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Correio Braziliense

Felipe Salto: maior desafio econômico é superar as pressões políticas

Para o diretor-executivo da IFI do Senado, após a Previdência, a PEC emergencial deve ser a prioridade


postado em 26/11/2019 17:45 / atualizado em 26/11/2019 17:49

(foto: Reprodução/Correio Debate)
(foto: Reprodução/Correio Debate)
O diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente do Senado, Felipe Salto, avalia que o maior desafio econômico do governo hoje é superar as pressões políticas. "São as dificuldades operacionais de tramitar todas as propostas, muitas delas dependem de alteração constitucional, então, tem que passar por duas votações nas duas Casas, na Câmara e no Senado. O principal desafio então é o convencimento, que é o desafio político", avalia Salto, após participar do Correio Debate: Desafios para 2020, realizado pelo Correio Braziliense em parceria com o Sebrae, a Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília e a Buser.

O economista acredita que, após a Previdência, a PEC emergencial deve ser a prioridade. “O principal agora é avançar no controle do gasto com pessoal, que é a segunda principal despesa quando tiramos os juros da dívida. A PEC emergencial, que já está tramitando no Congresso, é talvez a mais importante para esse ajuste que precisa ser feito: ela permite acionar alguns mecanismos em razão do descumprimento da regra de ouro, como redução de jornada, interrupção de contrafações e de concursos, reajustes salariais. Isso permitiria promover uma redução de dois a três pontos no PIB no gasto com pessoal."

Salto acrescenta: "Claro que é preciso avaliar se essa redução seria factível nesse contexto de preservar também as políticas públicas e, caso esse ajuste não seja feito, você vai ter que compensar isso com um aumento de arrecadação e outras ações que ajudem a produzir o resultado primário necessário para estabilizar a dívida. Mas o mais importante agora é pessoal”, destaca.

Segundo Salto, outro ponto importante da PEC é a permissão de descumprimento da regra de ouro, que já está ocorrendo. Até o momento, as despesas que mais têm sido contidas são as discricionárias, incluindo investimentos  públicos federais. Para mudar isso, é preciso ter mecanismos que force o Estado a fazer ajustes nas despesas obrigatórias e não mais no investimento”, diz.

Ele ainda acredita que, apesar do cenário negativo, o governo está apontando para o lado positivo para avanço econômico. "O governo Temer já vinha fazendo ajuste fiscal desde o governo Dilma com Joaquim Levy, já havia uma tendência de reorganizar as contas públicas e isso pouco a pouco nas democracias consolidadas é assim mesmo, as mudanças são incrementais."

* Estagiária sob supervisão de Roberto Fonseca

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