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Correio Braziliense

Novos formatos de tela reaquecerão vendas de smartphones?

Flexpai, smartphone fabricado pela Royole, o primeiro modelo com tela flexível lançado comercialmente


postado em 31/12/2019 14:24

(foto: Royole/Divulgação)
(foto: Royole/Divulgação)
Segurança de dados, briga entre governos e fornecedores dos Estados Unidos e da China em torno do 5G, aumento da adesão aos “earwear” e a chegada de novos wearables (tecnologias vestíveis). As novidades no universo da tecnologia das quais se ouvirá falar em 2020 incluirão ainda outras atualizações para as câmeras de smartphones, que se multiplicaram em 2019, e a chegada das próximas gerações de consoles para games.

 

Em abril, a pouco conhecida Rouyu Technology (Royole Corporation), da China, começou a comercializar o Flexpai, o primeiro smartphone dobrável do mundo a ser colocado oficialmente à venda. A tela tem a tecnologia Amoled e funciona tanto aberta (esticada, se assemelhando a um tablet de 7,8 polegadas) quanto dobrada - nesse caso, os dois lados funcionam de maneira independente. Quem testou a novidade na época do lançamento criticou o peso e o tamanho, que impede o uso do equipamento no bolso.

Momento delicado para smartphones

A indústria de celulares há tempos não está sob uma tensão tão forte. Segundo dados da IDC, em 2019 o mercado mundial de smartphones deverá chegar a 1,38 bilhão de unidades vendidas. Caso a previsão se confirme, representará uma queda de 1,4% em relação ao total de 1,40 bilhão de aparelhos comercializados em 2018.

 

Com vendas em desaceleração no mundo e a chegada do Flexpai, as grandes fabricantes tiveram de se movimentar ainda mais para colocar seus produtos da categoria tela flexível no mercado e atender a principal demanda dos consumidores: inovação. Samsung, com o Galaxy Fold, Motorola, com o Razr V3, e a Huawei, com o Mate X, entraram recentemente no segmento.

 

Por enquanto, não é possível comprar no Brasil nenhuma versão com o novo recurso com a certificação da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Mas em janeiro, a Motorola, controlada pela Lenovo, tem a previsão de lançar no país o Razr, o primeiro celular com tela dobrável no mercado local. O modelo, que na aparência é semelhante a versão com flip vendida em 2005 (o Razr V3, um dos maiores sucessos de vendas da empresa), roda o sistema operacional Android e terá produção nacional.

LG segue em outra direção

Foi justamente essa lacuna até o lançamento do primeiro modelo de tela flexível que fez a sul-coreana LG apressar o lançamento no Brasil de uma versão de smartphone que em nada tem a ver com as apostas dos concorrentes Motorola, Samsung e Huawei.

 

A LG acredita que poderá avançar sobre o segmento de celulares mais caros (acima de R$ 3.000), hoje dividido entre Apple, com seu iPhone, e a Samsung, donas de 99% de participação. Hoje, cerca de 50% das vendas no mercado nacional são de celulares vendidos no país estão na faixa de preço entre R$ 999 e R$ 1.499 – onde a LG tem boa presença com a série K.

 

Enquanto as telas dobráveis podem transformar um smartphone em um dispositivo do tamanho de um tablet – o Galaxy Fold tem uma tela de 7,3 polegadas, que pode ser dobrada pela metade e chegar a 4,6 polegadas – o modelo LG G8X ThinQ Dual Screen conta com dois visores independentes de 6,4 polegadas cada e uma tela frontal, adicional, de 2,1 polegadas, que permite checar notificações e horário sem ter de abrir o celular.

 

Com produção local, em Taubaté (SP), a novidade da LG começou a ser vendida no Brasil em 7 de dezembro. Até o dia 29, a fabricante sul-coreana fez uma campanha agressiva de lançamento e deu uma TV 4K de 43 polegadas para quem comprou o G8X ThinQ. Não foi a primeira vez que a companhia fez esse tipo de ação no país, mas foi a que envolveu o presente de maior valor – a TV custa entre R$ 1.500 e R$ 2.000 no varejo, o que serviu para convencer muitos indecisos. Já o preço sugerido do novo celular é de R$ 5.999, mas operadoras de telefonia estão oferecendo planos com valor a partir de R$ 3.399.

 

Nos EUA, o Galaxy Fold deverá custar US$ 1.980 (R$ 7.370). Se a política de preço for semelhante para o Brasil, a LG pode levar alguma vantagem – não que seja algo decisivo para o consumidor que está disposto a fazer um desembolso dessa ordem.

Novidade multifunção no Brasil

O G8X ThinQ é da segunda geração de celulares com tela dupla da LG. A primeira, lançada em fevereiro, em Barcelona, rodava com a tecnologia 5G, ainda indisponível no Brasil. A companhia estava em dúvida se esperava o leilão do 5G no país para trazer o lançamento, mas avaliou que perderia a oportunidade de sair na frente nesse novo momento do mercado. Com a novidade, Fabrício Habib, gerente de Produtos Móveis da companhia, acredita que aumentará as chances de a marca ser competitiva no segmento de smartphones cobiçado pela alta renda.

 

Com o aparelho de dois displays, Habib acredita que a marca atenderá um usuário que não está apenas na categoria dos millennials ou aficionados por tecnologia. O executivo explica que esse é o tipo de recurso que atende a um público muito mais amplo, o chamado multitarefas. São aqueles que, independentemente de idade ou profissão, fazem várias atividades no celular ao mesmo tempo, como conversar no WhatsApp, pesquisar algo no Google, publicar fotos no Instagram ou pedir comida pelo aplicativo.

 

Hoje, com os smartphones com um único display, explica Habib, é preciso deixar uma atividade para executar outra, mesmo que elas tenham alguma relação, como pegar um dado bancário enviado pelo WhatsApp e usar o app do banco para fazer uma transferência. O apelo do G8X ThinQ também pode atrair quem costuma usar o celular para jogar. Nos modelos convencionais, o controle dos games acaba por encobrir uma parte do display. Com duas telas, uma fica dedicada ao jogo, enquanto a outra serve como controle. O gamer pode ainda deixar a segunda tela disponível para outras funções do aparelho.

 

Como são duas telas independentes e só uma funciona de fato como smartphone, o usuário não precisa carregar o estojo com a dupla o tempo todo, o que diminui o peso e a espessura do equipamento para o dia a dia. “A estratégia é se manter forte na série K e começar a investir de maneira diferenciada na categoria premium. Sabemos que é um processo demorado e custoso, mas para a LG, que tem no Brasil o seu segundo maior mercado, vale a pena”, explica Habib.

Caro para os brasileiros

Apesar do preço de lançamento, o executivo da LG acredita que essa não será uma barreira para o avanço do G8X ThinQ. Isso porque o modelo não está nem entre os cinco celulares mais caros vendidos no Brasil atualmente. Mas Habib admite: “É caro para o bolso do brasileiro.” Um iPhone 11 Pro Max custa em torno de R$ 9.790, o Galaxy Note10+ é vendido por R$ 5.999, o Huawei P30 Pro R$ 4.499 e o Asus Rog Phone II é encontrado por R$ 6.299 (preço médio pesquisado pela reportagem em sites de varejo e dos próprios fabricantes).

 

Mesmo com a expectativa de concorrer com Apple e Samsung no segmento premium e ainda ter pela frente os lançamentos de telas flexíveis dos concorrentes, Habib acredita que o fato de levar a multitarefa para o modelo com dois displays poderá colocar a marca em vantagem nos pontos de venda das operadoras de telecom, já que para elas quanto maior o uso do pacote de dados, maiores serão os ganhos.

 

Além de contar com o esforço adicional dos vendedores das operadoras, Habib conta que a empresa fez um investimento grande na divulgação por meio de ações com influenciadores digitais, além de tutoriais e reviews. Para o executivo, a novidade vai exigir um trabalho educacional para mostrar a utilidade do aparelho. 

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