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Correio Braziliense

Mercado financeiro trabalha com o dólar na faixa de R$ 3,70 a R$ 4

Aprovação da reforma da Previdência e expectativa do leilão do pré-sal fazem moeda dos Estados Unidos cair ao menor patamar desde agosto. Especialistas acreditam que divisa se mantenha baixa com a volta de investidores estrangeiros


postado em 30/10/2019 06:00

(foto: Anderson Araújo/CB/D.A Press)
(foto: Anderson Araújo/CB/D.A Press)
Um centavo a mais ou a menos, o fato é que o dólar comercial voltou aos R$ 4. Na opinião de analistas, a tendência é de que a partir da aprovação da reforma da Previdência e da expectativa do megaleilão do pré-sal, marcado para novembro, a entrada de investidores estrangeiros no país se intensifique e a moeda norte-americana se mantenha neste patamar ou caia um pouco mais.

“Deve continuar  entre R$ 3,90 a R$ 4  a curto prazo”, afirmou o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo. O gerente de tesouraria do Travelex Bank, Felipe Pellegrini, entretanto,  tem uma visão mais otimista.“Se houver um movimento pontual pode romper os R$ 4 novamente, caindo até R$ 3,70. Não vejo uma inversão da tendência”, avalia.

O estrategista da RB Investimentos, Daniel Linger, atribui a descompressão do câmbio à diminuição do risco Brasil. “Ao longo de outubro, vimos o dólar em um patamar mais alto devido a tensões internacionais, como a guerra comercial, o Brexit e até mesmo a queda de juros em comparação à americana. Com o alívio dessas questões, a aprovação da Previdência e posteriormente a continuidade da agenda positiva brasileira de reformas junto ao discurso de ajustes para a recuperação de economia, o mercado de gestão de risco voltou a ficar mais sustentável”, avalia.

Risco país


O Credit Default Swap (CDS), que mede o custo de proteção contra um calote da dívida soberana brasileira, registrou nesta terça-feira (29/10) a mínima em mais de seis anos. O índice funciona como um termômetro para a aposta do mercado financeiro no país, foi o menor patamar desde 13 de maio de 2013, a 117 pontos. Com a aprovação da reforma da Previdência, investidores veem uma melhora na saúde fiscal e na capacidade do Estado de pagar as contas.

Para Galhardo, é importante o  encaminhamento das demais reformas estruturais, que trarão maior estabilidade fiscal para o país. “Até então, o mercado ainda  mantinha dúvidas e tinha insegurança em relação à Previdência, agora está tudo mais tranquilo e o início da tramitação da reforma tributária é importante no contexto macro”, destaca.

Estão no radar dos investidores as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Federal Reserve (Banco Central Americano), que devem anunciar nesta quarta-feira (30/10) um novo corte na taxa de juros. Esse movimento pode voltar a pressionar o câmbio. O fenômeno conhecido como carry trade ocorre quando a posição vendida em moeda com taxa de juros é mais baixa que a comprada. “Por isso, o dólar não deve ficar muito abaixo dos R$ 4, essa queda de juros acaba tornando o país menos atrativo para investimentos”, justifica o analista da Toro Investimentos, Daniel Herrera.

Pré-sal


O mercado já precifica a retomada de capital com a realização dos dois leilões de petróleo do pré-sal e da rodada de licitações do excedente da cessão onerosa no mês que vem. O megaleilão do pré-sal tem expectativa de arrecadação de mais de R$ 106 bilhões e deve voltar a descomprimir o dólar com a atratividade de investidores estrangeiros.

“O leilão da cessão onerosa vai trazer bastante recurso para o Brasil, com base no resultado anterior alguns analistas já esperam até mais de R$ 110 bilhões. Esse é outro fator que contribui para o dólar buscar um patamar ainda mais baixo”, diz o gerente de câmbio da Treviso.

* Estagiária sob supervisão de Rozane Oliveira

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