Publicidade

Correio Braziliense

Enxugamento da máquina pública faz gasto do governo recuar 0,4%

Para o professor de economia da UnB Roberto Piscitelli, outras áreas ainda estão em defasagem, principalmente o emprego, que é o verdadeiro motor da economia


postado em 04/12/2019 06:00

Segundo Piscitelli, economia só mostrará evolução de fato quando desemprego diminuir de modo significativo(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
Segundo Piscitelli, economia só mostrará evolução de fato quando desemprego diminuir de modo significativo (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
Um dos setores que puxaram o avanço da economia foi o de serviços. O crescimento de 0,4% no terceiro trimestre, ainda modesto ganhou destaque entre os dados do Produto Interno Bruto (PIB). Porém, as pessoas não devem se animar tanto. Para o professor de economia da UnB Roberto Piscitelli, o aumento não pode ser comemorado, pois outras áreas ainda estão em defasagem, principalmente o emprego, que é o verdadeiro motor da economia.

“Não é animador o desempenho do setor de serviços nem o de consumo, para dizer que deu um impulso na economia. Acho que existe muito otimismo e análises feitas em cima de indicadores de curto prazo. A gente sabe que o terceiro e o quarto trimestres dão uma aquecida na economia. Este ano tem o FGTS, que está injetando algum dinheiro no mercado, 13º salário, festas de final de ano. Quer dizer, a gente não sabe como vai ser ano que vem, se vai repetir. É difícil dizer que vai se manter”, afirmou o professor.

Piscitelli disse, ainda, que é preciso certa moderação e muita cautela com os números, pois o período gera um crescimento natural, porém sazonal. “Não dá para ser tão otimista ao ponto de fazer as pessoas gastarem e se endividarem. É o mesmo que acreditar em voo de galinha. A propaganda não pode iludir as pessoas e, quando chegar o fim do próximo ano, estar todo mundo no sufoco. A economia só vai evoluir de fato quando melhorar o mercado de trabalho”, avalia.

Entre os segmentos que se destacaram no setor de serviços, os Correios informaram que registraram nesta terça-feira (3/12) o maior número de encomendas da história: mais de 2 milhões de objetos foram postados em um único dia. No ano passado, a marca foi de 1,5 milhão de encomendas. “Da primeira hora da Black Friday, na sexta-feira, até as 18h desta terça-feira, foram recebidas mais de 4,8 milhões de encomendas. A expectativa da empresa para 2020 é de crescimento, alinhado à previsão de aumento do consumo da população, principalmente no que se refere às compras on-line, setor em que os Correios se posicionam como principais parceiros das pequenas e grandes empresas”, disse a empresas, em nota.

Relação discutível com Donald Trump

A ameaça de imposição de taxas no aço e no ferro brasileiro pelos EUA acenderam mais um alerta de que a relação entre Jair Bolsonaro e o líder americano Donald Trump é, de longe, assimétrica e não tão próxima quanto defende o presidente brasileiro. Fã assumido de Trump, Bolsonaro ofereceu diversas concessões ao norte-americano, mas, em troca, conseguiu pouco de concreto. A professora de direito da Universidade de São Paulo (USP) Maristela Basso diz que Trump não está nem um pouco preocupado com Bolsonaro. “É muito provável que daqui para frente sua única preocupação seja com ele mesmo (Trump). Se houve um período de lua de mel, esta acabou faz tempo.”

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade