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Correio Braziliense

Produtores nacionais destacam a evolução do setor coureiro

Setor destaca práticas que respeitam o meio ambiente. A modernização dos curtumes é uma estratégia para reverter a queda nas exportações na comparação com 2018


postado em 17/11/2019 06:25

Produção de carteira em couro: setor investe na consciência ambiental(foto: Marilia Lima/CB/D.A Press)
Produção de carteira em couro: setor investe na consciência ambiental (foto: Marilia Lima/CB/D.A Press)
O setor coureiro nacional está investindo em soluções sustentáveis na produção. O despejo dos resíduos sólidos e líquidos é uma das prioridades nesse esforço de melhorar a reputação do produto de exportação. A maior ameaça consiste nos resíduos de cromo e outros componentes prejudiciais ao meio ambiente. O despejo irregular ocorre com frequência em regiões onde o couro é curtido, como China, Índia e Bangladesh. Em grande parte dos curtumes do Brasil, porém, não ocorre mais o despejo em áreas impróprias, asseguram os produtores nacionais. Essa questão ganhou atenção em agosto, quando 18 marcas internacionais suspenderam a importação do couro brasileiro, por causa das queimadas na Amazônia.

Na avaliação de João Fernando Bello, presidente do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), o setor coureiro brasileiro é um exemplo de produção sustentável. Ele cita a fábrica ítalo-brasileira ILSA Brasil, localizada no Rio Grande do Sul, que aproveita os resíduos dos curtumes para fabricar fertilizantes orgânicos. “Os resíduos sólidos dos curtumes não vão mais para aterros sanitários. Mandamos tudo para a fábrica porque o couro tem muito nitrogênio, o que faz bem para a terra”, explica.

Bello relembra como os curtumes brasileiros começaram a pensar em soluções sustentáveis no fim dos anos 1970. Segundo ele, um dos segmentos mais visados à época foi a indústria do couro. “Nós fomos obrigados a investir muito dinheiro em soluções de produção ecologicamente corretas, o que acarretou no fechamento de muitos curtumes que não tinham o capital suficiente para isso”, conta. “Hoje, o curtume é uma indústria limpa, dentro da sua realidade”, avalia. Diego Moreira Ützig, representante da Lanxess, empresa especializada em químicos, ressalta que o couro é uma indústria de reciclagem. “Somos tecnológicos e estamos cada vez mais inseridos na indústria 4.0. Nosso desafio é mostrar ao consumidor final o quanto a nossa indústria é moderna”, diz.

Exportação


A sustentabilidade na produção é um fator importante, entre outros motivos, porque as exportações do setor têm diminuído nos últimos anos. Este ano, o setor coureiro exportou em outubro US$ 83,1 milhões, aumento de 2,7% em relação a setembro, quando a exportação foi de US$ 81 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. No entanto, em relação a outubro de 2018, quando foram exportados US$ 120,8 milhões, houve uma queda de 31,2%.

Quanto ao total exportado em metros quadrados, segundo a Secex, em outubro, foram embarcados 14,5 milhões, aumento de 6,3% sobre o mês anterior, quando o total foi de 13,7 milhões de m². O acumulado do ano está 0,8% abaixo de 2018. Entre janeiro e outubro deste ano, os países que mais importaram o couro brasileiro foram China, com US$ 235 milhões, Estados Unidos, com mais de US$ 164 milhões, e Itália, com US$ 162 milhões. Em relação ao mesmo período do ano passado, a queda da importação desses países foi significativa, variando entre 16,8% e 29,3%.

Os curtumes se concentram no Rio Grande do Sul, São Paulo, Goiás, Paraná e Bahia. O estado gaúcho é o líder em embarques considerando valor e área, com participação de 26,2% e 21,0%, respectivamente. Em relação a janeiro e outubro de 2019, o Rio Grande do Sul exportou US$ 252.317, registrando queda de 14,9% em relação ao mesmo período de 2018. De acordo com o relatório do CICB, o Distrito Federal não tem participação neste setor.

Em relação ao tipo de produto, o couro acabado é o mais exportado, com mais de US$ 574 milhões, entre janeiro e outubro de 2019. Em segundo lugar, aparece o couro wet blue, com US$ 250 milhões no mesmo período. O couro acabado já passa por todos os estágios da produção, enquanto o modelo wet blue é submetido a um processo inicial de curtimento para depois receber o acabamento com outras cores e texturas. “O Brasil é um dos pioneiros na redução do sistema de salga, agora utiliza outras formas de preservação. Isso já é um processo sustentável fantástico, porque o sal é muito danoso ao meio ambiente”, diz o presidente do CICB.

A modernização do setor e as propostas para amenizar os riscos ao meio ambiente foram debatidos durante a sétima edição do Fórum de Certificação de Sustentabilidade do Couro Brasileiro (CSCB), que ocorreu em 7 de novembro, em Estância Velha (RS).

*Estagiária sob a supervisão de Carlos Alexandre de Souza. Viagem a convite do CICB. 

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