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Correio Braziliense

Investir em Tesouro Direto ainda é vantajoso

Apesar da queda de juros e da inflação, títulos públicos são boa opção para quem quer fazer reserva de emergência ou guardar para o futuro. Segurança, rentabilidade e facilidade são atrativos da modalidade. Governo estuda lançar novos produtos


postado em 20/10/2019 06:00

(foto: Maurenilson Freire/CB/D.A Press)
(foto: Maurenilson Freire/CB/D.A Press)
O Brasil registra hoje a menor taxa de juros da história, de 5,5% ao ano. Para quem acompanhou o histórico de inflação que destroçou as finanças de muitas famílias, o quadro atual parece inimaginável. E quem pensa que a queda da taxa básica (Selic) definida pelo Banco Central já baixou o suficiente, deve se preparar. As apostas são de que os juros fechem o ano em 4%. Portanto, é hora de se programar para conviver com ganhos cada vez menores em aplicações em títulos públicos.


Em meio a essa nova realidade, os investidores têm se perguntado se ainda vale manter o dinheiro aplicado em papéis ofertados por meio do Tesouro Direto. A resposta é sim. Além de seguros, já que não há risco de calote por parte do governo, esses investimentos oferecem rendimentos acima da inflação, mesmo que pequenos. Nas economias mais desenvolvidas, as taxas estão negativas. Quer dizer: quem aplicar dinheiro em títulos públicos terá menos no mês seguinte. É a forma que os governos ricos encontraram para estimular o consumo e, assim, evitar a tão temida recessão.

O governo, porém, está atento às mudanças do mercado e aos novos patamares de juros. Para não ver uma fuga de recursos do Tesouro Direto, prepara novos produtos para oferecer aos investidores. Segundo o secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, as futuras modalidades de aplicações serão anunciadas no próximo ano, tendo como foco o longo prazo e o baixo custo para aplicação. “Estamos com algumas simulações, discutindo novos produtos. Ainda vamos conversar com o ministro Paulo Guedes (Economia)”, afirma. “O Tesouro Direto será ampliado.”

O Tesouro Direto, criado em 2002, permite que as pessoas físicas tenham acesso a vários títulos públicos. Há aqueles atrelados à Selic, os com taxas fixas e os corrigidos pela inflação. O ideal é fazer um mix de papéis, de acordo com a necessidade do dinheiro aplicado. Os recursos de curto prazo devem ficar em títulos atualizados pela Selic. O restante deve ser dividido em papéis de prazos mais longos.

Intermediação

Outra informação importante: procure sempre recorrer ao Tesouro Direto por meio de instituições financeiras que não cobram taxas para as aplicações. Até bem pouco tempo, os grandes bancos exigiam valores elevados para intermediarem as operações, mas, com a entrada maciça de pequenas instituições no mercado, várias delas totalmente digitais, essas taxas desapareceram. Esse é o um bom exemplo de como a concorrência faz bem. Quanto maior a taxa cobrada pelos bancos para intermediar o Tesouro Direto, menor os ganhos dos investidores.

Em tempos de juros tão baixos, como os de agora, qualquer encargo cobrado pelas instituições financeiras faz a diferença. Então, os investidores devem ficar atentos para maximizar os ganhos. “A queda dos juros era algo esperado, mas muitos investidores ainda não se prepararam para esse novo ambiente”, diz o educador financeiro Jônatas Bueno. Assim, é importante ficar atento a todos os detalhes. Não há porque correr riscos de se perder dinheiro.

Mesmo mais baixos, os juros pagos no Tesouro Direto batem a tradicional caderneta de poupança. De qualquer foram, é sempre bom fazer as contas. Os ganhos com papéis do governo são tributados. O Imposto de Renda vai caindo ao longo dos anos, até chegar a 15%. Na caderneta de poupança, não há tributos. “Para investimentos de mais de seis meses, para bancar uma viagem ou a compra de um carro, por exemplo, com certeza, o Tesouro Direto será mais rentável do que a poupança, mesmo com os impostos. Mas para um fundo de reserva emergencial e com objetivos de curtíssimo prazo, a poupança é mais recomendável”, avalia o educador.

Hoje, o governo disponibiliza ao pequeno investidor vários tipos de papéis da dívida pública, com taxas pré-fixadas e pós-fixadas. As remunerações e os prazos são distintos (veja o quadro). Portanto, antes de aplicar no Tesouro Direto, é preciso pesquisar. É importante entender o próprio perfil, saber o objetivo do investimento e definir o tempo deseja deixar o recurso investido, aconselham especialistas. Dependendo do papel, há uma forte oscilação ao longo do prazo de vigência. Nessa hora, é preciso ter sangue frio com o sobe e desce mensal. Mas as perdas só se realizam se o saque for feito antes do vencimento. A rentabilidade contratada está garantida até o vencimento.

Segundo o analista financeiro, Alexandre Arci, o melhor título e prazo para investimentos dependem muito do perfil do investidor. “Todos podem investir no Tesouro Direto, é uma ótima plataforma para quem já tem dinheiro na poupança, a rentabilidade aumenta. Ele ressalta, entretanto, que é preciso diversificar os investimentos.

Para o economista e presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon), César Bergo, o Tesouro Direto é uma opção mais aconselhável do que a poupança. Ele indica o investimento para pessoas que tem uma previsão de gastos, como comprar uma casa ou financiar estudos. No início do ano, a estudante Nicolly Prado,  20 anos, começou aplicar no Tesouro Direto. Quer usar o dinheiro para, daqui a três anos, fazer um mestrado. O baixo risco e o rendimento mais alto do que o da poupança foram o grande atrativo para ela começar a investir na modalidade. “Atualmente, eu invisto só em títulos atrelados à Selic, para deixar na reserva de emergência. “A rentabilidade da Selic é baixa, mas ainda sim é bem maior que a poupança”, constata. Em breve, porém, para conseguir realizar o sonho da pós-graduação, Nicolly pretende se aventurar em títulos pré-fixados, indexados ao IPCA.

O servidor público de 34 anos, Victor Dias, decidiu investir no Tesouro Direto pela segurança e facilidade. Ele investe a curto e longo prazos em dois títulos diferentes. Para ele, a escolha depende do objetivo de quem está investindo. Caso a meta seja fazer um fundo de emergência ou apenas poupar com uma rentabilidade um pouco melhor, ele aconselharia um título atrelado à taxa Selic. “O Tesouro IPCA é, sem dúvidas, para longo prazo e para ter uma independência financeira ou aquela sonhada aposentadoria. O Tesouro pré-fixado poderia ser considerado um meio termo, portanto de médio ou curto prazo, mas ele vai requerer um pouco mais de observação para se investir por conta da volatilidade do mercado financeiro”, comenta.

Victor diz que está rendendo bem para ele, porém, alerta para algumas desvantagens. “Uma das dificuldades é ter que pagar Imposto de Renda sobre a rentabilidade. Isso, no mínimo, vai morder 15% do ganho. Outro ponto é a volatilidade do mercado financeiro que pode fazer o seu título não render ou ter um rendimento baixo.” Para ele, entretanto, o que torna o investimento menos atrativo é o fato de a ação precisar ser feita por meio de alguma instituição financeira, como corretora de valores ou bancos. “Acaba se somando um ou dois dias a mais na liquidação do título e ainda tem a taxa de custódia de 0,3% sobre o valor investido”, ressalta.

O cirurgião dentista Guilherme Morum, 43 anos, investe nos três tipos de títulos do Tesouro Direto há nove anos. E, diante do atual mercado, indica o Tesouro Selic para quem deseja começar a aplicar agora. “Comecei a investir porque a rentabilidade era interessante. Há nove anos, as taxas de juros estavam maiores do que as de hoje e é uma modalidade mais segura que a poupança”, justifica. “Para mim, o prefixado é melhor quando se tem uma taxa de juros alta, e quando ela começa a cair, é a hora de você vender o título antes do vencimento, porque ele valoriza. E o pós-fixado também é parecido, porque vai te pagar um juros fixo em uma data lá no futuro, então, você tem um rendimento real acima da inflação garantido até a data do vencimento do título.”

* Estagiários sob supervisão de Rozane Oliveira

» Veja os títulos públicos disponíveis, preços e taxas


encimento Taxa de Rendimento (% a.a.) Valor Mínimo (R$)

Indexados à inflação

Tesouro IPCA+ 2024 15/8/2024 IPCA 2,43 57,68
Tesouro IPCA 2035 15/5/2035 IPCA 3,33 38,93
Tesouro IPCA 2045 15/5/2045 IPCA 3,33 42,13
Tesouro IPCA com Juros Semestrais 2026 15/8/2026 IPCA 2,63 39,35
Tesouro IPCA com Juros Semestrais 2035 15/5/2035 IPCA 3,17 44,19
Tesouro IPCA com Juros Semestrais 2050 15/8/2050 IPCA 3,40 48,47

Prefixados

Tesouro Prefixado 2022 1/1/2022 5,07 35,85
Tesouro Prefixado 2025 1/1/2025 6,27 36,43
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2029 1/1/2029 6,65 37,48

Indexados à Taxa Selic

Tesouro Selic 2025 1/3/2025 Selic 0,02 103,52

* Títulos disponíveis para aquisição em 11/10/2019. É importante acompanhar os títulos no site do Tesouro Direto, 
já que as taxas de negociação mudam diariamente.

Fonte: Tesouro Direto

  

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