é preciso ter cautela. “A questão do acordo é absolutamente erradica, não dá para confirmar ou imaginar como será consequentemente, e o mercado fica sempre refém”, afirma.

* Estagiária sob supervisão de Rozane Oliveira 

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