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Correio Braziliense

Sem cartão? Não se preocupe, fintech salva pelos boletos

A Koin mudou seu perfil de negócio, passou a atuar no setor do turismo e busca atender os consumidores sem acesso aos serviços bancários ou com baixo limite no cartão de crédito


postado em 18/10/2019 06:00 / atualizado em 18/10/2019 16:36

(foto: Leandro Mello/CB/D.A Press)
(foto: Leandro Mello/CB/D.A Press)
São Paulo — Com a proliferação de fintechs e o aumento da oferta de meios de pagamento, o uso dos boletos parece estar em contagem regressiva. Na prática, no entanto, o que se vê é um número ainda relevante de brasileiros sem acesso a serviços bancários para quem o uso desse mecanismo é uma das poucas alternativas. Nesta sexta-feira (18/10), segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ainda há no país cerca de 60 milhões de adultos “desbancarizados”.

Esse público é um dos focos da Koin. Empresa criada há seis anos, seu principal produto era a oferta de serviços de boleto pós-pago para e-commerce. Contratada por lojas on-line, a Koin fazia a operação de análise de crédito e emissão do boleto para quem não queria ou não podia pagar com cartão de crédito. Em caso de inadimplência, era a responsável pelo acerto de contas com o varejista digital.

Em 2017, a empresa percebeu que precisaria buscar um novo direcionamento para o negócio, caso quisesse se manter viável financeiramente. Depois de uma pesquisa no mercado americano e europeu, os executivos identificaram que havia uma oportunidade no setor do turismo. Mas seria preciso fazer ajustes. Foi a partir daí que a Koin passou a oferecer o serviço de pagamento parcelado por boleto.

O primeiro cliente a contratar o serviço da Koin foi o Hotel Urbano, onde a empresa passou a atuar na área de recuperação de tentativas malsucedidas de compras, recusadas por problemas com cartão. Por meio de análise de perfil de crédito e do perfil do pacote de viagem, feita com a ajuda de uma modelagem de negócio criada pela própria Koin, o Hotel Urbano conseguiu recuperar 50% das transações recusadas na primeira tentativa. Esse serviço atraiu grandes companhias do setor, como Decolar, CVC, Agaxtur e Submarino Viagens, que ofereciam apenas aos clientes reprovados a alternativa do boleto parcelado.

Desde maio, Decolar e depois a ViajaNet passaram a oferecer entre as formas de pagamento o boleto para compras parceladas. Atualmente, as operações on-line representam 80% da receita da Koin, que movimenta por mês por volta de R$ 30 milhões em compras.

O executivo também não mostra preocupação com o crescimento dos bancos digitais no Brasil e possíveis impactos no número de “desbancarizados”. “Ainda assim, haverá muito espaço para crescer. Se mais pessoas entrarem na economia formal, passaremos a ter uma base de dados ainda mais sofisticada”.

Atrativo


Lacombe conta que o tíquete médio do turismo é de R$ 2,5 mil, enquanto que a média do e-commerce fica na faixa de R$ 600. Essa diferença já é um atrativo relevante para o setor. Além disso, o executivo faz planos de oferecer o meio de pagamento para outros setores da economia. Essa expansão, segundo ele, deve ocorrer no segundo trimestre de 2020.

Além de buscar novos parceiros, como companhias aéreas, o CEO da fintech, conta que, ainda neste ano, deve passar a oferecer a solução também para as lojas físicas de vendas de pacotes. Fora do ambiente on-line, o executivo sabe que terá de enfrentar a concorrência de bancos que já atuam junto a esse mercado por meio do boleto parcelado. Mas ele acredita que haverá mercado para todos.

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