Economia

Situação financeira das indústrias brasileiras melhora, aponta CNI

Na sondagem industrial divulgada pela Confederação Nacional da Indústria nesta segunda-feira (27/1), indicadores mostram que disposição do setor para investir é a maior em seis anos

Simone Kafruni
postado em 27/01/2020 15:25
Na sondagem industrial divulgada pela Confederação Nacional da Indústria nesta segunda-feira (27/1), indicadores mostram que disposição do setor para investir é a maior em seis anosA situação financeira das indústrias brasileiras melhorou em 2019 e a disposição do setor para investir é a maior em seis anos. Os dados constam da pesquisa Sondagem Industrial divulgada nesta segunda-feira (27/1) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O índice de intenção de investimento subiu 1,1 ponto na comparação com dezembro e atingiu 59,2 pontos em janeiro.

Foi o quarto aumento consecutivo do indicador, que alcançou o maior nível desde fevereiro de 2014, segundo o economista da CNI Marcelo Azevedo. O indicador varia de zero a cem pontos. Quanto maior o índice, maior é a disposição para os investimentos.

Segundo Azevedo, sobre os dados consolidados do trimestre terminado em dezembro, um dos principais destaques é a recuperação financeira das empresas. O índice de satisfação com a margem de lucro subiu para 45,8 pontos. Está 4,1 pontos acima da média e é o maior desde o primeiro trimestre de 2011.

;Dezembro mostra uma capacidade instalada acima da do ano passado e muito acima da média dos anos anteriores;, destacou. ;Estamos iniciando o ano com atividade mais forte. Historicamente, dezembro sempre cai, mas está melhor do que os últimos anos;, explicou.

A melhora na expectativa, contudo, ainda não se reflete em mais empregos industriais. ;No fim de cada ano, costuma haver queda no emprego. Apesar dessa redução, no fim de 2019, ter sido mais branda, o mercado de trabalho industrial ainda não reagiu;, destacou.

A capacidade instalada da indústria nacional está 70%, ou seja, ainda há ociosidade. ;A indústria nunca usa 100%, quando chega a um certo ponto, precisa investir e contratar. Mas esse ponto é diferente para cada setor. Alguns segmentos, precisam trabalhar com menos, porque o tempo de maturação é longo;, disse. No entanto, segundo o economista, com o investimento se concretizando, pode ter salto mais forte de emprego.

;A melhora na situação financeira reforça o otimismo. Tivemos a melhor satisfação desde 2012;, assinalou. Como algumas indústrias precisam ter capital próprio para investir, essa melhora financeira deve se reverter em investimentos em 2020. ;As empresas precisam de saúde financeira para conseguir investir;, destacou.

De acordo com a pesquisa, todos os indicadores de expectativas estão acima dos 50 pontos. Isso mostra que os empresários esperam o crescimento da demanda, das exportações, das compras de matérias-primas e do número de empregado nos próximos seis meses.

Produção em queda

A Sondagem Industrial mostrou, ainda, que o índice de evolução da produção caiu 7,1 pontos frente a novembro e ficou em 43,8 pontos no mês passado. O indicador de evolução do número de empregados recuou 1,3 ponto em relação ao mês anterior e alcançou 48,7 pontos em dezembro. Os indicadores variam de zero a cem pontos. Quando estão abaixo de 50 pontos, mostram queda na produção e no emprego.

Entretanto, as quedas registradas em dezembro frente a novembro foram inferiores as de anos anteriores. Os dados refletem o comportamento esperado para o período, com queda da atividade industrial devido ao término das encomendas para atender às vendas de fim de ano;, de acordo com a pesquisa.

A Sondagem Industrial foi feita de 6 a 17 de janeiro com 1.965 indústrias de todo o país. Do total, 744 são pequenas, 711 são médias e 510 são de grande porte.

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