Economia

Mais de 600 mil pessoas vão às compras de Natal no Distrito Federal

Em todo o Brasil, vendas devem crescer 5,2% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a CNC

Catarina Loiola*, André Phelipe*
postado em 22/12/2019 08:00
Fluxo de pessoas nos shopping centers da capital foi intenso, ontem. Varejo do DF deve faturar R$ 3,2 bilhõesDesde quinta-feira até hoje, mais de 600 mil pessoas foram às compras no comércio do Distrito Federal, segundo o Sindicato do Comércio Varejista do DF (Sindivarejista-DF). Em todo o país, a expectativa é de que o volume de vendas cresça 5,2% em relação ao Natal do ano passado, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Se confirmado, será o maior aumento desde 2012, quando houve avanço real de 5%. A data comemorativa deve movimentar mais de R$ 36,3 bilhões, número próximo do recorde de 2014, quando o setor movimentou R$ 36,5 bilhões.

De acordo com o Sindivarejista-DF, os shoppings da capital recebem mais de 95 mil pessoas por dia nesta época do ano. O gasto médio dos brasilienses com presentes deve ser de R$ 260 por pessoa, contra R$ 240 do último Natal. Segundo a entidade, a forma de pagamento mais utilizada pela população deve ser o cartão de crédito, correspondendo a 95% das transações.

No Distrito Federal, a expectativa é de que o consumo natalino movimente R$ 3,2 bilhões ; recuo de 2,8% em relação a 2018, porém menor do que em anos anteriores. ;A queda que estamos esperando no faturamento é a menor dos últimos cinco anos;, diz Fábio Bentes, economista-chefe da CNC. ;O consumo no DF tem características peculiares, devido à dependência do setor público. Nos últimos 12 meses, houve queda de 9% no salário médio da capital. Isso afeta diretamente o varejo,; completa.

O Natal deste ano, na avaliação do economista, deve ser impulsionado, sobretudo, pelo patamar historicamente baixo da inflação, pela ampliação dos prazos na concessão de crédito às pessoas físicas e pelos saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Para ele, são fatores indutores do consumo no curto prazo.

O segmento que mais deve crescer é o de hiper e supermercados, com salto de R$ 13,1 bilhões. Em seguida, o desempenho deve ser exponencial nas lojas de vestuário e entre os estabelecimentos de artigos de uso pessoal e domésticos. Juntos, esses três ramos do varejo deverão faturar R$ 77 de cada R$ 100 gastos em consumo voltado para o Natal. Regionalmente, os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul vão concentrar mais da metade da movimentação financeira prevista.

Gerente de um quiosque de cosméticos do ParkShopping, Ana Paula Torres, 36 anos, conta que o faturamento da loja já é bem maior do que o registrado no ano passado, com crescimento de cerca de 13%. No entanto, ela destaca que, nos últimos três dias, o movimento vem diminuindo. ;Não sei se as pessoas se anteciparam e, por isso, esses dias foram melhores e acabaram superando os anos anteriores;, pontua. Ana Paula afirma que o seu ramo de negócio foi o que mais se beneficiou no comércio. Para ela, a loja oferece boas opções de lembrancinhas, o que, em sua avaliação, são os objetos a que os brasileiros mais recorrem quando estão com o orçamento apertado.

Já para a diretora de estilo da Avanzzo, Daniela Nagle, 42, o aumento nas vendas deve se concretizar nos últimos dias. ;Nós, brasileiros, temos o hábito de fazer as compras nos últimos dias, no último minuto. Mas, até o momento, o cliente tem gastado mais e as vendas aumentaram. Acredito que vamos ter uma alta de 5%;, diz. Daniela acredita que esse crescimento é resultado do bom trabalho e do empenho da equipe, mas também da melhora da economia. ;O que contribuiu para essa disparada foram as boas parcerias, o foco no cliente e o treinamento da equipe. Conseguimos isso, também graças à melhora do cenário econômico do Brasil;, analisa. De acordo com Daniela, as perspectivas para o ano que vem são boas.

Fim de ano gera 91 mil vagas temporárias

Além de afetar positivamente o consumo, o período natalino também influencia a demanda por trabalhadores temporários. A Confederação Nacional do Comércio (CNC) avalia em 91,6 mil o número de contratações formais para o Natal neste ano. Os segmentos que mais empregam temporários são os de vestuário e calçados, com 62,8 mil vagas, o de hiper e supermercados, com 12 mil, e as lojas de artigos de uso pessoal e domésticos, com 10,7 mil.

Vendedores, operadores de caixa e pessoal de almoxarifado devem concentrar 83% das oportunidades de emprego temporário neste ano. Em relação ao salário médio, os trabalhadores que mais recebem são os gerentes de marketing e vendas, que devem obter R$ 2.734, e gerentes de operações comerciais, com R$ 2.023. A CNC prevê que a taxa de absorção dos trabalhadores temporários deverá voltar a crescer pelo quarto ano seguido. E estima que 26,4% dos contratados temporariamente neste ano serão efetivados após o Natal.

Segundo Francisco Antônio Coelho, professor do Departamento de Administração da Universidade de Brasília (UnB), o trabalho temporário formalizado ajuda a economia a girar, pois quando o consumo aumenta, a produção cresce e mais impostos são recolhidos. ;Esse tipo de trabalhador supre o crescimento da demanda de fim do ano, mas, caso deseje ser efetivado, precisa demonstrar motivação e engajamento;, afirma. ;Deve ter iniciativa, mostrar disposição, estar atento e ter, logicamente, conhecimento das características do produto que está vendendo.;

As vagas temporárias são uma alternativa para que trabalhadores saiam, pelo menos por algum tempo, das estatísticas de desemprego. Gabriela dos Santos, 28 anos, trabalha como vendedora de uma loja de cosméticos em um shopping. O contrato vai durar por mais 12 dias, mas ela tem esperança de ser efetivada no cargo. ;Eu procurava emprego há três meses. O que faltaram foram cursos no currículo. Se tivesse me capacitado, teria mais oportunidades de trabalho;, avalia. ;Tenho muita vontade de fazer nutrição, o que me impede é a falta de tempo e dinheiro. Tenho duas filhas, o que complica mais ainda. No começo do ano, vou dar meu jeito de conseguir;, afirma.

Sem emprego fixo há dois anos, Rosane Alves, 26, conseguiu a vaga de operadora temporária de caixa em uma loja de cosméticos. Ela conta que quase teve que desistir do sonho de se formar para conseguir pagar as contas. ;Eu fazia faculdade presencial, mas passei a fazer a distância, que tem valor mais acessível. Certa época tive que trancar os estudos, porque não estava conseguindo pagar, mas depois juntei dinheiro e consegui voltar;, afirma. A gente precisa trabalhar para poder conquistar objetivos;, diz Rosane.

Oportunidad


Veja quais vagas foram mais ofertadas para trabalho temporário e qual a média salarial:

Cargo Vagas ofertadas Salário médio
(em milhares) (R$)

Vendedores 57,6 1.224

Operadores de caixa 14,4 1.256

Almoxarifes e armazenistas 4,5 1.288

Outros profissionais 15,1 1.411

Total 91,6 1.263

Fonte: CNC

*Estagiários sob supervisão de Odail Figueiredo

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