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Correio Braziliense

Setor energético precisa de investimento de R$ 2,34 trilhões até 2029

Segundo Plano Decenal de Expansão de Energia, apresentado pelo Ministério de Minas e Energia, o Brasil vai saltar de sexto para quarto produtor de petróleo do mundo em 2029


postado em 11/02/2020 16:53 / atualizado em 11/02/2020 17:10

(foto: AFP / Mauro Pimentel)
(foto: AFP / Mauro Pimentel)
O Brasil deve saltar de sexto para quarto maior produtor mundial de petróleo em 10 anos. A estimativa faz parte do Plano Decenal de Expansão de Energia 2029, divulgado nesta terça-feira (11/2) pelo Ministério de Minas e Energia (MME), segundo o qual o setor energético precisa receber R$ 2,34 trilhões em uma década. Do total, R$ 1,9 trilhão serão aportados nos segmentos de petróleo, gás natural e biocombustíveis e R$ 456 bilhões em geração centralizada ou distribuída de energia elétrica e linhas de transmissão.

 

Segundo o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, o programa é referência para o setor por “proporcionar a segurança energética que o país precisa para o desenvolvimento econômico”. “O mundo passa por uma transição energética, por isso temos que ter cuidado no planejamento”, destacou. 

 

O secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do MME, Reive Barros, destacou que o PDE tem por objetivo assegurar a infraestrutura necessária com oferta de energia para atender o desenvolvimento do país. “Parte de premissas de avaliação socioeconômica e demanda por energia”, explicou.

 

Segundo ele, as premissas consideradas dão conta de que a população do país vai crescer a uma taxa média de 0,6% ao ano, chegando a 2029 com 224 milhões de habitantes. A pesquisa considera vários cenários para a economia, mas o referência é de um crescimento médio do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,9% por ano e expansão de 2,2% do PIB per capita ao ano.

 

Com os investimentos estimados, o setor de petróleo e gás do país chegará em 2029 com uma produção de 5,5 milhões de barris por dia, o dobro do registrado em 2018. “O pré-sal será responsável por 77% da produção nacional. O PDE estima o crescimento do setor em 7,2% ao ano, o que nos permite projetar que o Brasil vai sair sexta para quarta posição entre os maiores produtores mundiais de petróleo”, afirmou.

Eletricidade

Barros ressaltou que qualquer melhoria da economia pode resultar num crescimento rápido de demanda por energia. “A indústria tem 30% de ociosidade e pode ocupar sua capacidade rapidamente. Por isso, o setor tem de se antecipar a esse crescimento para garantir capacidade instalada de energia elétrica”, assinalou.

 

O setor de energia elétrica deve receber R$ 456 bilhões em investimentos, sendo R$ 303 bilhões em geração centralizada, R$ 50 bilhões em geração distribuída e R$ 104 bilhões em transmissão. Com isso, a capacidade instalada do país, atualmente em 176 GigaWatts (GW), terá acréscimo de 75 GW até 2029, atingindo 251 GW. 

 

A geração centralizada vai passar de 161 GW para 221 GW, com acréscimo de 60 GW, ou alta de 37% em 10 anos. A autoprodução deve passar de 13,2 GW para 18 GW, aumento de 41%. A geração distribuída deve saltar do atual 1,3 GW para 11,4 GW, expansão de 43%. Em transmissão, as redes passarão de 154,4 mil quilômetros (km) para 203,4 mil km, expansão de 32%.

 

Sobre as projeções, Reive Barros destacou que algumas variáveis tornam o planejamento desafiador. “Teremos veículos elétricos, forma de armazenamento e crescimento de geração distribuída. Ainda não existe um modelo que possa capturar informações sobre essas novas formas de tecnologia”, reconheceu. 

 

Apesar da evolução da matriz energética, o Brasil não ficará com geração mais limpa. Atualmente, o parque é composto por 83% de fontes renováveis e a previsão é de recuar para 80% em 2029 por conta da ampliação da participação do gás natural na matriz. 

 

O mercado consumidor de gás natural apresenta expectativa de uma taxa média de crescimento anual de 1,4% ao ano para a demanda não termelétrica entre 2019 e 2019. A projeção de demanda de gás natural para a geração de eletricidade aponta crescimento de 1,3 milhão de metros cúbicos por dia (m³/dia) em 2029, isso representa acréscimo de 6,5% em relação a 2019. O consumo total estimado em 2029 é de 87,6 milhões de m³/dia, 10 milhões de m³/dia em relação ao consumo de 2019.

 

Conforme Reive, o novo mercado do gás vai aumentar a oferta do produto. “Vamos sair de crescimento potencial da malha, estimado em 166 milhões m³/dia em 2029, para 180 milhões de m³/dia ao considerar as mudanças do novo mercado”, disse. O secretário afirmou, ainda, que o etanol continua crescendo. “Cada vez mais vai substituir a gasolina, assim como biocombustível aumentará a participação no diesel”, acrescentou. 

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