Economia

Com educação ruim, falta trabalhador qualificado no Brasil

Números relativos a 2011 e a 2013 destacam que o percentual de indústrias que afirmam ter problemas com falta de mão de obra qualificada diminuiu de 66%, em ambos os anos, para 50% em 2019. Mas o problema continua a afetar a competitividade, e atinge todas as áreas das empresas

Israel Medeiros*
postado em 11/02/2020 06:00

Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada nesta segunda-feira (10/2), mostra que a baixa qualidade da formação educacional se reflete na capacitação profissional e dificulta o investimento das empresas na maior profissionalização dos seus quadros de funcionários. A sondagem, intitulada ;Sondagem Especial ; Falta de Trabalhador Qualificado;, aponta que a ausência de formação técnica, durante o ensino médio, é uma barreira no aprendizado de profissões.


Segundo Renato da Fonseca, gerente de pesquisas da CNI e um dos responsáveis pelo estudo, o grande problema no Brasil é o baixo nível da educação de forma geral. Na avaliação que faz sobre os resultados, o ensino médio ensina matérias superficialmente e não promove o aprendizado de profissões.

;O Brasil tem dois grandes problemas: o primeiro é a baixa qualidade da educação de forma geral; o segundo é o foco no ensino médio no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e nos vestibulares;, explica.

Números relativos a 2011 e a 2013 destacam que o percentual de indústrias que afirmam ter problemas com falta de mão de obra qualificada diminuiu de 66%, em ambos os anos, para 50% em 2019. Mas o problema continua a afetar a competitividade, e atinge todas as áreas das empresas.

Renato defende que uma boa rota rumo à profissionalização seria o ensino de profissões no ensino médio. Prega que devido à falta de estrutura nas escolas, o Senai (Serviço Nacional da Indústria) e o Senat (Serviço Nacional de Aprendizagem no Transporte) deveriam ter sua capacidade aumentada, uma vez que possuem os equipamentos para a formação de jovens capazes de se integrar aos processos de crescimento em produtividade e competitividade.

;O país está muito atrasado nisso. É importante que o trabalhador tenha acesso a uma boa política de emprego, e que o governo provenha aos desempregados algum tipo de qualificação;.

Entre as principais dificuldades enfrentadas pelas empresas que querem investir em capacitação, está a falta de interesse dos trabalhadores. Por causa disso, Renato diz que também tem a ver com uma questão cultural: ;É preciso quebrar a barreira da sociedade, que acha que só graduação é importante. Muitas empresas só querem alguém com nível técnico;.

A pesquisa da CNI defende que a reforma do ensino médio brasileiro ;representa um passo importante ao abrir espaço para trajetórias em cinco itinerários formativos, entre elas, a formação técnica e profissional.;

No Brasil apenas 9,7% das matrículas do ensino médio são em cursos de educação profissional. Em países como Áustria e Finlândia, segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o percentual de é de uns 70%.

*Estagiário sob supervisão de Fabio Grecchi

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