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Correio Braziliense

Produtividade está estagnada há 30 anos no Brasil, aponta Naércio Menezes

Professor do Insper diz que mercado de trabalho só vai melhorar quando esse problema for resolvido. Segundo ele, 30% do jovens brasileiros não estudam nem trabalham


postado em 26/11/2019 18:08

(foto: Flávio Moret/Divulgação)
(foto: Flávio Moret/Divulgação)
A situação do mercado de trabalho no Brasil é pessimista no longo prazo, porque a educação aumentou nas últimas décadas, mas a produtividade está estagnada desde os anos 1980, porque a qualidade do ensino é muito baixa no país. A afirmação foi feita pelo professor Naércio Menezes, coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, no painel Emprego, renda e infraestrutura, durante o seminário Correio Debate: Desafios para 2020 — O Brasil que nos aguarda, realizado nesta terça-feira (26/11) no auditório do jornal.

O professor ressaltou que o país tem um problema estrutural de produtividade. Se isso não mudar, a renda ficará estagnada. “Falta igualdade de oportunidade. O que vimos foi uma recuperação pequena porque os cônjuges entraram no mercado de trabalho para compensar a saída dos chefes. Sem oportunidade de emprego, mais jovens entraram na informalidade”, explicou.

“Por isso, a situação é pessimista no longo prazo. A recuperação é lenta. Se não melhorarmos a produtividade, a taxa de desemprego não vai cair”, disse. O professor comparou escolaridade e produtividade, com base no Produto Interno Bruto (PIB) por trabalhador. No país, de 1965 para 1980, a produtividade dobrou, sem investimentos em educação. De 1980 para 2010, o Brasil triplicou a educação mas não aumentou a produtividade “Então, em 2010, a produtividade estava no mesmo nível de 1980. Uma estagnação de 30 anos”, afirmou.

O motivo desse descompasso, segundo Menezes, é a baixa qualidade do Brasil. “Mais de 70% dos jovens de 15 anos está abaixo do nível 2 do Pisa, patamar mais baixo do levantamento”, ressaltou. Ao monitorar o desempenho desses jovens durante a prova do Pisa, enquanto alunos da Coreia e Finlância ficam com uma média de 50% a 60% de acertos, os brasileiros despencam para 10%. “Pior que isso, 60% nem abriram a questão antes do intervalo, porque não fazem esforço”, criticou.

Conforme o professor, embora o gasto com aluno tenha triplicado, as notas são menores do que em 1995. “No quinto ano, melhorou o desempenho. No nono, a melhora é mais lenta. Mas no ensino médio, caiu e parou. Ou seja, quem sai do ensino médio, sabe menos do que sabia em 1995. Chega no mercado de trabalho com nota média muito baixa”, destacou.

Além disso, 30% dos jovens brasileiros com 18 anos não estudam nem trabalham. “Isso tem a ver com o desemprego. A situação aumenta a probabilidade da juventude entrar no crime”, alertou. 

Ao desenhar a composição do desemprego, Menezes apontou que os grupos mais afetados são jovens e filhos que moram com os pais. Depois vêm os chefes de família, por isso houve aumento de cônjuges entrando no mercado de trabalho. “Hoje, 50% dos jovens conseguem completar o ensino médio, antes era 25%. Mas esses jovens chegaram no mercado de trabalho numa época de crise. Por isso, são os mais afetados. Há uma recuperação, mas os jovens estão entrando, principalmente, no mercado informal”, destacou. “É uma recuperação precária do mercado de trabalho, é o jovem que vai ser motorista de aplicativo, entregador de pizza”, afirmou.

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