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Correio Braziliense

Entre perigos cibernéticos, nuvem é opção para segurança de dados

Especialistas enumeram vantagens do sistema que é utilizado, entre outros, pelo sistema bancário. Empresas brasileiras ainda engatinham nesta modalidade de TI e buscam profissionais especializados


postado em 06/12/2019 06:00

(foto: Caio Gomez/CB/D.A Press)
(foto: Caio Gomez/CB/D.A Press)
Las Vegas — As incertezas na América Latina com a crise no Chile, Equador, Venezuela e Bolívia levaram os analistas em tecnologia a revisar de 5,5% para 4,8% as expectativas de crescimento do mercado de TI na região em 2020. Ainda assim, é motivo de comemoração, uma vez que o PIB deve ficar em menos de 2%, segundo as estimativas da Stanley & Poor’s divulgadas esta semana. As expectativas para a área de TI foram apresentadas pela IDC, consultoria especializada na área de tecnologia, durante os debates na AWS Re:Invent 2019. As potencialidades, entretanto, são muito maiores. “A situação econômica e política é complexa, mas as potencialidades desse setor são maiores. A computação em nuvem, por exemplo, é um caminho sem retorno e algum momento vai predominar”, conta Alejandro Floreán, da IDC.

O setor que promete um crescimento maior no ano que vem é o de inteligência artifical e de machine learning (no qual o próprio sistema aprende a solucionar problemas). As estimativas são de 44%. Já a internet das coisas tem uma expectativa de 28% de aumento. Para a computação em nuvem, projeta-se um incremento de 25% em 2020, ou seja, pelos cálculos, ainda não será nesses próximos 12 meses que as previsões de Floreán vão se confirmar.

Atualmente, o mercado de cloud abrange apenas 3% do global. E espaço não falta, embora ainda exista muita desconfiança desse sistema. Pietro Delai, analista da IDC radicado no Brasil, conta que questões culturais associadas às dificuldades de conexões em algumas partes do território brasileiro impedem que o crescimento de computação em nuvem fique mais acelerado no país. “Em Mato Grosso, por exemplo, a capacidade de conexão não é tão robusta, portanto, os empresários preferem ter o seu sistema todo ‘dentro de casa’ do que em cloud. Além disso, há questões culturais, as pessoas preferem ver o seu servidor ali, com as luzes funcionando, do que imaginar que seus dados estão numa nuvem”, diz.

Cautela e expertise

Apesar da cautela, usuários de computação em nuvem ouvidos pelo Correio esta semana na Re: Invent da AWS consideram que esse sistema é mais seguro. Alexandre Shima, gerente de operações de tecnologia e segurança do Ebanx, uma intermediadora de pagamentos com sede em Curitiba, usa o sistema de nuvem da AWS desde 2013 e se considera plenamente satisfeito com os resultados para a sua empresa. Porém, faz um alerta: “Nuvem exige um profissional que entenda de automação, de segurança de dados e de custos. Se não tiver qualificação e expertise para usar, pode acabar gastando mais. E, se usar de maneira errada, pode ficar inseguro”, avisa.

A migração de sistemas para nuvem não é para todo tipo de dado. O Banco da Colômbia, uma instituição de 340 anos, por exemplo, começou a migração para nuvem há dois anos. O processo é lento. “Os CEOs precisam se convencer de que a nuvem é a decisão correta. Enquanto não foram convencidos, não aconteceu”, diz Juan Martin, da área de TI. Pietro, da IDC, completa. “As dúvidas são normais. O primeiro pensamento é: vou ou não vou? Depende. Por exemplo, setor bancário é muito pesado. A questão é que o executivo tem que fazer uma análise clara de qual aplicação deve migrar e quando. Se falamos de uma aplicação que está em toda parte e é acessada por muitos usuários, certamente, é melhor que esteja na cloud. Agora, algo puramente interno não é a prioridade para o executivo incluir na nuvem”, descreve.

Um dos maiores entraves para um crescimento mais robusto do mercado de cloud na Améríca Latina e, especialmente, no Brasil, é a falta de trabalhador especializado, conforme avaliação não só do pessoal do Bancolômbia, quanto do Ebanx e do grupo Tress, do México. “Há briga entre as empresas. Perdi duas de cloud para empresas de fora do Brasil. E, mesmo quando encontramos pessoas, sempre temos que capacitar. Num cenário de desemprego no país, essa área é um caminho aberto para quem deseja uma colocação no mercado”, avalia.

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