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Correio Braziliense

Etanol entra na prioridade de parcerias entre Índia e Brasil

Combustível renovável é um dos principais interesses do governo indiano. Ministros destacam complementariedade entre dois países


postado em 23/01/2020 16:00 / atualizado em 23/01/2020 16:09

Atualmente, o Brasil fabrica mais de 30 bilhões de litros de etanol por ano e, em 2018, a produção da Índia foi de 1,5 bilhão de litros, conforme dados do Ministério da Agricultura(foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Atualmente, o Brasil fabrica mais de 30 bilhões de litros de etanol por ano e, em 2018, a produção da Índia foi de 1,5 bilhão de litros, conforme dados do Ministério da Agricultura (foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Nova Délhi -- Apesar de o principal produto da pauta de exportação entre Índia e Brasil ser petróleo e seus derivados, a parceria entre os dois países pode avançar justamente em uma área em que o Brasil tem negligenciado historicamente: a da produção do etanol de cana-de-açúcar. Autoridades destacam o grande potencial de crescimento do consumo em um país com 1,3 bilhão de habitantes. 

O etanol vem sendo o queridinho dos países engajados no desenvolvimento de energias sustentáveis e que buscam neutralizar as emissões de carbono, diminuindo a dependência do petróleo, um combustível fóssil extremamente poluente e, a cada descoberta extremamente danoso para a saúde dos humanos. O Brasil, pioneiro na área de pesquisa do etanol, acabou retrocedendo nos últimos ano e sujou a matriz energética ao explorar petróleo do pré-sal. Não à toa, o país foi ultrapassado pelos Estados Unidos, que produz etanol a base de milho e passou para a segunda posição no ranking global. Atualmente, o Brasil fabrica mais de 30 bilhões de litros por ano e, em 2018, a produção da Índia foi de 1,5 bilhão de litros, conforme dados do Ministério da Agricultura. A previsão da pasta para a produção brasileira da safra 2019/2020 é de 33,3 bilhões de litros.

Nesta quinta-feira (23/01), a secretária de relações exteriores para o Ocidente, Vijay Thakur Singh, destacou a possibilidade de ampliação da parceira nesse segmento energético. “O programa brasileiro traz a possibilidade de misturar etanol com gasolina. Pretendemos intercambiar essa tecnologia”, afirmou. “Vamos continuar trabalhando juntos”, adicionou.

De acordo com dados do Ministério da Economia, o Brasil exportou para a Índia US$ 2,8 bilhões, no acumulado de janeiro a dezembro de 2019, registrando uma queda de 29,3% em comparação ao ano anterior. Os principais produtos embarcados foram petróleo e óleo de soja, que responderam por 44,7% do total exportado. Na sequência, outro e açúcar responderam por 9,4% e 8,3%, respectivamente. 

As importações de produtos indianos pelo Brasil somaram US$ 4,3 bilhões, no acumulado do ano passado, sendo que fertilizantes, petróleo e óleo, inseticidas e medicamentos lideram a lista dos principais produtos. 

Parcerias

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro está em trânsito para a visita oficial ao país asiático, os ministros da Agricultura, Tereza Cristina, e de Minas e Energia, Bento Albuquerque, participaram de um seminário “Oportunidades de Negócios entre Índia e Brasil em Energia e Mineração” na capital indiana. Ambos defenderam as parcerias nesse segmento e destacaram que os dois países são grandes produtores de cana-de-açúcar e, portanto, podem ter parcerias complementares.

“Existe um enorme potencial de cooperação entre nossas nações. Um aumento na produção de etanol na Índia traria, além dos benefícios socioeconômicos já observados, grandes ganhos ambientais”, disse Tereza Cristina.

O ministro reforçou o discurso de governos anteriores em defesa para transformar o etanol em uma commodity global. “O Brasil é o maior produtor mundial de etanol de cana de açúcar; a Índia possui a maior indústria de açúcar do mundo. Proponho que unamos nossos esforços para tornar o etanol uma commodity global”, disse Albuquerque.  Ele destacou que a Índia possui o mercado energético que mais cresce no mundo, importa 80% do petróleo que consome, e o Brasil um exportador líquido de petróleo, produto com maior peso no comércio bilateral dos dois países.

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