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Correio Braziliense

Em 12 meses, inflação de Brasília é a segunda menor do país

Custo de vida na capital caiu 0,18% em outubro, segundo o IBGE. Nos últimos 12 meses, alta ficou em 1,6%, bem menor que a do indicador nacional, de 2,54%. Corte de tarifas da CEB e preço mais estável da gasolina explicam a diferença


postado em 09/11/2019 07:00

Luciana Soares, coreógrafa:
Luciana Soares, coreógrafa: "O preço da gasolina varia muito. No momento, acho caro e, de uns tempos para cá, parece que só aumenta. Usamos o carro para tudo nesta cidade, então pesa bastante no orçamento" (foto: Gabriel Pinheiro/Esp. CB/D.A Press)
O Distrito Federal registrou um dos menores índices de inflação do país nos últimos 12 meses: 1,6%, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O percentual ficou abaixo da média nacional no período, de 2,54%, e, entre as capitais, acima apenas do 1,55% contabilizado em Curitiba. Em outubro, especificamente, houve deflação de 0,18% no DF, o que significa que produtos e serviços ficaram, em média, mais baratos.

Habitação foi a categoria com maior recuo no mês passado, de 0,67%. Segundo o gerente de IPCA do IBGE, Pedro Kislanov, o principal fator que ajudou a frear a inflação do brasiliense em outubro foi a queda no preço da energia elétrica. “Em setembro, estava em vigor a bandeira tarifária vermelha e, em outubro, passou a vigorar a amarela, que pesa menos na conta de luz. A queda em Brasília foi mais intensa que as demais áreas, já que houve também uma redução nas tarifas. Aliada à troca de bandeira, isso acabou provocando uma queda de 5,44%”, explicou.

Em 22 de outubro, passou a valer decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que reduziu as tarifas da Companhia Energética de Brasília (CEB). Com isso, os consumidores tiveram uma redução média de 6,79%. No entanto a baixa não durou muito, já que a bandeira tarifária voltou ao patamar vermelho em novembro.

Considerando o período dos últimos 12 meses, Kislanov atribuiu o patamar baixo do IPCA em Brasília ao preço da gasolina. “A contribuição do combustível foi de -0,78 ponto percentual. Tivemos alguns meses seguidos de queda no preço da gasolina e, agora, no último mês, uma alta, mas, pela ótica dos 12 meses, as quedas pesaram mais”, disse. O DF também registrou baixa maior que o resto do Brasil em artigos de residência. Eletrodomésticos e equipamentos puxaram para a categoria para baixo em 0,57%.

Muitos consumidores não chegaram a perceber a variação na tarifa de energia, enquanto no combustível a reclamação dos preços é recorrente. A coreógrafa Luciana Soares, 49 anos, diz que nunca sabe exatamente quanto vai pagar pela gasolina. “O preço varia muito. No momento, acho caro e, de uns tempos para cá, parece que só aumenta. Usamos o carro para tudo nesta cidade, então pesa bastante no orçamento. É algo que tenho de ter em mente na hora de fechar as  contas”, afirmou.

Compras

Alimentação e bebidas também ficaram mais baratos na capital: queda de 0,51% no último mês. “Não é um efeito restrito de Brasília, embora tenha sido percebido em menor intensidade em outras cidades. Alguns elementos com oferta mais regular, como hortaliças e legumes, itens populares de feira livre, e frutas também têm caído bastante e contribuído para essa deflação. São nas compras semanais das famílias que esses preços ficam mais perceptíveis ao consumidor”, explicou o coordenador do IPC do FGV IBRE, André Braz.

A pensionista Maria Rita Gonçalves, de 67 anos, disse que, há mais de dois anos, vê os preços caírem. “Antigamente, o preço do tomate era o mais alto, e, agora, está bem mais baixo”, disse.

Entre as altas, uma das maiores foi a do item vestuário (+0,61%), movimento atribuído à troca de coleções. “Estamos indo para uma estação mais quente agora”, diz Braz. Neste fim de ano, outros itens também podem aumentar. “Já identificamos que a carne bovina deve ficar mais cara, assim como e alimentos de agricultura, devido a variações climáticas. Vamos ver no próximo índice também itens de feira encarecendo e energia, pelo reajuste das bandeiras”, diz o pesquisador André Braz, da Fundação Getulio Vargas.

* Estagiários sob supervisão de Odail Figueiredo

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