Publicidade

Correio Braziliense

Governo lança programa Trabalho Verde Amarelo para incentivar emprego

A meta prevista, é gerar quatro milhões de vagas até 2022, reduzindo a taxa de desemprego de 12% para 10%


postado em 11/11/2019 18:54 / atualizado em 11/11/2019 18:55

(foto: Honório Moreira/OIMP/D.A Press)
(foto: Honório Moreira/OIMP/D.A Press)
O governo está lançando o programa Trabalho Verde Amarelo, que prevê a redução de obrigações para incentivar as empresas a contratar jovens de 18 a 29 anos. A meta prevista, é gerar quatro milhões de vagas até 2022, reduzindo a taxa de desemprego de 12% para 10%. 

 

Dentro do Poder Executivo há pessoas que acreditam que é melhor estar empregado com benefícios trabalhistas menores do que ficar na fila dos desempregados. Esse pensamento é compartilhado por alguns jovens que estão procurando emprego. Como é o caso de Michael Douglas, estudante e camelô de 19 anos. 

 

Michael procura emprego desde os 16 anos, ele conta que percebe que o grande problema é a oferta de vagas nas agências. “Eu entreguei muito currículo e geralmente um ou dois acabam chamando a gente. É difícil demais encontrar o primeiro emprego na minha idade”, conta. Ele diz que dependendo das condições estipuladas, ele acredita que talvez valha a pena entrar no programa. “Nem que eu seja demitido de vários empregos, eu vou estar ganhando alguma renda pelo menos.”

 

O estudante diz que não abriria mão de um vale transporte e vale alimentação, que para ele, são essenciais. “Eu acho que eu não gostaria de trabalhar sem eles, além de eu achar que uma carga horária dentro dos padrões seja algo que eu não abriria mão, não se pode atrapalhar os estudos do jovem sobrecarregando ele.”

 

O programa só valerá para trabalhadores com remuneração de até 1,5 salário mínimo, o correspondente, hoje, a R$ 1.497. Além de livrar as empresas do recolhimento da contribuição patronal para o Instituto Nacional do Seguro Social (Inss) de 20%. No programa, a contribuição para Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (Fgts) será de 2% ao invés de 8% e o valor da multa para o empregador, em caso de demissão sem justa causa, será de 20% sobre o saldo do fundo. Hoje, essa multa é de 40%.

 

Walter Bergue, desempregado de 18 anos, não concorda com essas permissões do programa. “Quando a gente perde o emprego, é uma situação muito difícil, o Fgts é muito importante e me permitiu quitar muitas dúvidas minhas, sustentar a minha família e comprar muitas coisas para o meu filho”, conta Walter. Ele acredita que o novo programa proposto pelo governo não vai trazer nenhum benefício para os trabalhadores. “A gente que precisa, tem noção do que é a falta desse dinheiro. Todo dinheiro que é tirado da gente, é muito.”

 

 

 

A experiência prévia é algo que dificulta muito a conquista do emprego no início da vida adulta. Wiliam Gonçalves de 22 anos diz que após entregar uma grande quantidade de currículos em lojas e supermercados, ele chegou à conclusão que a sua falta de vivência no ramo está atrapalhando a busca. “Eu só faço uns ‘bicos’ com pessoas conhecidas, porque serviço formal está bem difícil. Em todo lugar, eu procuro emprego, mas ninguém nunca me chama. Parece até que não tem vaga disponível”, afirma Wiliam.

 

Agnaldo Eduardo Souza, de 23 anos vive uma situação parecida. Ele já procura emprego há dois anos, e sem sucesso. “Muitos empregadores querem pessoas já com experiência. Então como nós somos novos no mercado de trabalho, não temos realmente nenhuma experiência em muita coisa. Fica difícil conseguir qualquer tipo de trabalho nessas condições.” 

 

 

 

*Estagiário sob supervisão de  Vinicius Nader

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade