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Correio Braziliense

Mesmo com leilão do BC, dólar mantém alta e bate R$ 4,26

Leilão de venda promovido pelo Banco Central não impede subida da moeda norte-americana que segue em tendência de elevação e aumenta mais 0,50%. Para analistas, cenário deve continuar volátil, mas indicador que mede o risco do país diminui


postado em 28/11/2019 06:00 / atualizado em 28/11/2019 00:43

Mercado ficou inquieto depois que o governo aumentou previsão de deficit nas contas externas (foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Mercado ficou inquieto depois que o governo aumentou previsão de deficit nas contas externas (foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Apesar de o Banco Central ter realizado, nesta quarta-feira (27/11), um terceiro leilão extraordinário de venda de dólares como forma de conter a alta da moeda, a divisa norte-americana renovou a máxima, encerrando o dia cotado a R$ 4,259 para a venda, com alta de 0,50% sobre a véspera. De acordo com analistas ouvidos pelo Correio, o mercado está testando a disposição do BC de segurar o dólar, que chegou a atingir o pico de R$ 4,27. Entre eles, é consenso que a moeda deverá ficar acima de R$ 4 neste fim de ano, principalmente porque empresas estrangeiras tendem a aumentar as remessas de lucros e dividendos para as matrizes, o que amplia a demanda por dólares.

O mercado também ficou inquieto porque o BC elevou a estimativa para o deficit em conta-corrente — que contabiliza as trocas comerciais e financeiras  com o resto do mundo —, devido à queda das exportações, entre outros motivos. O quadro piorou com os comentários do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre câmbio. Em novembro, o fluxo de saídas líquidas somou US$ 1,159 bilhão até o dia 22, conforme dados do BC. “O câmbio pegou uma dinâmica de cenários interno e externo mais negativos para o real e, por isso, o dólar começou a subir. A fala do ministro causou mais insegurança no quadro de curto prazo, que não era favorável”, explicou o economista Antônio Madeira, da LCA Consultores.

Para o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, o cenário para o mercado de câmbio deverá continuar turbulento. “Os riscos do cenário internacional permanecem, com desaceleração mundial esperada para 2020, eleição conturbada nos Estados Unidos e possível recessão acontecendo por lá”, explicou. Por aqui, segundo Vale, “os riscos políticos se somam à economia ainda fraca e aos ruídos que aconteceram ao longo das últimas semanas, como o fracasso do leilão da cessão onerosa, os efeitos da soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e, agora, as falas do ministro Paulo Guedes.”

Vale destacou que o deficit em conta-corrente pior do que o esperado “agrava as expectativas da taxa de câmbio”. “O diferencial de juros domésticos e externos também não tem sido favorável, e há muito pré-pagamento de dívida lá fora para aproveitar os juros mais baixos aqui. Tudo isso conspira para que o câmbio continue depreciado nos próximos meses”, emendou.

Contramão

Apesar da escalada do dólar, o Credit Default Swap (CDS), um dos termômetros do risco soberano, caiu, mostrando um descolamento do mercado de câmbio, segundo analistas. O indicador para os contratos de cinco anos de CDS do Brasil chegou a 123,4 pontos, nesta quarta-feira (27/11), após ter subido três pontos na véspera, de 124 para 127 pontos. Nesta quarta-feira (27/11), a Bolsa de Valores de São Paulo (B3), que acabou zerando os ganhos no meio do dia, ficando abaixo de 107 mil pontos, fechou com alta de 0,61%, a 107.708 pontos.

“Desde outubro, houve um descolamento dos fundamentos do mercado de câmbio com o CDS. A percepção de frustração com a cessão onerosa e o cenário conturbado na América Latina têm ajudado a desvalorizar o real, e a tendência é que o câmbio continuará volátil nos próximos dias”, destacou Júlia Gottlieb, economista do Itaú Unibanco. Segundo ela, o dólar deverá continuar acima de R$ 4 neste ano e em torno de R$ 4,15 em 2020.

Imposto sobre remessas aumenta

O governo federal vai aumentar para até 15,5% o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre as remessas de recursos para o exterior feitas por pessoas físicas para cobrir gastos com viagens. A cobrança está na Medida Provisória nº 907/2019, publicada nesta quarta-feira (27/11) no Diário Oficial da União.

Atualmente, o imposto é de 6%, e a elevação para a nova alíquota será feita de forma escalonada até 2024.  A taxa subirá para 7,9% em 2020 e alcançará 9,8% em 2021. Em 2022, 2023 e 2024, o imposto cobrado será de 11,7%, 13,6% e 15,5%, respectivamente.

O imposto é cobrado nas compras de pacotes de viagens internacionais, passagens para o exterior e transferência de dinheiro para não dependentes que morem em outros países. Em 2010, a taxa sobre as remessas era de 25%. Posteriormente, uma lei estabeleceu que o IR só incidiria sobre valores acima de R$ 20 mil. Em janeiro de 2016, o governo voltou a cobrar os 25% sobre qualquer montante. No entanto, pouco tempo depois, o Congresso aprovou uma MP que revia a taxa para 6%.

Apelidada de MP da Hora do Turismo, a MP nº 907 também isenta os hotéis brasileiros de pagarem direitos autorais de músicas tocadas nos quartos privativos do estabelecimento. Fica mantida a cobrança quando a música for tocada em áreas comuns, como piscinas, restaurantes e recepção.

Embratur

O texto extingue a Embratur, atual Instituto Brasileiro de Turismo, e a denomina como Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo. Assim, a antiga estrutura, em forma de autarquia, passará a ser configurada como serviço social autônomo — similar ao funcionamento da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex).

Por outro lado, a MP prevê o aumento do orçamento para o órgão, que há 52 anos é ligado ao Ministério do Turismo. O texto determina que a Embratur receba 15,75% da contribuição repassada ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que continuará com 60% dos recursos, por empresas que contribuem para o Sesi e Senai. A Apex e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial receberão 12,25% e 2% da verba, respectivamente. 

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