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Correio Braziliense

Copom decide por nova redução da Selic, para 5,5% ao ano

De acordo com a nota divulgada pelo comitê, os indicadores de atividade econômica divulgados desde a reunião anterior sugerem retomada do processo de recuperação da economia brasileira


postado em 18/09/2019 18:35 / atualizado em 18/09/2019 20:33

(foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)
(foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)
Em linha com a atual política monetária de vários países, que têm adotado medidas de estímulo à economia, o comitê de Política Monetária, do Banco Central, e o Federal Reserve (FED), que é o banco central dos Estados Unidos, confirmaram as expectativas de mercado e decidiram baixar, novamente, a taxa básica de juros das respectivas economias. Por unanimidade, o Copom reduziu a Selic de 6% ao ano para 5,5%. Já o comitê de política monetária americano (FOMC) se dividiu. Três dos dez membros foram contra a redução dos juros de 2% ao ano para 1,75%.

A super quarta, como o duplo corte na taxa de juros é conhecido no Brasil, já era esperada pelo mercado. “O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e balanço de riscos para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta, no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui o ano-calendário de 2020”, diz a nota divulgada ontem pelo Banco Central.

Para Ivo Chermont, economista chefe da Quantitas, o plano de vôo do Copom é promover uma nova baixa de 0,50 pontos percentuais na próxima reunião, em novembro. “Dado o quadro em todos os cenários, sem nenhuma previsão de choque, a previsão é de nova redução, mesmo se o dólar se mantiver no patamar acima de R$ 4,00,  como mostra a nota do Copom, disse.

“No cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do Copom situam-se em torno de 3,3% para 2019 e 3,6% para 2020. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2019 em 5,00% a.a. e permanece nesse patamar até o final de 2020. Também supõe trajetória para a taxa de câmbio que termina 2019 em R$/US$ 3,90 e permanece nesse patamar até o final de 2020. No cenário com juros constantes a 6,00% a.a. e taxa de câmbio constante a R$/US$ 4,05, as projeções situam-se em torno de 3,4% para 2019 e 3,6% para 2020. O cenário híbrido com taxa de câmbio constante e trajetória de juros da pesquisa Focus implica inflação em torno de 3,4% para 2019 e 3,8% para 2020”, segue nota

Patamar histórico


Desde julho, quando o Copom reduziu a Selic de 6,5% para 6%, a taxa básica de juros da economia brasileira é a menor da série histórica do Banco Central, que começou em 1986. A Selic serve como referência para as demais taxas cobradas no mercado. O corte de ontem, para 5%, refletiu no mercado. O banco Itaú anunciou o repasse integral da redução de 0,50 ponto percentual, para 5,5% ao ano, para os empréstimos do banco.

Segundo a instituição financeira, para pessoa física, a redução será no empréstimo pessoal e, no caso de pessoa jurídica, no capital de giro. A taxa mínima da linha de crédito imobiliário passa a ser de 8,1% mais TR, e não a partir de 8,3% mais TR.

“O objetivo da redução dos juros é que as pessoas consumam mais, para estimular a economia. A ideia é que o custo oportunidade de manter o dinheiro investido não esteja tão atrativo”, disse o coordenador do curso de economia do Iesb, em Brasília, Riezo Almeida.

Na avaliação do professor, a redução dos juros nos Estados Unidos, divulgada antes da decisão o Copom, ajuda na tomada de decisão no Brasil, pois evita que investidores retirem recursos do Brasil para aplicar no mercado americano. Para ele, com o avanço na tramitação da reforma da Previdência, a confiança no Brasil aumenta e não é preciso oferecer juros tão altos para manter investidores.

Dívida Pública


Ele lembra que outro efeito da redução dos juros é que o governo vai gastar menos para pagar os juros da dívida pública, que contrai por meio da emissão de títulos, com pagamento de prêmios com base na taxa Selic, com o objetivo de financiar o deficit nas contas públicas. “O mais importante, porém, é estimular o consumo, pois no caso da dívida,, na realidade, o governo tira de uma mão para outra, já que o dinheiro vem da mesma fonte, ou seja, dos impostos pago pelas pessoas para o orçamento público”, afirma. Com a redução no gasto com pagamento de juros, sobra mais recursos para o governo usar em investimentos ou políticas públicas.

Federal Reserve - É segunda vez que o FED baixa os juros este ano. Em julho, o comitê da política  monetária americana já tinha reduzido os juros em 0,25%, pelo primeira vez desde 2008.

A nota do comitê de política monetária americano divulgada hoje, que justifica a decisão, cita o desenvolvimento da economia global e a fraca pressão inflacionárias, mas afirma que a economia norte-americana “cresce em um ritmo moderado, enquanto o mercado de trabalho continua forte".O grupo que decide a política monetária da maior economia do mundo, vê panorama de incertezas.

Compõem o cenário a guerra comercial com China e a recente crise do petróleo, depois dos ataques às instalações de petróleo na Arábia Saudita, no último sábado, o que provocou um pico, parcialmente revertido, no preço mundial do barril do petróleo.

Embora defendesse a redução dos juros, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou a decisão no Twitter, já que defende que o banco central dê estímulos adicionais à economia e promova uma redução mais agressiva da taxa de juros, como na zona do Euro, por exemplo, onde os juros foram zerados.

Antes de anunciar o corte dos juros, o FED também divulgou medidas de intervenção no mercado, pela primeira vez desde a crise de 2008, com a compra de ativos. O objetivo foi evitar forte aumento nos empréstimos de curto prazo. Na terça-feira, o Fed de Nova York gastou US$ 53 bilhões para aumentar a liquidez do mercado monetário.

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