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Correio Braziliense

Banco Central quer redesenhar taxas de cheque especial

O intuito é reduzir as taxas de juros cobradas na linha de crédito


postado em 06/11/2019 14:15

Em setembro, a taxa média anual estava em 330,2%(foto: Raphael Ribeiro/BCB)
Em setembro, a taxa média anual estava em 330,2% (foto: Raphael Ribeiro/BCB)
O Banco Central vai anunciar, na semana que vem, inovações para redesenhar o cheque especial no Brasil. O presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou nesta quarta-feira (06/11), que "o produto é muito regressivo", com peso maior de juros sobre quem tem maior renda, e sinalizou a intenção de a autoridade monetária fazer ajustes. O objetivo é diminuir as taxas de juros cobradas na linha de crédito. Em setembro, a taxa média anual estava em 330,2%.

A declaração ocorreu durante audiência na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, que durou mais de três horas, onde Roberto Campos também destacou que os maiores usuários do cheque especial têm renda baixa e menos acesso à educação financeira. O presidente do BC disse que 44% dos brasileiros que entram no cheque especial (usam dinheiro além do que têm na conta) ganham até dois salários mínimos. Destes, 67% cursaram até o ensino médio. 

Durante as explicações, Roberto Campos Neto disse que, quando o banco abre uma linha de crédito para uso pelo cliente há um custo de capital para a instituição financeira. Esse dinheiro é recuperado pelos bancos por meio da cobrança dos juros. Assim, quem tem maior renda, explicou, tem maior limite no cheque especial e não usa os recursos da mesma forma que os mais pobres. "Quem tem limite alto e nunca usa está sendo custeado por quem tem limite baixo e usa. Temos um projeto que deverá sair em breve para redesenhar isso", declarou o economista.

O encontro na Comissão de Finanças foi tratado como a continuação do papo iniciado entre o Parlamento e o Banco Central há algumas semanas. Durante as explicações do presidente da instituição, outro tema foi o cenário externo. Roberto Campos disse que a baixa na estimativa de crescimento da economia brasileira, que passou de 1,58% para 0,91% neste ano ocorreu por causa da crise da Argentina, pelo "choque global" e pela tragédia em Brumadinho (MG).

Sobre Argentina, o presidente do BC diz que as exportações brasileiras caíram. "Há menor corrente de comércio global", qualificou, emendando que "Brumadinho gerou grande queda na indústria extrativa mineral. Esses choques transformaram o crescimento de 1,6% em alguma coisa perto dos 0,9%". 

Ainda assim, Campos Neto salientou a "inflação baixa e controlada", acrescentando que "as inflações esperadas pelo mercado estão dentro da meta. O fenômeno de inflação baixa não é brasileiro. É amplo", justificou, acrescentando que o cenário permite fazer "um movimento de queda mais eficiente" da taxa básica de juros, da Selic. No que diz respeito à tributação, o presidente da autoridade monetária diz que existe, sim, a possibilidade de redução de 0,5% na Selic durante a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em dezembro. 

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