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Correio Braziliense

Falta de propostas pós-Previdência provoca fuga de dólares do Brasil

No cenário doméstico, baixo crescimento, falta de clareza sobre agenda econômica pós-Previdência e crise do PSL contribuem para saída de US$ 19,8 bilhões no ano. Só da Bolsa de Valores, os estrangeiros tiraram R$ 30,6 bilhões


postado em 19/10/2019 07:00

(foto: Maure/CB/D.A. Press)
(foto: Maure/CB/D.A. Press)
As incertezas nos cenários externo e doméstico têm pressionado a Bolsa de Valores de São Paulo (B3) e o real ante o dólar, principalmente, com o agravamento da crise política na base do governo. O baixo crescimento da economia brasileira e a ausência de agenda econômica mais clara, além da reforma da Previdência, são alguns dos motivos da fuga de investidores estrangeiros do país.

Dados recentes do Banco Central confirmam a retirada de US$ 19,8 bilhões no acumulado do ano até 11 de outubro. Isso quer dizer que o saldo da balança comercial não está sendo mais suficiente para conter a evasão de divisas do mercado financeiro, que somou US$ 30,1 bilhões desde janeiro.

A virada foi grande se comparado com o fluxo cambial positivo registrado entre janeiro e outubro de 2018, de US$ 20,3 bilhões. E, para piorar, em 12 meses, a saída alcançou US$ 39,1 bilhões. O rombo no ano ainda deve aumentar, porque o maior volume de retirada dos estrangeiros ocorre justamente nos dois últimos meses do ano, tradicionalmente.

Nesta sexta-feira (18/10), a B3 fechou com nova queda, em meio à confusão da crise do PLS, partido do presidente Jair Bolsonaro.  No acumulado do ano até a última quinta-feira, a diferença entre compra e venda de estrangeiros na bolsa estava negativa em R$ 30,6 bilhões, novo recorde histórico.

“O investidor estrangeiro está saindo do país. Isso é fato. E essa saída está atrelada à falta de confiança, mas também às incertezas no exterior, após a confirmação de que a China está crescendo menos. Para mim, 6% é o teto daqui para frente”, avaliou Eduardo Velho, economista-chefe da INVX0 Global. Ele lembrou que a confirmação da desconfiança crescente é o fato de que a demanda por ouro voltou a crescer.

Os analistas destacaram que a queda na taxa básica de juros (Selic) tem reduzido a diferença com os juros dos Estados Unidos, o chamado “carry trade”. Isso também reduz a atratividade do investidor lá de fora. “A queda da Selic, em si, não seria problema, mas vista a tendência global de queda de juros cada vez com diferencial menor que acaba diminuindo atratividade de investimentos de renda física e atividade do real”, destacou João Freitas, analista da Toro Investimentos.

Na avaliação do gerente  de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, além desse motivos, a saída maior ocorreu a partir da insegurança com cenário político conturbado. “Ganhamos força com a entrada de dólar depois da eleição, mas quando começaram a aparecer entraves às reformas e manipulação no Congresso, foi colocada uma impertinência e se essas questões não desenrolarem a tendência é de mais retirada de dinheiro do Brasil”, disse. Ele aposta que, com o megaleilão de petróleo da área da cessão onerosa, marcado para 6 de novembro, haverá um novo fluxo de entrada de investimentos.

“Estrangeiros vão comprar e o investimento não será exaurido tão fácil, dadas as expectativas de permanência, o que leva a sacramentar a questão da Previdência, um grande alívio para o governo e para o empresário que apostam no país. Apesar disso, no momento, vivemos expectativas internas ruins com a crise do PSL que vem desestabilizando o Congresso. Por enquanto, o investidor aguarda apreensivo o desenrolar desse cenário”, avaliou.

* Estagiárias sob supervisão de Rozane Oliveira

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