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Correio Braziliense

Alta do dólar diminui movimento nas agências de viagens

Em 2019, o recuo foi de 5,4% e, em 2018, de 3,88%, sempre na comparação com o ano anterior


postado em 14/02/2020 06:00

(foto: PxHere/Reproducao)
(foto: PxHere/Reproducao)
A disparada do dólar está reduzindo as viagens e os gastos dos brasileiros no exterior. Nas agências de turismo, a procura por destinos internacionais caiu, com os turistas em compasso de espera, na expectativa de uma redução da cotação da moeda norte-americana. Dados do Banco Central apontam queda contínua nas despesas de brasileiros fora do país. Em 2019, o recuo foi de 5,4% e, em 2018, de 3,88%, sempre na comparação com o ano anterior. Para piorar, a alta do dólar também reflete no custo das passagens aéreas.

Para Carlos Vieira, da Stella Barros Turismo Brasília, a desistência ainda não ocorreu porque os consumidores estão aguardando a volta da moeda a patamares mais baixos. “Nos casos das viagens internacionais, as tarifas em dólar ou em euro estão se mantendo, o problema é na conversão para reais. Com o câmbio na altura em que está, há desaceleração na intenção de viajar, com retração natural das vendas”, disse. Carla Mergulhão, proprietária da Milênio Turismo, destacou que a procura se voltou para o mercado doméstico. “Para quem já tinha comprado pacote internacional, não tem jeito”, afirmou.

O movimento abaixo do normal começa a afetar os empregos do setor. Luciane Durães, agente de viagens, assinalou que o custo elevado das passagens reduziu a demanda, mesmo em plena alta temporada. “Eu conheço o pessoal das outras agências, eles também falam que o movimento não está legal. Para o turismo, está horrível. Na verdade, essa loja vai fechar e eu já fui avisada. Não temos condições de continuar. Aqui são duas funcionárias, além do meu chefe. Como ele vai nos pagar se não estamos vendendo?”, lamentou. Luciane deve desistir da área de turismo. “Quando entrei, em 2017, as vendas iam bem. De 2018 para cá, piorou. Eu já não estava mais com expectativas nesse setor”, revelou.

Segundo a Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), o cenário é semelhante aos dos dois últimos anos: 60% de procura por destinos nacionais e 40% internacionais. “O mercado se ajusta, em tempos de oscilação e alta da moeda, com promoções e parcelamentos, por exemplo. A orientação é de que o turista englobe o máximo possível de serviços dentro do pacote — como alimentação, uma locação de carro, ou atrações em geral — o que, transformado em real e parcelado, acaba diluindo a diferença de câmbio”, explicou a entidade, em nota. 

*Estagiários sob supervisão de Odail Figueiredo

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