Economia

Ataque cibernético é ato de guerra, diz especialista

postado em 07/12/2019 04:04


Las Vegas ; Em sua apresentação na Re: Invent 2019, a vice-presidente global do setor público da AWS, Teresa Carlson, classificou os ataques cibernéticos, que se tornaram comuns em várias partes do mundo, como ;atos de guerra;, que devem ser tratados pelos governos como ;terrorismo;. Contra as investidas desses hackers, ela aconselha a todas as instituições, sejam públicas ou privadas, que ;criptografem tudo;.

Stephen Schmidt, da área de segurança de dados da AWS, reforça a recomendação de Teresa com uma ironia: ;Existe um sistema 100% seguro: aquele que você desenvolve e joga no mar e ninguém usa ou conecta.;

A segurança de dados é considerada um dos maiores desafios do mundo conectado. E, hoje, quanto mais os serviços são digitalizados, mais sujeitos a ataques e maiores os impactos na vida das pessoas. Na área pública, Teresa citou vários exemplos, como os ocorridos recentemente em Johanesburgo, na África do Sul, e em Atlanta, nos Estados Unidos. No primeiro caso, em julho e outubro passado, a maior cidade sul-africana sofreu ataques de "ransomware", um sistema nocivo que bloqueia acessos e sequestra dados, obrigando os usuários a pagarem regaste para tê-los de volta. Inicialmente, o sistema de energia foi ;aprisionado;, depois foram funcionários da prefeitura que ficaram sem poder acessar suas estações de trabalho.

No segundo caso, ano passado, o sistema da prefeitura de Atlanta ficou parado por cinco dias. Dois hackers iranianos foram detidos, acusados do sequestro do banco de dados da cidade.

A má notícia é que não há meios de garantir que tais invasões não vão ocorrer. O que é possível é tentar se precaver. Enquanto Teresa, que comanda a área da AWS que faz a interface com os setores público, de educação e ONGs, recomenda backups constantes para poder recuperar o que for ;sequestrado;, Stephen alerta para a necessidade de checagens e reforços constantes na segurança para evitar esses ataques. ;É um trabalho que não termina;, assegura.

O serviço em nuvem, no qual as operadoras, como a AWS, fazem a atualização constante dos sistemas, é considerado o mais seguro para evitar essas agressões. Nos Estados Unidos, o FBI (a polícia federal americana) é um cliente. Porém, a migração de sistemas é complexa, e cada cidade ou serviço deve escolher o que considera melhor para o seu negócio. Mas seja qual for o caminho, não dá para trafegar sem atenção ou criptografia. O mundo virtual, dizem os entendidos, é um lugar onde todo o cuidado é pouco.

A repórter viajou a convite da AWS

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