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Correio Braziliense

Transporte será o principal indicador da inflação no ano que vem

O grupo se tornará o principal componente do indicador, superando a participação de alimentos e bebidas


postado em 12/10/2019 07:00

(foto: Fernando Lopes/CB/D.A Press)
(foto: Fernando Lopes/CB/D.A Press)
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mudará a metodologia de cálculo da inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A partir de janeiro de 2022, o grupo transportes se tornará o principal componente do indicador, superando a participação de alimentos e bebidas.

Rafael Leão Parallaxis, economista-chefe da Parallaxis Economics e Data Science, lembra que o preço do combustível é determinante no grupo transportes, mas como o Banco Central (BC) vai analisar o indicador cheio, não deve haver aumento significativo da inflação pela alteração da metodologia. “Isso também indica que a medida não vai ter grande influência na política monetária, já as projeções não devem mudar tanto”, explicou.

Volatilidade


Segundo ele, o grupo alimentos e bebidas costumava ser “muito volátil” e sujeito a choques de ofertas. “Uma seca ou uma safra ruim podiam ter um efeito muito significativo no índice. Mas agora, ficaremos mais suscetíveis a choques de combustíveis”, ponderou. A expectativa de Leão é de que a política de ajustes de preços praticada pela Petrobras não cause um repasse direto para a bomba flutuações de forma tão simultânea ao acontecimento.

A deflação de 0,04%, em setembro, e variação positiva de 0,1% nas vendas do comércio varejista, em agosto, revelam uma atividade econômica ainda fraca no Brasil. Assim, o mercado financeiro aposta na continuidade da redução da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central. A projeção para o fechamento da Selic neste ano está em  4,5%.

Solange Srour, economista-chefe da ARX Investimentos, destaca que essa aposta começou a se formar no início do segundo semestre. “Uma sequência de dados fez o mercado revisar a projeção. Apesar de vermos melhora, o movimento de recuperação é muito gradual. Então, o BC mantém a tentativa de estímulo ao consumo via queda de juros”, explicou.

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