Publicidade

Correio Braziliense

Reformas estimulam alta maior do PIB

Inflação sob controle e juros em queda ampliam a confiança dos agentes econômicos. Desaceleração global será grande desafio ao país


postado em 03/12/2019 10:55

O Brasil está preparado para enfrentar a desaceleração da economia global, diz o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Segundo ele, o país dispõe de um grande volume de reservas internacionais (cerca de US$ 380 bilhões) e convive com inflação controlada, juros baixos e retomada da atividade. Esses, no entender dele, são fatores que asseguram credibilidade ao Brasil. “Sou o primeiro presidente do BC que não precisa falar sobre inflação”, afirma. Para ele, a curva de juros de longo prazo, usada pelos bancos para formar o custo do crédito, é o maior ganho até agora. Esse juros demonstram que há forte confiança de que os índices de preços continuarão baixos por um longo período. “O Banco Central controla a taxa básica (Selic), mas não as taxas futuras. A agenda de reformas facilita isso, aumenta a credibilidade”, explica.


Campos Neto lembra que, em agosto, quando participou pela primeira vez de um Correio Debate neste ano, as projeções apontavam para crescimento médio do Produto Interno Bruto (PIB) mundial de 3,4%. Agora, as estimativas estão em 3,1%. “Na primeira vez que estive no Correio (em agosto último), a estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) global era de 3,4%, em outubro, caiu para 3,1%. A tensão comercial entre China e Estados Unidos passou a ser uma guerra de tecnologia, que não vai se dissipar rapidamente. Mas o Brasil está preparado”, afirma. Para ele, 2020 será bem melhor, com a atividade puxada, principalmente, pelo setor privado.

Na avaliação do presidente do BC, os juros mais baixos serão importantes alavancas para projetos de infraestrutura, de longa duração. Pelos cálculos dele, uma taxa de juros de 12% ao ano inviabiliza investimentos cujos retornos são de 8,5% a 9%. “A taxa Selic está em 5% ao ano e existe espaço para redução a 4,5%, mas temos que fazer movimentos no curto prazo, que se propaguem no longo prazo, e aumentar a potência da política monetária. Com a queda dos juros de longo prazo, os projetos podem ser financiados pelo setor privado, o que vai dar menos problema fiscal lá na frente”, assinala.

Qualidade


A qualidade do crescimento do Brasil também está melhor, de acordo com Campos Neto. “Os números da reação ainda não são homogêneos, mas há uma retomada”, aponta. Ele lembra que três choques afetaram a economia brasileira neste ano: a crise na Argentina, a situação mundial e o desastre de Brumadinho, que tiraram, respectivamente 0,18, 0,20 e 0,20 pontos percentuais do PIB brasileiro. “A estimativa é fechar o ano com crescimento de 0,99%, mas, sem os choques, o crescimento seria de 1,66%”, sublinha.

Outro ponto que avançou entre as duas palestras de Campos Neto no Correio foi a concessão de crédito. “Como batemos no muro no fiscal, precisamos de uma reinvenção com financiamento privado. Até porque a eficiência do dinheiro fiscal é muito menor. A produtividade cai”, salienta. Segundo ele, a operação de crédito segue robusta no Brasil. “O crédito livre está crescendo 13% na ponta. O total cresce menos, porque o direcionado está caindo, o que mostra a maior participação do setor privado”, destaca. “No dinheiro para capital de giro, os juros caíram de 25% para 13,5% ao ano. Para veículos, de 21% para 11% anuais. No crédito rural, as taxas estão em 9% e, no setor imobiliário, há taxas de 6,75% ao ano nos bancos públicos e de 7% ao ano nos privados”, enumera.

Contramão

Campos Neto reconhece que, no entanto, nas modalidades de crédito emergencial, como rotativo do cartão de crédito e cheque especial, não houve queda. “Pelo contrário, em alguns casos, as taxas subiram na ponta. Por isso, estamos olhando isso de forma separada”, afirma. De acordo com ele, 44% das pessoas que mais utilizam o cheque especial têm renda de até dois salários mínimos e 67%, até o ensino médio. “Ou seja, há um componente de baixo rendimento associado à falta de educação financeira”, afirma. Por conta disso, 21% dos brasileiros estão endividados a juros de mais de 300% ao ano. Para mudar essa realidade, o BC limitou os juros do especial em 8% ao mês (151% ao ano) e deve fazer o mesmo no caso do cartão de crédito.

O presidente do BC lembra que a contração de crédito durante a recente e gravíssima recessão foi brutal. “Caiu quase 10% do PIB. Não é comum uma coisa dessas”, diz. No entender dele, a recuperação dos empréstimos e financiamentos precisa vir das duas grandes modalidades, que são importantes e têm capacidade de mover o Brasil: imobiliário e infraestrutura”,  defende. Hoje, o crédito imobiliário participa com 7%, 8% do total, quando, em outros países, fica entre 30% e 50%. 

O ministro celebra avanços conquistados desde a gestão anterior, como debêntures de infraestrutura que substituíram o financiamento público pelo privado e o cadastro positivo. Para ampliar a competição, ele destaca que o BC está implementando o Open Banking, que garante ao cliente o direito sobre seus dados bancários. 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade