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Correio Braziliense

Brics é visto como motor na ampliação de negócios durante Fórum Empresarial

Para o secretário do Comércio Exterior, os padrões comuns no âmbito do Brics tem que ser aproveitados, pois são as melhores ferramentas no aumento do comércio entre os países


postado em 13/11/2019 16:45 / atualizado em 13/11/2019 16:52

Presidentes se viam uma vez a cada oito anos e, após a formação do grupo, se reúnem mais de uma vez por ano sendo uma vantagem para ampliação do comércio(foto: Reprodução/Twitter)
Presidentes se viam uma vez a cada oito anos e, após a formação do grupo, se reúnem mais de uma vez por ano sendo uma vantagem para ampliação do comércio (foto: Reprodução/Twitter)
A complementariedade das economias das cinco nações que compõem o grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul foi destacada como motor para ampliação dos negócios entre os países pelos líderes que participam do painel Comércio Intra-Brics, durante o Fórum Empresarial, nesta quarta-feira (13/11), no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB). 

Para o secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Marcos Troyjo, a conexão do Brics, cujos presidentes se viam uma vez a cada oito anos e, após a formação do grupo, se reúnem mais de uma vez por ano, é uma vantagem para ampliação do comércio. “Quando pensaríamos que teríamos a comunidade empresarial dos cinco países reunidas? Temos que aproveitar os padrões comuns no âmbito do Brics, porque são as melhores ferramentas para aumentar o comércio entre os países”, avaliou.

Chen Siqing, presidente do Conselho do Banco Industrial e Comercial da China (ICBC), destacou que a sinergia entre o país e o Brasil é muito boa, sobretudo via Vale, empresa símbolo do Brasil, com a qual a China tem uma parceria estratégica. “Temos que estar de olho na economia real, promover uma parceria possível intra-Brics. A complementaridade é muito grande, mas precisa de investimento, de benefícios para todas as partes”, afirmou.

Segundo Siqing, os cinco países estão juntos há uma década. “A parceria financeira teve grandes ações, fundamos um banco, o New Development Bank (NDB), que é um sucesso”, destacou. O chinês alertou que o ICBC da China é um dos maiores bancos do mundo e fez investimento nos cinco países. “Somos o maior acionista do Banco da África do Sul e operamos nos cinco países. Essa cooperação precisa de normalidade e de um padrão”, defendeu.

Vikramjit Singh Sahney, presidente da Sun International da Índia, assinalou que, no contexto em que o comércio global está desacelerando o multilateralismo, se aproximando de protencionismo, com questões como o Brexit, a tensão entre China e Estados Unidos, todas economias acabam perdendo. “Isso leva à estagnação. Como o Brics é responsável por metade do crescimento econômico temos que potencializar a complementariedade das economias. Cada uma das nossas economias têm suas pontas fortes”, disse. 

Para Sahney, o Brasil é uma usina de commodities, a Rússia, em combustíveis como óleo e gás, a China é uma potência mundial, a África do Sul tem reservas minerais e a Índia, líder em serviços. “Tudo muito complementar. Temos, na Europa, grande fatia do comércio global. Mas precisamos destravar esse grande potencial com acordos comerciais entre diferentes países”, sugeriu.

Sahney afirmou estar feliz ao ver que a cooperação alfandegária traz uma luz no fim do mundo, com certificados fitosanitários. “Teremos muitos avanços no comércio agrícola, msa demos muito pouca atenção aos serviços, à conectividade também. Não temos voos diretos para África do Sul. Precisamos ter. Quando as pessoas se movimentam, os produtos seguem o caminho”, ressaltou. O indiano defendeu que, a partir do comércio digital e do NDB, o Brics possa fazer comércio e empréstimos nas próprias moedas. “Temos que lançar uma espécie de Uber para empresários do Brics, uma plataforma de compradores e vendedores onde todos possam intercambiar”, sustentou.

Siroj Loikov, CEO Adjunto do PJSC PhosAgro, da Rússia, revelou que a empresa produz fertilizantes e que comercializou 1,2 milhões de toneladas para o Brasil, no valor de US$ 400 milhões nos últimos cinco anos. “Isso representou um aumento de 90%, crescimento garantido por um acordo, em 2014, no qual o Brasil derrubou 6% das taxas para esse tipo de produto”, afirmou. Loikov agradeceu o governo brasileiro pela solução. “Isso ampliou o uso de fertilizantes ecologicamente limpos”, destacou. 

O empresário russo lembrou que os produtos são taxados em vários países, inclusive na Índia, que ainda impõe impostos sobre produtos russos. “Com a diminuição da taxação, se aumenta o comércio. É esse tipo de progresso que queremos alcançar com o Brics.”

Irvindra Naidoo, gerente geral de Estratégia e Modelagem de Negócios da Transnet da África do Sul, alertou que, na conversa sobre aumentar o comércio entre os países, há uma tendência de esquecer que não é apenas a concorrência entre os países. “Empresas que competem também. Empresas vendem para clientes em qualquer lugar do mundo desde que lucrem. Com a mesma importância, fornecedores também vem de qualquer lugar do mundo e colaboram ao mesmo tempo no que chamamos de cadeia do valor”, explicou.

“Se considerarmos importação de produtos manufaturados, bens intermediários, falamos em comércio, enviar produto consumido em outro país. Se considerarmos o iPhone, a China é o maior fornecedor, fabricam mais de 300 componentes. O  Japão mais 100 e os Estados Unidos, 50. A questão principal é a seguinte: fabricantes poderão se plugar, se acoplar, e aí, com conectividade, diversificaremos e aumentaremos a nossa base industrial”, defendeu.

Segundo o sulafricano, esse deve ser o foco do Brics. “Temos que desenvolver a conectividade. Isso é um desafio para a África do Sul e mercados emergentes como um todo. A vantagem dessa cadeia de suprimento global é não precisar desenvolver todas as competências para produzir algo. Por isso, precisamos aprofundar a conectividade”, completou.

O secretário Troyjo ressaltou que há duas maneiras de ver o caminho a ser percorrido pelo Brics. “Um tema que poderia se chamar instrumentos, com as ramificações específicas, os temas alfandegários, as transações baseadas em moedas de um dos cinco países. Existem medidas que podem ser implementadas”, afirmou. “Mas acho que nosso maior desafio é a questão da visão. Precisamos de uma grande visão para que isso aconteça. E pode acontecer com a China, que alcançou dimensões de superpotência, do ponto de vista do financiamento e do desenvolvimento. Mas precisamos de regras comuns”, acrescentou.

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