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Correio Braziliense

Brasília teve a segunda maior deflação do país, aponta IBGE

Ministro da Economia afirma que país começa a crescer com IPCA baixo e ressalta possibilidade de nova redução da Selic. Analistas dizem que índice negativo é resultado da atividade fraca e alertam para necessidade do controle fiscal


postado em 10/10/2019 06:00 / atualizado em 10/10/2019 08:00

(foto: Fernando Lopes/CB/D.A Press)
(foto: Fernando Lopes/CB/D.A Press)
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou deflação de 0,04% em setembro. É o menor valor para o mês desde 1998, quando ficou em baixa de 0,22%. Em setembro do ano passado, a taxa cresceu 0,48%. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira ( pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O ministro da Economia, Paulo Guedes, encarou o resultado de forma positiva. “Inflação baixa mostra que o Brasil tem condições de baixar juros. O que está acontecendo é que a economia está começando a crescer com inflação baixa”, disse, em São Paulo.

Para o professor Istvan Kasznar da FGV Ebape, para que o movimento de queda continue, são necessários alguns fatores, como aprovação da reforma da Previdência e a criação de novos postos de trabalho. No entanto, ele acredita que quedas sucessivas serão mais difíceis.

Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, explicou que o resultado do mês passado pode ser analisado de duas formas. “Positivamente, significa que o Brasil tem a inflação controlada e o Banco Central pode continuar o processo de queda de juros de forma tranquila. Além disso, a previsão para 2020 poderá ser reduzida. Por outro lado, essa deflação não foi causada apenas por fatores sazonais, e sim por uma atividade fraca, uma economia deprimida. Ou seja, ainda tem muita coisa fora do eixo no país. O resultado reforça o cenário de que o país precisa arrumar a situação fiscal”, avaliou.

Agostini destacou que os preços mais baixos indicam que a demanda não está como deveria. “Com isso, o Banco Central precisa estimular o consumo. A taxa de juros mais baixa reduz o interesse de investidores em títulos públicos e aumenta o no consumo”, esclareceu.

A expectativa do Banco Central para a inflação de 2019 atualizada, semanalmente, pelo Boletim Focus, é de avanço de 3,42% no IPCA. A meta para este ano, estabelecida pela autoridade monetária, é de 4,25%, com margem de 1,5 ponto percentual para baixo ou para cima.

Grupos

Em setembro, o resultado foi puxado, principalmente, pelo grupo alimentação, com queda de 0,43%. O de artigos de residência apresentou a maior redução, de 0,76%. Embora em setembro o grupo transportes não tenha registrado aumento significativo, os últimos meses apresentaram variação grande no preço dos combustíveis, que subiram 0,12% em setembro. Enquanto o etanol e o óleo diesel registraram alta de 0,46% e 2,56%, respectivamente, a gasolina recuou 0,04%.


O auxiliar de serviços gerais, André Luiz Ramos, 26 anos, viu no trabalho com aplicativos de caronas uma forma de conseguir manter os custos do carro. “Com o aplicativo consigo manter a gasolina e outras manutenções. Se não fosse assim, não conseguiria nem ter o carro”, explicou.

Recuo no DF é o segundo maior

No Distrito Federal, o IPCA também recuou em setembro. A deflação de 0,17% foi a segunda maior do país. Assim como a nacional, o alívio na carestia em Brasília foi puxada, principalmente, pelo grupo de alimentos e bebidas, que caiu 0,47%. É o segundo mês em que a inflação do segmento vem negativa na capital. No mês anterior, os preços recuaram 0,23%.

 

A alimentação em domicílio apresentou variação negativa de 0,85%. Os alimentos que lideraram essa baixa são: mamão, que ficou 26,24% mais barato e cenoura, que caiu 22,87%. Já entre os que subiram de preço mais fortemente estão as bananas d’água e prata, que encareceram 13,95% e 7,58%, respectivamente. O preço da pera também aumentou 5,04%.

 

Comer fora de casa no Distrito Federal ficou estável, com variação de apenas 0,01% em setembro. A assessora parlamentar Kamila Zardini, 27 anos, entretanto, não sentiu desta forma. Ela que, há cinco anos tem o costume de almoçar fora, tem a impressão de que tudo está mais caro. “Com a crise fiscal, as pessoas ficam mais apertadas e temos a impressão de ter menos poder aquisitivo. Então, quando você gasta com almoço todo dia, o peso começa a ser sentido e temos que buscar outras opções”, afirmou.

 

Segundo o IBGE, tomar café da manhã e comer lanche fora de casa ficaram mais caros para os brasilienses: 1,51% e 0,46%, respectivamente. Já o preço da cerveja, por outro lado, recuou 2,14%. (AR e CN)



* Estagiária sob supervisão de Rozane Oliveira


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