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Correio Braziliense

Mercado trabalha com taxa de juros abaixo de 5% até o fim do ano

Especialistas apostam em Selic de até a 4,25% em 2019, com possibilidade de taxas negativas em aplicações conservadoras. Bolsa abre em alta, mas recua com possibilidade de acirramento da guerra comercial entre Estados Unidos e China


postado em 20/09/2019 06:00

(foto: Fernando Lopes/CB/D.A Press)
(foto: Fernando Lopes/CB/D.A Press)
Ao reduzir a taxa básica de juros (Selic) de 6% para 5,5%, o menor patamar da história, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, sinalizou que a porta para novos cortes está aberta, o que animou o mercado nesta quinta-feira (19/9). Em meio ao cenário econômico com inflação controlada, mas com baixo crescimento, economistas reduziram as projeções para a Selic no fim do ano a um patamar inferior a 5%, podendo permanecer assim ao longo de 2020. Alguns, inclusive, admitem que é possível ter juro negativo durante o processo.


A previsão para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), é de 3,45%. Logo, se o custo de vida voltar a subir por conta das pressões do câmbio, é bem possível que os juros reais (descontada a inflação) fiquem negativos. Essa possibilidade é cogitada caso as previsões do BNP Paribas, que estima que a Selic chegará a 4,25% no fim do ano, se concretizem.

Para o diretor da Mirae Asset, Pablo Spyer, o país está prestes a entrar em uma nova era se a Selic atingir esse patamar, com juros reais negativos. “Com a Selic a 5,5%, e se tirarmos, em média, 20% de Imposto de Renda, uma aplicação indexada a essa taxa daria 4,40%  ao ano, o que, descontado o IPCA a 3,45%, levaria o ganho real para 0,95%. Mas, se a Selic ficar em 4,40% ou abaixo disso, o Brasil entra no rol dos países com juros reais negativos. Será preciso tomar riscos para ganhar dinheiro no país”, destacou.

A Bolsa de Valores de São Paulo (B3) abriu o dia em alta e chegou a atingir 106.001 pontos, com valorização de 1,4%, mas recuou diante do aumento das tensões externas.  O clima piorou com a ameaça de os Estados Unidos elevarem as tarifas contra produtos chineses de 50% a 100%, conforme as declarações de Michael Pillsubury, conselheiro do presidente dos EUA, Donald Trump, a um jornal chinês. “A B3 arrefeceu à tarde porque as bolsas americanas caíram devido à nova ameaça tarifária contra a China”, resumiu Spyer. A bolsa paulista encerrou o dia em queda de 0,18%, a 104.339 pontos. O dólar subiu 1,44%, cotado a R$ 4,16.

Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, avaliou que o momento exige que o governo recupere a credibilidade via o ajuste fiscal, a fim de melhorar o ambiente competitivo. Para ele, se os juros ficarem negativos, será positivo para a economia. “Vai estimular os investidores mais conservadores a migrarem aplicações para outras categorias com risco maior, como o empreendedorismo. Isso vai incentivar o investimento”, disse ele, que prevê a Selic em 4,75% no fim do ano.  Agostini alertou, entretanto, que o juro negativo desestimula a aplicação em caderneta de poupança, principal fonte para o financiamento de imóveis.

Spyer, da Mirae, manteve a aposta de que os juros básicos devem encerrar o ano em 5%, porque existe risco de a inflação voltar a subir, pressionada pelo câmbio. Essa é a mesma aposta do economista-chefe para mercados emergentes da consultoria britânica Capital Economics, William Jackson. Ele vê espaço para um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom, em outubro. “Somos pessimistas nas perspectivas do câmbio. Acreditamos que o real poderá desvalorizar ainda mais frente ao dólar, chegando a R$ 4,30 no fim do ano”, destacou.

  • Bolsa de apostas

  • Confira previsões de analistas para a taxa básica de juros até o fim de 2019 (Em % ao ano)

    Focus*: 5,0
    ItaúUnibanco: 5,0
    Mirae Asset: 5,0
    Bradesco: 5,0
    Capital Economics: 5,0
    Tendências Consultoria: 5,0
    Austin Rating: 4,75
    MB Associados: 4,75
    Necton Investimentos: 4,50
    Daycoval Asset: 4,50
    BNP Paribas: 4,25

    *Mediana das estimativas de 107 economistas ouvidos pelo Banco Central

    Fontes: 
    Empresas e Banco Central

 

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