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Correio Braziliense

Preço do filé-mignon sobe mais de 20% nos últimos meses

O motivo do crescimento das compras da China é a peste suína africana, que reduziu os plantéis dos criadores daquele país


postado em 20/11/2019 06:00 / atualizado em 20/11/2019 06:53

A funcionária pública Janaína Pereira sentiu alta e optou por comprar um corte mais barato(foto: Gabriel Pinheiro/Esp. CB/D.A Press)
A funcionária pública Janaína Pereira sentiu alta e optou por comprar um corte mais barato (foto: Gabriel Pinheiro/Esp. CB/D.A Press)
O aumento da demanda da China pela carne brasileira provocou um aumento de mais de 20%, nos últimos meses, nos preços de alguns cortes, como filé-mignon. A informação é de Jael Antônio da Silva, presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar). “O empresário não vai conseguir segurar. Infelizmente, é muito provável que teremos um repasse da alta para o consumidor final”, disse o empresário.


O motivo do crescimento das compras da China é a peste suína africana, que reduziu os plantéis dos criadores daquele país. Segundo a agência de alimentos da Organização das Nações Unidas (ONU), a queda na produção foi de, ao menos, 20% neste ano. Com isso, a exportação de carnes do Brasil para a China teve um crescimento de cerca de 40%, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (Abpa).

Marco Aurélio de Lima, diretor da GfK, empresa alemã que faz a apuração do Indicador Abrasmercado, disse que a Rússia também influiu nos preços ao habilitar mais frigoríficos brasileiros a exportar para o país. O impacto ocorreu em vários tipos de carne. Segundo ele, de janeiro a outubro, o pernil subiu 12,18%; o frango, 7%; a carne vermelha de corte traseiro, 2,09%; e dianteiro, 4,11%.

Analistas acreditam que, devido à maior demanda chinesa, os preços da carne podem continuar aumentando no Brasil. No ano passado, de 110 milhões de toneladas de carne suína produzida, 54 milhões de toneladas foram consumidas somente pela China. “A febre suína africana e está assolando o país. Em média, os animais morrem entre dois e 10 dias, e eles estão perdendo o estoque”, diz Victor Beirute, economista da Guide Investimentos.

Os consumidores brasileiros já estão percebendo o aumento dos preços no supermercado. Em um estabelecimento de Brasília, nos últimos oito dias, as maiores altas ocorreram com o contrafilé e o patinho, os cortes mais procurados pelos clientes, de acordo com a equipe da área do açougue. A servidora pública Janaína Pereira, 34 anos, diz que teve que substituir o produto que compra habitualmente. “Eu ia comprar um patinho que estava R$ 19,90, mas acabei levando o músculo, que está muito mais em conta”, afirmou. “Tentei ir a outro supermercado, mas, ainda assim, achei bem caro.”

Janaína disse que uma das saídas possíveis é comprar as carnes em atacadistas, que cobram menos pelo produto. “Eu encontro, às vezes, por metade do preço de um mercado menor.” Assim como ela, Maria Batista, de 70 anos, disse que se espantou com os números que viu no supermercado. “Eu ia comprar uma quantidade maior, mas achei muito caro.”  Segundo ela, os cortes em que percebeu maior alta foram o contrafilé e a costela bovina.

Renan Silva, economista da BlueMetrix Ativos, afirmou que o problema pode resultar em inflação mais elevada. “Como é um produto de consumo habitual do brasileiro, tem um impacto grande na cesta de compras. Nós temos a inflação sob controle, mas é claro que é um impacto indesejado”, disse.

* Estagiário sob supervisão de Odail Figueiredo

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