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Correio Braziliense

Juro do cartão de crédito alcança valor mais alto do ano, de 317,2%

No mês anterior, o juro médio estava em 307,8%


postado em 27/11/2019 12:15 / atualizado em 27/11/2019 12:18

Os números são da nota de crédito do Banco Central, divulgadas nesta quarta-feira (27/11)(foto: Arquivo/Agência Brasil)
Os números são da nota de crédito do Banco Central, divulgadas nesta quarta-feira (27/11) (foto: Arquivo/Agência Brasil)
Os juros bancários cobrados no rotativo do cartão de crédito avançaram em outubro, alcançando a maior taxa de 2019, de 317,2% ao ano. No mês anterior, o juro médio estava em 307,8%. Além de ser o sexto mês consecutivo de alta, é o valor mais alto desde março de 2018, quando ficou em 334,9%. O acumulado do ano registra aumento de 31,8 pontos percentuais para esta modalidade. 

Os números são da nota de crédito do Banco Central, divulgadas nesta quarta-feira (27/11). Seguindo a mesma linha acima dos 300% a.a, os juros do cheque especial ficou em 305,9% a.a em outubro, com queda de 1,7 ponto percentual. De janeiro a outubro, a modalidade acumula queda de 6,7 pontos percentuais. 

Em seminário Correio Debate: Desafios para 2020 — O Brasil que nos aguarda, realizado ontem no Correio Braziliense, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou que a autoridade monetário busca uma reengenharia de cobrança do cheque especial e deve anunciar uma medida em breve. Segundo ele, o perfil de quem mais usa essa modalidade de crédito emergencial, que tem as maiores taxas do mercado, é 44% com renda até dois salários mínimos e 67% com escolaridade até o ensino médio. “Ou seja, há um componente de baixo rendimento associado à falta de educação financeira”, ressaltou Campos Neto.

O cenário base para os juros bancários é de uma taxa básica de juros em queda ao longo de 2019, com a Selic passando de 6,5% a.a, no início do ano, para 5% ao ano, em outubro. A taxa, que tem objetivo de controlar a inflação, é fixada pelo Banco Central a cada 45 dias.

Juros médios 

A taxa média de juros cobrados pelas instituições com recursos livres caiu de 36,9% a.a, em setembro, para 35,9% a.a em outubro. No ano, a taxa acumula leve alta de 0,3 ponto percentual. 

Nas operações para pessoas físicas, os juros recuaram de 51,3% a.a para 49,7% ao ano no período mensal analisado. Já nos dez primeiros meses de 2019, a categoria avançou 0,8 ponto percentual. Para as empresas, a taxa média passou de 17,8% ao ano, em setembro, para 17,6%, em outubro. Com a variação negativa, o juros para pessoas jurídicas caiu 1,2 ponto percentual até outubro deste ano.  

Spread

O spread bancário, que é a diferença entre o valor pago pelos bancos e o que é cobrado dos clientes, recuou para 30,3 pontos percentuais em outubro, ante os 30,8 p.p no mês anterior. 

Enquanto para pessoas físicas o spread caiu de 45 pontos percentuais para 43,9 pontos percentuais, a taxa para empresas registrou leve expansão, de 12 pontos percentuais para 12,3 p.p. No ano, no entanto, o spread avançou em 3,2 p.p e 0,8 p.p para ambas, pessoa física e jurídica, respectivamente. 

Inadimplência

A inadimplência total do Brasil ficou em 3,9% em outubro, sendo que os consumidores tiveram inadimplência de 5% e as empresas de 2,5%. No ano, os brasileiros acumulam alta de 0,2% nas inadimplência. Já a taxa total para o país é de leve avanço de 0,1%. 

O saldo das operações de crédito, para recursos livres, avançou de R$ 1,898 trilhão para R$ 1,907 trilhão, de agosto para setembro. O financiamento para os consumidores ficou em R$ 1,051 trilhão. Já os empréstimos para empresas somou R$ 868 bilhões em setembro. 

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